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Eu sou a cor do dia sem medida
que vai pela estrada azul de névoa cor
trazendo sobre os braços decaída
a febre da lembrança e uma flor


A cor que me descai é de manhã
e leva no olhar o pensamento
a esbracejar verduras e orvalho
a inventar o vento

A cor espelhando nuvens e searas
no oceano manso da lezíria
em ondas luminosas e claras
de papoilas perdidas

Tem cantos de ceifeiras cor de tempo
a espalhar pelos montes Catarina
ceifeira quando o campo era cinzento
na fome a esvoaçar sobre a colina.


Marília Gonçalves

 

 
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