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José Cardoso Pires

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José Cardoso Pires nasceu em 1925 em São João do Peso, Castelo Branco, filho do oficial de Marinha José António Neves e de Maria Sofia Cardoso Pires Neves.
Entre 1935 e 1944 faz os estudos secundários no Liceu Camões e frequência de Matemáticas Superiores na Faculdade de Ciências de Lisboa, sem todavia concluir o curso. Colabora na página literária do jornal "O Globo" e publica comentários de leitura na revista "Afinidades" do Instituto Francês de Lisboa.
Em 1945 alista-se na Marinha Mercante como praticante de piloto sem curso, actividade que abandona compulsivamente, "suspeito de indisciplina e detido em viagem do navio Niassa" (cf. auto da Capitania do Porto de Lisboa, de 2/2/46). Primeiro texto publicado em volume - o conto "Salão de Vintém" (in "Bloco", antologia de jovens universitários).
Em 1949 publica "Os Caminheiros e Outros Contos" (em edição do autor com chancela da editora Centro Bibliográfico).
Foi redactor e depois chefe de redacção da revista feminina "Eva". Com Victor Palla funda a colecção de bolso "Os Livros das Três Abelhas" e traduz "Morte de Um Caixeiro Viajante", de Arthur Miller. Tradução de "O Pão da Mentira" ("No Pockets in a Shroud") de Horace McCoy.
Em 1953 morre o irmão num acidente de aviação em cumprimento do serviço militar. Dez anos mais tarde, Cardoso Pires dedicar-lhe-á "in memoriam" o romance "O Hóspede de Job" "como protesto contra a guerra fria e a colonização militar" (entrev. "Vida Mundial", 7/12/74).
Em 1954, o primeiro romance original publicado no estrangeiro: "The Outsiders" (o conto "Os Caminheiros", extraído do volume do mesmo título), nº 11 da revista "Argosy", Londres. Dirige as Edições Artísticas Fólio onde Aquilino Ribeiro publica "O Retrato de Camilo", com litografias de Júlio Pomar e Carlos Botelho, e as traduções de "D. Quixote" e "Novelas Exemplares", ilustradas por João Abel Manta. Na mesma editora, a colecção "Teatro de Vanguarda", que revela em Portugal obras de Beckett, Faulkner e Maiakovski.
Em 1959 faz estágio na revista "Época" de Milão, com vista à publicação de um semanário que a Censura impediria de sair. A empresa editora lança então a revista "Almanaque", cuja redacção, coordenada por Cardoso Pires, é constituída por Luís Sttau Monteiro, Alexandre O"Neill, Vasco Pulido Valente, Augusto Abelaira e José Cutileiro. "O programa da revista era simples: ridicularizar os provincianismos, cosmopolitizados ou não, sacudir os bonzos contentinhos e demonstrar que a austeridade é a capa do medo e da falta de imaginação", JCP, entrev. "O Século Ilustrado", 6/6/75. Breve exílio em Paris e no Brasil.
Em 1961, de regresso a Portugal, retoma a direcção de "Almanaque". Membro da direcção da Sociedade Portuguesa de Escritores, presidida por Jaime Cortesão.
Em 1963 é delegado ao Encontro (clandestino) de Escritores Peninsulares realizado em Barcelona. Primeiro romance publicado no estrangeiro: "L"Ospite di Giobbe" ("O Hóspede de Job"), Lerici Editori, Milão.
Em 1964 recebe o Prémio Camilo Castelo Branco atribuído a "O Hóspede de Job".
Em 1965 estreia de "O Render dos Heróis" no Teatro Império de Lisboa, com encenação de Fernando Gusmão; interpretações de Carmen Dolores, Rui de Carvalho, Morais e Castro e Rogério Paulo; música de Carlos Paredes.
Em 1966, com Alçada Baptista, Miller Guerra, Lindley Cintra, Joel Serrão, José-Augusto França, Nuno Bragança e Nuno Teotónio Pereira constitui o núcleo português da Association Internationale pour la Liberté de la Culture.
Em 1967 publica no "Diário Popular" das crónicas "Os Lugares-Comuns". Funda e orienta "& etc.", "magazine das letras, das artes e do espectáculo" do "Jornal do Fundão", coordenado por Victor Silva Tavares.
Em 1968, ainda com a assistência de Victor Silva Tavares, dirige o "Suplemento Literário" (nova fase) do "Diário de Lisboa" e, meses depois, o suplemento "A Mosca", do mesmo jornal.
