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QUANDO O CONGO ERA UM REINO PARTE III

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17- PORTUGUESES PREFEREM O REINO DE N´GOLA
CONGO:ERROS... GUERRA... CAOS
DECADÊNCIA


A rápida decadência do reino explica-se por múltiplas causas: o escravismo, as lutas entre chefes, a guerra a que se entregaram a sul do reino os Portugueses e os Holandeses e sobretudo, desde 1648, o deslocamento do comércio internacional que se fixou em São Paulo de Luanda cujo porto oferecia aos navegadores excelente abrigo.
As motivações dessa decadência não impediram que, sob o impulso de Afonso, o Congo tivesse aberto suas fronteiras à cultura e à religião vindas da Europa, estabelecendo relações diplomáticas diretas com Portugal, Brasil, Países Baixos e Santa Sé aonde aquele monarca enviou , de 1504 a 1539, três embaixadas, provando, assim, a possibilidade de um Estado negro desempenhar um papel importante colaborando fraternalmente com o Ocidente.
Erros de governantes portugueses, lamentavelmente abalaram essa harmonia.
D.Afonso faleceu entre 1540 e 1541. A sucessão assumiu logo aspectos de luta dinástica. Por fim, seu neto D.Diogo conseguiu ser reconhecido por todos. Desprovido da forte personalidade do seu avô, inclinava-se para a sua atávica educação. Não lhe agradava plenamente a civilização européia. Não renunciou a esta, por nela haver passado grande parte da sua vida. Porém, faltava-lhe a virtude, o sentimento de dever...
O Congo era, nessa altura, freqüentado por muitos portugueses. Abundavam também os negros assimilados e havia ainda muitos mestiços. Todo este condicionalismo exigia uma prudente e judiciosa administração, porque aquele Estado africano era uma verdadeira nação em marcha. Convinha ampará-la, protegê-la, sendo necessário , ao mesmo tempo, que os seus monarcas compreendessem, com equilíbrio e boa vontade, os seus deveres. Ora, foi isto o que faltou a D.Diogo...
Entretanto, o coração da África tornou-se cenário de estranha agitação, quiçá gerada por fome, doenças, guerras...
Em 1558, a embala de El-Rei do Congo é atacada pelos AMBUNDOS. D.Diogo foge e refugia-se na "Ilha dos Cavalos", lá para o Norte, para a foz do rio Zaire. Após o seu falecimento, em 1561, trava-se nova luta dinástica e um dos pretendentes elimina o seu rival.
Tinha-se regressado, sem querer, aos costumes e às exigências da selva...
Os JAGAS entram por sua vez em ação e talam o reino do Congo durante 12 anos seguidos. O rei de Portugal, ouvindo o apelo do soberano conguês, envia-lhe Francisco de Gouveia com cerca de 500 soldados brancos. Em 1570, os invasores são expulsos. O rei do Congo declara-se "vassalo e tributário" do rei de Portugal.
Os Portugueses são depois atraídos para o sul, para Angola (N´GOLA) e nela fixam as suas atenções preferenciais. O Congo ( ou Kongo), muito superior ao reino do N´gola, entra agora na órbita da presença portuguesa em Angola, passa a simples satélite., A partir daí, a sua história confunde-se praticamente com a história "angolana".
Restara aos portugueses a consolação de haverem contribuído para a tentativa de uma nação angolana. Escreve a este respeito Albuquerque Felner in "ANGOLA":
"Tínhamos formado o esqueleto de uma nação que se estendia desde a foz do Zaire, pelo seu curso, muito para além de Brazzaville, pela costa para o norte até ao Cacongo e, para o sul até Benguela-a-Velha, senão mais além; para leste, pelo menos até aos limites do Sundi, nas montanhas de Cristal dos Panzelungos, nas montanhas do Sal e da Batta, nas montanhas do Salitre; e ainda mais para o sul e para leste, até aos reinos de Angola e da Matamba."

