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Trazemos a mágoa índica
dentro de um coração atlântico!
Serpenteamos na vida
sempre em estado de alerta.
Ansiamos por ternura
mas deitamos tudo fora,
numa agressão sem sentido.
Sempre com as garras de fora!
Nossos corpos morenos
de ondulâncias tropicais,
empalidecem de saudades
da casa de nossos pais...
De ninguém somos, nada temos.
Somos aquela nação,
daqueles que ninguém quer.
Somos de flores e lágrimas,
sobre o ventre de uma mulher.
Vivemos na dureza antiga
de uma Europa sem irmãos.
Para nos esquecermos
procuramos dar as mãos.
Viajamos em Américas,
sem ver mais nada de novo,
tudo em agonia austrálica
em que se embriaga um povo.
Párias somos, sem raízes,
na ironia infelizes
de uma vida em "liberdade"...
Nós os desenraizados,
prisioneiros deste mundo,
queremos viver agora!
Uma hora num segundo,
um segundo numa hora!!!
Guida Vargas
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