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O mar era para o português do século XVI, uma maneira de viver. Os navegadores exploravam nas costas do nordeste do Atlântico os bancos de bacalhau.
Mas provavelmente já muito antes o açoreano João Fernandes, que era conhecido pelo "lavrador" e que deu origem a que uma área da costa do Norte do Canadá fosse chamada de o "Labrador", por lá andava com os seus barcos à pesca nas ricas águas desse lado do mar.
No ano de 1500 e 1501, Gaspar Corte-Real acompanhado do irmão Miguel Corte-Real navegou para Greenland, Labrador, e Newfoundland que também era marcada em muitos mapas da época como "Terra del Rey de Portuguall".
João Álvares Fagundes um nobre português explorou, além de Newfoundland, a costa da Nova Scotia. E Diogo Ribeiro um português de nascimento, que tinha como função rever e actualizar o mapa oficial do mundo, aponta a presença lusa à medida que as descobertas vão sendo feitas.
A presença portuguesa vai com o tempo debotando, mas o turista de origem lusa interrogar-se-á, quando na sua passagem pela Nova Scotia, reparar na placa que indica "Martin's River", ou "Portuguese Cove".
Se parar em Cape Breton, e participar nas festas que se fazem nas cozinhas "the jam session" vai possivelmente ouvir uma música muito familiar que se chama "o corridinho". Vai ouvir falar de aguardente, de violas e de farras até o dia despontar. Vai ouvi-los falar dos velhos tempos em que o bacalhau "gadhus morhua" abundava, vão reparar nos estendedores que não sentem mais o peso do peixe salgado, vão ouvi-los suspirar de saudosismo, dos velhos tempos quando cansados chegavam, com os barcos carregados...
Mercante, explorador, pescador ou sedutor, o português está presente nas memórias do norte do Atlântico. Para a traçarem, os mapas antigos, as estatísticas nas alfamas, as contabilidades nas fábricas de peixe, nos bancos, nas repartições do estado, ou mais tarde na luta que o governo de Tobin fez contra as pescas nas águas territoriais canadianas e nas quais muitas vezes eram apanhados em delito os navios com a bandeira de Portugal...
Os meninos aprendem nas ruas de décadas em décadas, que o primeiro animal a habitar Sable Island, foi um porco trazido por uma família de portugueses.
Nos teatros comunitários, os amores impossíveis entre as raparigas das terras frias e os rapazes de corações quentes, são revividos... a memória latina lateja ainda, apesar de começar a ser carcomida.
Mas em Newfoundland uma frase ficou marcada nos corações, cheios de esperança: "In Cod We Trust". Nesse sonho, o português há-de ter sempre um lugar.

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