18- BELGAS (FLAMENGOS) NO CONGO


Ao longo de sua história, que teve tanto de gloriosa como de trágica, nota-se no Congo a presença de Belgas que não esperaram pela ação colonialista do Rei Leopoldo II, do reino da Bélgica, criado no século XIX conforme a partilha da Europa da "Santa Aliança" pós-napoleónica, feita na Conferência de Viena de Áustria de 1815...A Europa das Pátrias, dos nacionalismos, dos imperialismos coloniais estava nascendo...
Destacara-se, porém, muito antes disso, dentre os aventureiros vindos da Flandres, o comerciante Eustáquio de la Fosse que, desde 1480, traficava já com os Negros da costa da Guiné. Foi ele quem descreveu os Negros tal como os via: " Estes homens todos nus são boa gente que confia em nós."
As incursões audaciosas de traficantes como Eustáquio de la Fosse transformaram a cidade de Anvers, desde o século XVI, no mais importante mercado colonial do mundo. Os produtos provinham das costas ocidentais da África, via Lisboa, e eram desembarcados em quantidades cada vez mais consideráveis. Porém, enquanto famílias flamengas, que aos poucos foram sendo dizimadas pela malária (paludismo), iam se estabelecendo no Baixo-Congo, em Anvers se enriqueciam opulentos mercadores, Adrien Willems, filho de camponeses de Oevel, perto de Gheel, era ordenado padre, a 15 de Março de 1642, da Ordem dos Capuchinhos. Em 13 de Fevereiro de 1651, ele embarcou em Cadiz para o Reino do Congo, então em plena decadência...
Estabelecendo-se em São Salvador, desenvolvendo os contatos com os negros, Adrien Willems, que adotou o nome religioso de Georges de Gheel, redigiu ali o primeiro "Vocabulário latim-espanhol e conguês para uso dos missionários que se destinam às missões do reino do Congo". Feito este trabalho, o novo capuchinho- homem robusto, decidido e dotado de muita energia, adentrou o interior do Baixo-Congo onde foi recebido por sobas (chefes) que lhe ofereceram grelhados de porco, aves domésticas e frutos. Durante essa jornada de interiorização nas selvas conguesas, o jovem padre converteu oito calvinistas holandeses que se tinham refugiado nas cercanias de Luidi por ocasião da tomada de Luanda pelos brasileiros.
Muito metódico, Georges de Gheel escrevia todas as noites o seu diário. Graças a isso, foi possível saber que a missão de São Salvador lhe enviara, por emissários, barras de ferro que serviam de moeda de troca, barricas de vinho de missa e até couro para consertar as suas sandálias de infatigável caminheiro.
Em Novembro de 1652, o capuchinho chegou à vila de Ulolo constatando que os Negros dali veneravam fetiches, pelo que, imitando o exemplo do rei Afonso, tentou obrigá-los a jogarem essas estatuetas no fogo. Mas, mal ele havia posto a mão nelas, uma saraivada de pedras se abateu sobre o seu corpo, ferindo-o de morte. Outros Negros acorreram para protegê-lo. Muito tarde: o missionário sucumbiu nos braços dos seus defensores. Foi este o primeiro mártir belga da África. Eustáquio de la Fosse fora seu primeiro comerciante. Alguns anos depois, outros capuchinhos evangelizaram a população de Ulolo.
Contudo, terríveis guerras iriam afligir as etnias do Baixo-Congo.
Em 1667 restavam apenas seis padres em São Salvador. Em 1668 já não havia nenhum e em 1693, o Bispo de Luanda escrevia para Roma o seguinte:

"São Salvador tornou-se um covil de animais selvagens."

Todavia, a recordação do prestigioso Afonso, rei do Congo, continuava viva , mesmo na Europa. Em 27 de Agosto de 1754, por ocasião da distribuição de prémios do Colégio dos Jesuitas em Dinan, na Bélgica, assistiu-se a uma representação teatral da tragédia do reino do Congo abrilhantada por dois orfeões e cinco baletts. Intitularam-na:
"A coroação de Afonso do Congo" mostrando "esse Rei que sucedeu gloriosamente a seu pai nos seus Estados."

19- O FIM DAS RELAÇÕES AMISTOSAS ...LUSO-CONGUESAS E 300 ANOS DEPOIS ...A VINGANÇA
O COROLÁRIO E TRÊS OBSERVAÇÕES...


