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O tempo passa por nós à velocidade do vento! (Capítulo 2)

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Chegado, ao fim da tarde, ao acampamento denominado G6 onde 16 técnicos de várias nacionalidades e cerca de 200 trabalhadores, paquistaneses, indianos, Sri Lanka e filipinos se dedicavam à prospecção de petróleo, ao serviço da empresa multinacional, americana, Texas Instrumentos, onde eram usados os mais modernos e sofisticados aparelhos de sismica computorizados.

Memórias de Banguecoque Cordialmente fui recebido pelo "Campo Manager", de nacionalidade inglesa, com quém, mais tarde o tive, outra vez, como manager em Sfax na Tunisia.

A vida do deserto era durissíma onde estava sujeito às constantes variações do clima,tempestades de areia que me fustigada o corpo e os olhos. Trabalho de 12 horas diárias, durante os dias de seis semanas. Estas doze horas dava-me o privilégio de acumular mais 22 dias por cada 42. Com isto um invejável salário, mensal, pago em libras esterlinas e pontualmente depositado no National Westminster Bank sem quaisquer descontos.

 


 
Memórias de Banguecoque Ao fim de quarenta e dois dias no deserto, com condições excelentes de acomodação, em caravanas, herméticas, a fim de proteger, do calor incessante da noite, o pessoal e dar-lhe um perfeito repouso para no dia seguinte estar novamente fresco para as suas atribuições, a "blaser Chevrolet" transportava-me para Dahran,onde um bilhete de avião me esperava para gozar as minhas merecidas férias de duas semanas em Portugal.

Antes que continue o fio da meada da história interrompo-a aqui e colocar em relevo a forma com que os americanos classificam o pessoal e as oportunidades dadas aos técnicos que neles encontraram qualidades de trabalho, inteligência e produtividade nas atribuições que lhe foram conferidas. Não existem privilégios de "compadrio" ou mesmo proteccionismo de nacionalidade perante o manejamento. Foi assim que durante os quase dez anos que servi a Texas Instrumentos e com uma ponta de vaidade fui dado como mecânico engenheiro supervisor em vários países e ordenador do funcionamento de "workshops mecânicos", com trinta e mais mecânicos, sob a minha gerência, vitais para a boa produtividade das várias brigadas que operavam em diversas partes do deserto, montanhas da Turquia ou nos terrenos, planos, dos olivais da Tunisia.


Memórias de Banguecoque O primeiro ano no deserto optei por passar as duas semanas em Portugal e esporádicamente, no regresso à Àrabia Saudita, uns dias em Las Palmas, nas Ilhas Canárias.

Uma noite, depois de terminado o serviço, na caravana restaurante encontrava-me com um inglês, jovem como eu e pergunta-me:

- José onde costumas passar as tuas férias?
- Em Portugal John.
- You are a crazy (Tu és maluco.)
- Why? (Porquê?)
- You must go to Bangkok... the best place for holidays... ( Tu deves visitar Banguecoque um óptimo lugar para passar férias)

Logo nessa noite o John entregou-me brochuras turisticas da Cidade dos Anjos e desde logo, ao outro dia, informei a secção de viagens dos escritórios centrais da Texas Instrumentos para trocar o habitual itinerário de Dahran, Lisboa para Banguecoque.

Poucos conhecimentos tinha da Tailândia, dos costumes e até da história. Sobre esta monarquia, apenas, tinha anos atrás visto o filme o Rei e Eu no Porto inspirado no livro da Ana Leonowens.

Banguecoque em 1978 era uma cidade de facto grande de casas baixas, cobertas de zinco ondulado e desde o airporto, de pequenas dimensões, até à baixa citadina (30 quilómetros), nas margens da estrada, de duas vias, havia searas de arroz verdejante onde se viam pessoas a mondá-lo ou na azáfama do transplante.

Tudo que os meus olhos viam, através dos vidros do táxi "Blue Bird", à minha volta, fascinava-me. Eram as camionetas decoradas com figuras, estampadas e artisticamente cinzeladas, mitológicas da cultura siamesa, sem portas na cabine do motorista, os trajes das mulheres, os rostos enfarinhados para lhes proteger a pele do calor e da humidade e os sorrisos que distribuiam à minha passagem.

Memórias de Banguecoque Em Banguecoque, práticamente não existia turismo, os hoteis muito poucos na área da Sumkhunvit e o mais importante era o Dusit Thani à entrada da Silom Road. Na rua Sumkhunvit havia mulheres nos passeios que vendiam frutas, topicais, frescas e muitos "oil mens" que basofiamente ostentavam grandes aneis nos dedos, máquina fotográfica ao tiracolo e botas bicudas (estilo americano) de cano alto. Durante a noite bebiam litros de cerveja no "Soi Cowboys", acompanhados de raparigas que estas, depois de embriagados, os levavam, como crianças, pela mão para os hoteis à volta da "Soi Asoke".

Não pensava sequer que Portugal estivesse representado com uma Missão Diplomática, em Banguecoque, tão-pouco tivessem sido os portugueses a conhecerem o Sião em 1509. No último dia das minhas ferias, excelentemente passadas em Banguecoque, ao passar uma vista de olhos à revista turística "This Week" encontrei ali designada a Embaixada de Portugal.



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