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Bang Portuguet - Peregrinos da Fé

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Depois de as ruinas do Campo de São Domingos estarem a descoberto, em 1984, graças ao Embaixador Mello Gouveia e ao Dr. José Blanco, Administrador da Fundação Calouste Gulbenkiam, ficam a aguardar, por cerca de 10 anos, para que um edifício de largas dimensões e de linhas arquitectónicas elegantes, viesse, finalmente a ser inaugurado, em Abril de 1995. Assunto a ser tratado nas próximas crónicas.
De um matagal espesso, surge um campo de oração e da prática do culto da religião católica, esta que os missionários do Padroado Português do Oriente introduziram no Reino do Sião, em todo o Oriente, após as Cortes de Portugal e do Sião assinarem Acordos de Amizade Comércio e Navegação.
O Padroado desempenha, durante as descobertas portuguesas, um papel primordial nessa expansão. A cruz, as armas, a pólvora e o amor são, assim, factores importantes para o encetamento de relações entre o ocidente e o oriente. Com isto a transformação do mundo.

A mitologia, as crenças religiosas, sejam quais forem os princípios das suas ideologias tem servido para o equilíbrio, ligação e harmonização das civilizações inseridas no planeta mundo.
No Bang Portuguet, mesmo dentro de um matagal espesso os católicos comtemporâneos, que herdaram o catolicismo do seus antepassados de séculos, de joelhos, em frente à capelinha, feita de madeira tosca, é ali que vão fazer as sua preces.
Agradecer a imagem de São José, dentro, alumiado por uma vela de cera, fundida dos favos, construídos num ramo de árvore, pelas abelhas silvestres do Bang Portuguet.
A partir do ano de 1985 a Aldeia dos Portugueses passa a ser, todos os anos, depois do Domingo da Páscoa um local de peregrinação dos católicos locais e outros vindos de partes mais distantes da Tailândia.
São os Peregrinos da Fé.
São quase 500 anos em romagem a um local que consideram como fazendo parte de si mesmos. Desde há séculos, de geração em geração, tem passado este costume, inclusivamente aumentando de ano para ano, o número de romeiros ao Campo Português de Ayuthaya.
Em 1767 as três igrejas portuguesas que existiam no Campo Português de Ayuthaya, antiga capital do Reino do Sião, São Domingos, dos dominicanos, São Paulo, dos Jesuítas, e a de São Francisco dos Franciscanos, foram incendiadas e saqueadas pelas tropas invasoras birmanesas, depois de estas terem destruído os palácios reais e os templos budistas, na outra margem do Rio Menam, onde a corte siamesa, com todo o esplendor, se instalara a partir do ano de 1350. A ferocidade destas destruições fora motivada pelas guerras seculares e por ódios gerados entre birmaneses e siameses, apenas terminados com a queda de Ayuthaya.
Os missionários do Padroado Português do Oriente, embora com imensas dificuldades em converter os siameses ao cristianismo, uma vez que a monarquia era budista, chegaram a converter mais de três mil almas distribuídas pelas três paróquias da Aldeia dos Portugueses.
Ainda hoje se conservam cerca de cinco centenas deles, uns vivendo nas proximidades das igrejas, outros nas redondezas. Muitos vêm, agora, das províncias, a muitas centenas de quilómetros de Ayuthaya, para assistirem às cerimónias religiosas celebradas depois da quaresma, em cima das ruínas de São Domingos.
São os peregrinos da fé com quase 500 anos em romagem a um local que consideram como fazendo parte de si mesmos.
Ainda o sol não raiou no horizonte já os primeiros romeiros começam a chegar, pelos mais diversos meios de transporte, entoando cânticos religiosos, na esperança de que a prece feita ao seu santo, seja atendida nesse dia.

Ergue-se uma tenda que cobre uma área considerável das ruínas da igreja de São Domingos, abrigando de um sol a pino, os que assistem a celebração da missa campal. É ali que é armado um altar onde o grupo de padres celebrarão a missa para os peregrinos da fé.
O ambiente é de grande fervor, e concentração.
Na homilia, a meio da missa, o prelado relembra aos fiéis presentes a importância do lugar sagrado onde todos se encontram, e diz que ali se acendeu pela primeira vez há séculos, o farol do cristianismo na Tailândia, pelos missionários portugueses.

Frades fransciscanos, jesuítas, padres de outras congregações católicas de Bangkok e igrejas da província, confessam ao ar livre os crentes, para que se sintam livres de algum pecado que julgam carregar com eles.

A missa campal, uns anos é celebrada em cima das ruínas, outros junto à margem do Rio Chao Prya, onde aqui a frescura da água e a verdura dos jacintos, a flutuar na corrente, ajudam a suavizar a humidade e o calor que abrasa o local.
Os padres celebrantes, quatro da Missão de São José, da missao francesa, a dois quilometros das ruínas de São Domingos, e dois vindos de Bangkok.
Através de uma potente aparelhagem sonora, dobram os sinos, antes da celebração da missa, e um grupo coral entoa cantos sacros.


No fim da missa, todos os presentes, em procissão dão uma volta às ruínas acompanhando um andor da Virgem Maria e São José por quatro jovens.

No fim, há a adoração aos mortos no cemitério, onde desde Abril de 1767, quando da queda de Ayuthaya, ninguém ali foi sepultado, são acendidas velas nas campas com as ossadas, a descoberto, que foram de homens lusos, mulheres siamesas e luso-descendentes.
Colares de jasmim são colocados em pequenas cruzes de madeira e os cristãos permanencem, por períodos longos, junto às sepulturas, rezando.
São visíveis numerosos esqueletes sepultados há mais de 240 anos, no que foi o adro da Igreja de São Domingos.

Não tem sido sem emoção que desde há varios anos, tenha sido eu o único português a assistir a este ritual no Bang Portuguet. É gratificante ouvir-se durante as cerimónias religiosas o nome de Portugal.
Um passado de riqueza histórica que Portugal, passados quase cinco séculos se mantem, vivo, na Tailândia.

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Tradução para a língua tailandesa: Maturos Suphaphon
Fotos: José Gomes Martins
 
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