Com a Batalha de Ambuíla, culminou a decadência do reino do Congo. Mas, 300 anos decorridos sobre ela, a 15 de Março de 1961, foram os Bakongos, as gentes do CONGO do antigo reino do Manisonho, quem, guiado pelo movimento denominado UPNA - UNIÃO DAS POPULAÇÕES DO NORTE DE ANGOLA - mais tarde, num projeto mais ambicioso inspirado por Nkrumah do Ghana ao seu presidente e fundador, de religião protestante, Holden Roberto, Roberto Holden ou José Gilmore (em seus passaportes usava estes três nomes), UPA - UNIÃO DAS POPULAÇÕES DE ANGOLA- e depois, coligado com pequenos "partidos", improvisados e inexpressivos, FNLA - FRENTE NACIONAL DE LIBERTAÇÃO DE ANGOLA - atacou feroz e sanguinariamente fazendas de café e povoações em todo o norte de Angola. Em apenas três dias chacinaram cerca de 1800 Portugueses brancos ( incluindo mulheres e crianças de tenra idade) depois de torturarem e mutilarem muitos deles, e 8.000 trabalhadores BAILUNDOS (contratados nas regiões a sul do rio Cuanza ou KUANZA como se escreve hoje), também se incluindo nesse número mulheres e crianças, etnia, essa, odiada pelos BAKONGOS, MUSSURONGOS e MUXIKONGOS, que de longa data, desde a decadência do extinto reino do Congo, mal escondiam dos brancos o ódio que lhes votavam e a sua hostilidade... Daí a preferência dos fazendeiros brancos pelos trabalhadores do sul, Bailundos, mais produtivos e submissos...
Convém aqui, fazer três breves observações:
a- Na década de 50 surgiram no norte de Angola vários pequenos movimentos ditos "subversivos" (pela polícia política portuguesa que só então foi organizada em Luanda, com uma estrutura incipiente e ineficaz), em número talvez de uma dezena, de que, além da UPNA na vizinha colônia do Congo Belga, se destacavam o NTOBAKO e o NGWIZACO. Aos poucos, seus militantes foram sendo absorvidos pelos movimentos majoritários e/ou...pela PIDE portuguesa. Em Cabinda, reino ou principado vassalo do MANISONHO, surgiu a FLEC (Frente de Libertação do Enclave de Cabinda) que atualmente ainda combate ali visando a recuperação da sua independência, desrespeitada pelos Portugueses depois de terem firmado o Tratado de Simulambuco com os Boma Zanei Nvimba daquele país negro. Uma fação da FLEC, a RENOVADA, mantém guerrilhas combatendo ali até hoje.
b- A seita IGREJA DE NOSSO SENHOR JESÚS CRISTO EM ÁFRICA, TOCOISTA, fundada por Simão Gonçalves Toco, a qual chegou a ter em Angola, à data da "Revolução dos Cravos... Vermelhos", 100.000 prosélitos, do Congo até Benguela ( e mesmo brancos, em Setúbal, Portugal, e no Brasil) foi, em 1961 e durante alguns anos, injustamente acusada pela PIDE (polícia política portuguesa) e pelas autoridades do quadro administrativo, de ser também um movimento "terrorista", aliado da UPNA/UPA, talvez porque o seu fundador era de etnia do Congo e se dizia que estava relacionado com parentes de Holden Roberto. O Tenente-Coronel Piloto Aviador Henrique Medina, um militar íntegro e inteligente, mestiço caboverdiano, que foi Diretor da Divisão de Transportes Aéreos de Angola (DTA), Deputado à Assembléia Nacional Portuguesa e Presidente da Comissão de Província da União Nacional de Angola (salazarista) tendo sido destituído, em 1964, deste cargo de alta confiança do governo central, por serem consideradas "suspeitas" e "inconvenientes" suas ligações com a supra citada "seita sincrética", defendeu-a abertamente tal como, mais tarde, em 1974, o faria também o autor destas linhas.
