Lágrimas de um pecado... |
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A notícia, só por si, é aterradora e desconcertante. Uma criança de tenra idade morreu ao abandono num apartamento de uma sociedade de consumo, do bem e da indiferença... Uma jovem mãe, que é levada pelos caminhos da tóxico-dependência , uma polícia, que quer demonstrar a sua autoridade e lei, familiares, que choram o pecado derramado, sem que antes se preocupassem em saber do bem estar de uma inocente, que não chegou a conhecer o mundo e a vida. Estas palavras não têm o propósito de encontrar as razões para o sucedido ou até mesmo de crucificar com dureza alguém, porque se alguém tem culpa, esse alguém é a indiferença de toda a sociedade que vive numa procura constante pelos valores da futilidade e da própria desgraça. Como em tudo, o cenário do protagonismo está presente; pessoas, que se preocupam mais em anunciar as suas opiniões ao mundo e assim, faz-se uma prova de força, para ver quem vai resolver, o que infelizmente não tem remédio. Uma comunidade, que comenta o que lhe disseram para comentar às portas da Igreja; as lágrimas de um pecado que talvez não lhe pertença. A exasperação leva a extremos e muitos esquecem-se dos seus próprios valores,( se é que ainda os têm), criando outro tipo de problemas, tais como um grande mau estar e animosidade contra a própria comunidade de acolhimento. A justiça, por vezes, é cruel e injusta. Muitos são os momentos que certos princípios de moralidade e de igualdade se colocam em causa. A justiça, muitas vezes, é ambígua e encobre os seus próprios defeitos sob uma capa de legalidade, simultaneamente absurda. Mas, se a vida é a fonte de esperança, essa, morreu abandonada num apartamento... Tudo se pode dizer e tudo se pode censurar. Uma criança sofreu as amarguras e desleixo por parte de quem a trouxe ao mundo com a sua própria vida, numa sociedade que não soube proteger e defender os direitos de quem era tão pequena e uma comunidade, que se preocupa em ser juiz sem causa própria... Onde é que está a justiça? Onde é que está o bom senso? Onde estão tantas outras coisas, que não vemos, mas que nos atormentam? Uma criança morreu, não continuou a ver a luz do dia, nem a luz da felicidade, nem o carinho, que deveria ter tido mas não teve... Aonde quer que tu estejas, pequena inocente, perdoa-lhes... porque eles não sabem o que fazem... Adelino Sá, Lucern, Suiça. Acrescentar como Favorito (360) | Refira este artigo no seu site | Visualizações: 2608
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