Entre 1969 e 71 lecciona Literatura Portuguesa e Brasileira no King"s College da Universidade de Londres. Colaborações eventuais na BBC. Entrega à revista "Index" o original do ensaio "Técnica do Golpe de Censura". Primeira redacção de "Dinossauro Excelentíssimo".
Em 1972, de regresso a Portugal, publica "Dinossauro Excelentíssimo". O ensaio "Técnica do Golpe de Censura" é simultaneamente editado em Londres ("Index") e em Paris ("Esprit"); a versão original só sairá em Portugal depois da Revolução de 25 de Abril, incluída em "E agora, José?" (Moraes Editores, Lisboa, 1977).
Em 1974 cerca de mil pessoas assistiram ao encontro cultural que sublinhou o aniversário do "Jornal do Fundão". Um romancista, José Cardoso Pires, um poeta, Eugénio de Andrade, e um pintor, Cargaleiro, "foram exaustivamente analisados e proclamados testemunhas de um certo tempo português", "Diário de Lisboa", 29/1/74. Após a queda da ditadura, interessa-se por analisar "o submundo da polícia política e o tecido psicológico da sua identificação como corpo de terror" (entrev. "Vida Mundial", 7/12/74). 0 drama "Corpo-Delito na Sala de Espelhos", levado à cena seis anos mais tarde, baseia-se nessa experiência. Director-adjunto do "Diário de Lisboa".
1975 - "Sete Parágrafos sobre a Liberdade", texto apresentado no XXV Festival da Cidade de Berlim, RFA, e editado pela Damnitz Verlag, de Munique, e por "Neue Deutsche Literatur", de Berlim Leste. Vereador da Câmara Municipal de Lisboa.
Entre 1978 e 79 vive em Londres como "resident writer" da universidade. Estreia, em Lisboa, no Teatro Aberto, da peça "O Corpo-Delito na Sala dos Espelhos"; direcção de Fernando Gusmão, interpretações de Lia Gama, Mário Jacques, Rui Mendes, Morais e Castro e António Montez; coreografia de Vasco Wellenkamp e Lucia Lozano.
Em 1980 escreve "Apocalipse 2" - reportagem sobre o Vietname para as revistas "Triunfo", de Madrid, e "Hoy", do México, e parcialmente publicada no "Diário de Lisboa".
Em 1982 - Grande Prémio do Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores atribuído à "Balada da Praia dos Cães".
1986-87 - "Les Pas Perdus", conto publicado em "Le Monde Diplomatique" (Dezembro, 1986) cuja versão original sairá depois em "A República dos Corvos".
1988 - "Balada da Praia dos Cães", filme de José Fonseca e Costa em co-produção luso-espanhola; interpretações de Assumpta Serna, Mário Pardo, Raul Solnado, Patrich Buchau e Sergi Mateu. "Poker Aberto", série de cinco crónicas no semanário "O Jornal".
Em 1989-90 ganha o Prémio Especial da Associação de Críticos, São Paulo, Brasil, atribuído a "Alexandra Alpha". Inauguração do Teatro da Malaposta com "O Render dos Heróis" em encenação de Mário Barradas e com música de António Victorino de Almeida. Meses depois, em Março de 1990, nova encenação desta peça por Álvaro de Oliveira para o Grupo de Teatro António Aleixo, com música de José Afonso.
1991 - Prémio Internacional União Latina.
1992 - Astrolábio de Outo do Prémio Internacional Último Novecento (Pisa)
Em 1995 sofre um acidente vascular-cerebral e entra em coma, experiência que o levou a escrever "De Profundis, Valsa Lenta" (1997).
Em 1997 ganha o Prémio Pessoa, Prémio D. Dinis da Fundação da Casa de Mateus e Prémio da Crítica da Associação Internacional de Críticos Literários (AICA).
Em Abril de 1998 o seu estado de saúde agrava-se, depois de novo acidente vascular cerebral. Em Julho, recebe em casa o prémio da AICA. No mesmo mês, a dia 8, é internado depois de novo acidente vascular cerebral. Entrou em coma e não mais saiu. A Associação Portuguesa de Escritores (APE) atribui-lhe o Prémio Vida Literária, que é entregue à mulher do escritor a 23 de Setembro.
Retirado do livro "Cardoso Pires por Cardoso Pires", de Artur Portela, ed. Publicações Dom Quixote e do jornal PÚBLICO. Adaptações de Portugal em Linha.