A marginalização dos tocoístas, pacifistas, ordeiros e construtivos, foi um erro crasso e estúpido da PIDE, do ministro das Colônias de Portugal Silva Cunha (um incompetente tirano, mau grado sua modesta origem social) e, mais tarde, da Junta de Salvação Nacional/MFA. Teriam sido extremamente úteis - e seu grande conselho de 17 anciãos (de que participavam vários jovens), julgando que ainda tínhamos alguma influência política, procurou-nos, em meados de 1974, na nossa residência, no Bairro Prenda, no centro de uma dos maiores e mais perigosos musseques (favela) de Luanda, onde o governador geral Silvério Marques insistira para que fossem construido os edifícios de apartamentos para altos funcionários, da Junta Provincial de Habitação de Angola, assim se demonstrando a inexistência de preconceitos, racial e social. Manifestaram-nos o seu desejo de colaborarem no processo de descolonização, queriam ir ao Alto Comissariado oferecerem-se voluntariamente a participar nos esforços de paz, como activistas positivos junto das populações negras, em todo o país, a fim de se evitar derramamento de sangue e o êxodo dos leucodermes...Mas não fomos, nem nós nem o grande conselho dos Anciãos daquela Igreja tão importante, recebidos pelo ministro da Coordenação Inter-Territorial nomeado pela JSN, Dr.Antônio de Almeida Santos, quando este se deslocou a Luanda, no primeiro semestre daquele ano, ficando logo à chegada acolitado, no seu gabinete de trabalho, no Palácio do Alto Comissariado, pelo ardiloso e capcioso chefe de gabinete do Almirante Vermelho, o nosso colega de curso Dr.Álvaro da Silva Franco, euro-africano benguelense, funcionário do quadro administrativo de Angola, ex-secretário do Governador do Distrito da Lunda Major Soares Carneiro e depois chefe de gabinete deste, quando o mesmo ascendeu a Secretário Geral: como veio a declarar mais tarde esse dúplice funcionário, era na verdade um "agente inimigo" infiltrado na alta administração colonial (e não era o único, porque até os havia Secretários Provinciais, negros ou mulatos angolanos - o que não era o caso do Dr.Pinheiro da Silva- como AA, que tem um irmão embaixador do governo do MPLA, depois guindado a ministro em Portugal e a presidente da mais importante instituição bancária desse país). Gozava da confiança do Major Carneiro e por ele transitavam documentos classifiocados (secretos, confidenciais, reservados) da Inteligência portuguesa. Fora, desde sempre, militante ativo, "underground special secret agent", do MPLA - Movimento Popular de Libertação de Angola, "puppie" comunista pró-soviético, agência de Moscou em África!!!. Desse erro também de Almeida Santos (que admitimos tenha sido enganado pelo seu direto colaborador) resultaria a grande evasão de colonos e de naturais brancos, mestiços e até de negros que optaram pela nacionalidade portuguesa, alegando ancestralidade européia e repudiando a nacionalidade angolana, devido à baderna e desrespeito pelos Direitos do Homem que, com os três movimentos em Luanda, logo se implantaram no território de administração mais tarde exclusivamente mplaísta por vontade, não declarada mas evidenciada por atitudes e fatos, da chamada Junta de Salvação Nacional onde o Partido Comunista Português, estalinista, pontificava.
c- Nas regiões setentrionais angolanas, terras dos bakongos e dos subgrupos etnolinguísticos afins ( em "Angola" falam-se muitas dezenas de dialetos diferentes embora, conforme os casos, cada um deles se integre num dos grandes grupos etnolinguísticos ali existentes), durante a guerra colonial não se registravam nascimentos de mestiços...De notar que, nesses quase 14 anos anos de guerra, estacionaram ali muitas dezenas de milhar de soldados portugueses, ditos "brancos", que mantinham conúbios ou relações sexuais com mulheres nativas. Isto não aconteceu nas demais regiões angolanas, sendo demonstração inequívoca da ojeriza que os bakongos e seus afins, nutriam pelos portugueses europeus...O aborto era a solução, a lei tribal subrepticiamente adotada e aplicada com severidade.


