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O CAVALEIRO DO REI ( I ). Gil Gonçalves

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O CAVALEIRO DO REI ( I ). Gil Gonçalves   CAPÍTULO IO CAVALEIRO EPOK   Ainda existem reinos, que por vontade própria regressam, vivem, revivem, convivem na Idade Média. Este é um desses reinos.   Reino Petrolífero, algures no Golfo da Guiné.  Para algumas almas, a Terra continuará plana e centro do Universo e com apenas seis mil anos de idade. São estas almas de nobreza quadrada, fugitivas do redondo, que conceberam um potente imã que atrai dela todas as riquezas. Protegidos por pretores que aniquilam as reivindicações dos servos da gleba, a escravidão há-de ser, é eterna, sempre se propaga.   Enquanto nos prédios dos baldes de águas purulentas, que voam na mais perfeita anormalidade, e se espalham, derramam no solo as epidemias da contemplação visual, do futuro abismal, normal. Arreda daqui, arreda dali, multidões esfomeadas revendem e furtam-se para sobreviverem. A eterna pandemia mundial, habitual, grassa-lhes como coelhos. Grassam também os aventureiros escolares Francisco Pizarro, Hernan Cortes, e Diego de Almagro, atraídos pelo brilho das pedras preciosas, e vapores petrolíferos.   O rei e a rainha desconcertaram-se do aconchego da corte celestial, rumando ao encontro dos seus súbditos no condado Jinhoka. Avançaram festejados mosqueteiros em trajes de gala, muito rendados, montados em cavalos bem aparelhados. Reluzentes, luzidios arreios trabalhados em prata, onde se destacam alguns ornamentados a oiro. Aperram-se os mosquetes, porque os súbditos desordenados teimam, desafiam o rei.A secreta real receia, que os insubmissos súbditos pretendam implantar os ideais republicanos da França e dos Estados Unidos da América. Os espiões reais têm fortes suspeitas que o revolucionário La Fayette, navegue várias naus em apoio dos Petrolíferos, que já tomaram pouso na democracia.  O casal real acaba de descer do luxuoso coche estilo D. João V. O soberano faz um leve gesto de cabeça, aproximam-se alguns liteireiros que repousam uma liteira doirada, onde a rainha acostará. Da praxe floreiam-se inúmeras vénias e beija-mãos dos inúmeros marqueses, condes, condessas, duques, duquesas, enfim, toda a nobreza.O rei avantaja-se para a plebe, que sente muita curiosidade, porque raramente o soberano aparece em público. Querem-no ver pessoalmente. A plebe constringiu-se a estar presente pelos zelosos mosqueteiros.A plebe confunde-se, não sabe se dar boas-vindas, há receios de qualquer gesto ficar incompreendido. Atrás, vários mosqueteiros picam-nos com as pontas das espadas. A plebe grita de dor. O rei entende que foi saudado e retribui. Os críticos afiam as línguas, murmuram:- Não foi muito elegante sua alteza inaugurar fontanários, e fazer entrega das chaves de alguns estábulos, a elementos escolhidos da plebe.- É… esqueceu-se dos cavalos, da água e das velas. A água continuará a vir do reino carregada por aguadeiros. A luz de vela é um luxo, e os protegidos do rei a ela têm acesso.
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