José Cardoso Pires nas palavras dos outros

Urbano Tavares Rodrigues:

«José Cardoso Pires foi sem dúvida uma figura cimeira entre os melhores escritores portugueses do seu tempo. A sua linguagem é muito depurada, de um grande rigor, por vezes com conotações bem pessoais e intensamente sugestivas.» (Público, 28/10/98)

Eduardo Lourenço:

«Homem, nem de certezas nem de incertezas, nem olímpico nem angustiado, o autor de O Delfim investiu-se, como uma espécie de predestinação, no papel de detective por conta própria, apostado na descoberta de enigmas ou crimes, secularmente sepultados, sob o espesso silêncio português, raiz e matriz do tempo sonâmbulo (a frase é dele) que lhe coube viver. Viver e reviver em contos e romances inseparavelmente realistas e alegóricos, onde em quem os ler respirará um pouco aquele ar refeito de um passado português que foi o da sua geração e, eminentemente, o seu.» (Público, 27/10/98)

Paulo Castilho:

«Se tivesse de resumir José Cardoso Pires numa só palavra, essa palavra seria verdade. Porque há em tudo aquilo que nos diz a força imediata e sem rodeios das palavras claras. Porque por trás da simplicidade directa com que se nos dirige está a riqueza e humanidade de um mundo complexo. Porque recusa o recurso aos expedientes fáceis da literatura, aos fogos-de-artifício verbais e intelectuais para nos dizer que a única coisa que importa são as pessoas. (Público, 28/10/98)

OBRAS DE JOSÉ CARDOSO PIRES

CONTOS

1949-Os Caminheiros e Outros Contos
1952-Histórias de Amor
1960-Cartilha do Marialva
1963-Jogos de Azar
1972-Dinossauro Excelentíssimo (fábula)
1979-O Burro-em-Pé
1988-A República dos Corvos

ROMANCES

1958-O Anjo Ancorado
1963-O Hóspede de Job
1968-O Delfim
1982-Balada da Praia dos Cães
1987-Alexandra Alpha

TEATRO

1960-O Render dos Heróis
1980-Corpo Delito na Sala de Espelhos

CRÓNICAS, ENSAIOS E OUTROS TEXTOS

1977-E Agora, José?
1994-A Cavalo no Diabo
1997-De Profundis-Valsa Lenta
1997-Lisboa, Livro de Bordo

PRÉMIOS RECEBIDOS

1963-Prémio Camilo Castelo Branco: O Hóspede de Job
1982-Grande Prémio de Romance e Novela da APE: A Balada da Praia dos Cães
1988-Prémio Especial da Associação de Críticos do Brasil:Alexandra Alpha
1991-Prémio Internacional União Latina
1997-Prémio Pessoa
1997-Prémio D.Dinis: De Profundis, Valsa Lenta
1998-Prémio Vida Literária da APE



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