20- NOS DIAS SEGUINTES AO MASSACRE...


Nos dias seguintes a esse horrendo massacre, iniciado a 15 de Março de 1961, em que houve vilas mártires como a de Úcua e 31 de Janeiro e redutos rebeldes inexpugnáveis e traiçoeiros como Nambuangongo, a mídia internacional ocupou sua primeira página com grandes parangonas alusivas aos graves acontecimentos que estavam se desenvolvendo na região setentrional angolana.
Indubitavelmente, nessa fase houve revezes militares penosos, sofridos pelo exército português. Salazar às pressas ordenou, com um certo atraso na execução de suas determinações (porque estava sendo boicotado, encapotadamwente, pelos seus ministros da área militar, os quais intentaram, pouco depois, em Abril, um pronunciamento militar, como já referimos noutro artigo da ECMNÉSIA HISTÓRICA COLONIAL), o envio de contingentes do exército. No Batalhão de Caçadores Nº5, em Lisboa, assistimos ao desfile de uma companhia que foi aerotransportada para Angola e logo enviada à região do antigo reino do Congo onde o seu comandante, inexperiente, caíu numa emboscada da UPA em que a subunidade foi massacrada impiedosamente... Debelada a tentativa de golpe militar o padre-ditador ordenou a mobilização e sua determinação rendeu-lhe a simpatia geral, até de velhos opositores ideológicos (como o nosso progenitor... Mestre da Maçonaria Portuguesa- Grande Oriente Lusitano Unido, desde 1921, e coronel-médico, natural de Pangim, GOA) da população européia de Angola. Ali, em manifestações públicas, o nome do até então odiado ditador foi aclamado. A população branca e numerosos negros fiéis a Portugal insistiam pela sua deslocação aquela colônia, a fim de o homenagearem. Mas, raposa experiente e prudente, ele sempre se esquivou, prometendo ir mais tarde quando tudo se normalizasse... o que nunca aconteceu, embora, militarmente, a guerra colonial em Angola, ao ocorrer a "revolução dos cravos vermelhos", estivesse iniludivelmente ganha pelas tropas portuguesas, devido, diga-se em abono da verdade, ao cansaço e desânimo dos "combatentes da libertação" que não enxergavam horizonte de vitória. Descortinavam já, isto sim, um progresso econômico-social promissor e inequívoco, de que também eles almejavam beneficiar preferindo à luta armada, uma solução pacífica com que já o poder político luso acenava em iniciativas liberalizantes que vinha assumindo, realizado pelos governantes locais portugueses e angolanos (que vinham substituíndo gradativamente aqueles durante o governo de Marcelo Caetano) Mas, voltemos à onda sanguinolenta pós-15 de Março de 1961, para entendermos melhor os fatos subseqüentes:
Luanda, a capital, corria o risco de ser invadida por essas hordas sedentas de sangue, drogadas com liamba (maconha) e armadas, sobretudo, com canhangulos (fuzis de fabrico doméstico), catanas e facões, embora não faltassem também armas modernas... de proveniência norte-americana!
As autoridades portuguesas aparentemente haviam sido apanhadas de surpresa. Não dispunham de contingentes militares em número suficiente para enfrentarem a vaga terrorista.
A população de Luanda e das diversas regiões do país, vivia dias de pânico: indefesa e à mercê da ferocidade dos atacantes que, segundo afirmavam os Portugueses, haviam se concentrado, inicialmente, em missões evangélicas americanas, canadenses, holandesas, irlandesas e britânicas, ao longo da fronteira, na República Democrática do Congo e mesmo no interior dos distritos de Uije e de Zaire, antigo Baixo-Congo, partindo dali as colunas atacantes...Holden Roberto, porém, tentou suavizar a sua imagem de responsável pelos crimes inomináveis que foram praticados contra civis indefesos {onde não faltaram atos de antropofagia cujas vítimas eram crianças de tenra idade, européias e negras barbaramente sacrificadas e esquartejadas, em pedaços que foram colocados como salmoura, em barricas, e crucificações de mulheres e moças brancas, mestiças e negras da etnia sulista bailundo depois de estupradas de forma coletiva e animalesca, por "guerrilheiros" do ELNA}, fatos esses irrefutáveis, pois, traduzidos em imagens colhidas, nos lugares atacados, por reportagens nacionais e estrangeiras, deram azo a uma horripilante mostra fotográfica, promovida nos salões do Secretariado Nacional da Informação, Cultura Popular e Turismo de Lisboa, pelas autoridades Portuguesas}.
O líder da UPA/FNLA numa conferência de imprensa que deu, no seu quartel-general em Kinshasa (antiga Leopoldville), declarou, descaradamente, que a rebelião eclodira com aquela violência devido a um "incidente" trabalhista na Fazenda Caféeira PRIMAVERA, no distrito do Uije. Isso ocorrera na manhã de 15 de Março de 1961, entre um capataz branco e trabalhadores rurais congueses, suscitando a propagação de uma onda avassaladora de atos violentos... Essa versão era inconsistente. Os ataques foram simultâneos, todos à mesma hora da manhã, pouco depois das 08 horas, em fazendas que, nalguns casos, distavam mais de uma centena de quilômetros entre si! Coube ao autor destas linhas, então funcionário responsável pelo serviço de imprensa e radiodifusão nacional e estrangeira do Gabinete dos Negócios Políticos do Ministério do Ultramar, a tarefa de estudar as informações recebidas, via telex, de Angola, iluminando com elas uma carta geográfica da região norte de Angola. Medidas as distâncias entre os lugares atacados e comparados os dias e horas dos assaltos, foi desenhado um "overlayout" e elaborado um texto, para ser distribuído aos órgãos da comunicação social, desmentindo a falsa versão da origem da rebelião num incidente havido na já mencionada propriedade caféeira. Esse texto foi objeto de publicação em Portugal e no estrangeiro, alcançando grande repercussão. Mas, para os "terroristas" bakongos (denominação que as autoridades Portuguesas logo começaram a utilizar, para definir as "guerrilhas" da UPNA/UPA tratadas por Holden como ELNA- Exército Nacional de Libertação de Angola-), aquilo era o reinício das hostilidades interrompidas três séculos antes, a desforra da derrota sofrida em AMBUÍLA...

Carlos Mário Alexandrino da Silva
 
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