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QUANDO O CONGO ERA UM REINO PARTE IV

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21- UM BUROCRATA ENGRAVATADO, MESES ANTES DO "15 DE MARÇO": "ARQUIVE-SE". E AMBUÍLA FOI VINGADA...
Ao contrário do que se tem propalado, os Portugueses não deviam ter sido apanhados de surpresa, porque: meses antes, haviam sido alertados, em carta enviada de Roma, na Itália, e dirigida ao presidente do conselho de ministros Dr. Antônio de Oliveira Salazar, por um exilado político comunista, PORTUGUÊS, que escrevia sem nada pedir e não se identificando. Tinha participado, em Túnis, capital da Tunísia, como observador, numa reunião da CONCP (Conferência das Organizações Nacionalistas das Colônias Portuguesas) em que teria sido apresentado, por emancipalistas angolanos, a elementos da Oposição Portuguesa na diáspora, um tenebroso plano de ataque no norte de Angola, a ocorrer em Abril de 1961, em que iriam ser vítimas inocentes civis, o que lhe repugnava como patriota. Daí, a denúncia que fazia, em nome da sua consciência de Português, indicando, detalhadamente, os locais de concentração dos grupos atacantes e os objetivos que seriam atacados.
O despacho daquele estadista foi: "Ao GNP. Oliv.Salazar", em Julho de 1960. Portanto, com grande antecedência em relação à data prevista para os trágicos acontecimentos a que se referia o seu autor.
Essa carta foi despachada, para estudo, processamento e elaboração de informação, sendo entregue pelo chefe de repartição ao autor destas linhas que, oficial do exército na ativa durante mais de uma dezena de anos e comandante de uma companhia de infantaria africana na China (Ilha de Coloane- Macau) até data então fresca, elaborou um overlayout (transparência sobreposta) sobre uma carta geográfica de Angola e países adjacentes. Utilizando lápis dermatográfico, desenhamos círculos a cores e iluminamos com legendas explicativas, baseadas naquela denúncia, na carta geográfica que [por não haver uma atualizada (Ó, vergonha nossa!) no Ministério do Ultramar] fora cedida (as dos ianques estavam em dia, graças aos seus aviões-espiões) pelo... adido militar e aeronáutico à embaixada dos EUA em Lisboa, assinalando todos os toponímicos referidos, em sua detalhada missiva, pelo denunciante, alguns dos quais não constavam na carta geográfica portuguesa, da década de 30, que inicialmente nos fora entregue para elaboração do trabalho e da qual reclamamos, solicitando outra mais atualizada que...não havia, pelo que recorreram ao referido diplomata americano sem lhe revelar os propósitos de tal pedido, como é óbvio.. O plano antolhou-se-nos verossímil e por isso o defendemos (em "intelligence" qualquer informação é verdadeira enquanto não se provar o contrário...), num Apontamento que redigimos e que foi datilografado por Maria de Lurdes Guerra Ferreira, para despacho superior do Diretor do GNP, Dr. João da Costa Freitas,[ diplomado pela Escola Superior Colonial e Inspetor Superior de Administração Ultramarina (embora sua experiência colonial se tivesse limitado a uma rápida passagem, no início da sua carreira de funcionário público ultramarino, pela colônia de Timor, como chefe de posto administrativo, donde, por ter um tio, coronel Neves de Fontoura, que atingira altas funções no Ministério das Colônias e chegou a Ministro fazendo do sobrinho seu Chefe de Gabinete, o que lhe garantiu uma escalada rápida nas promoções, fez no Ministério das Colónias em Lisboa, uma brilhante carreira "ultramarina" sendo fulgurantemente promovido a inspetor superior e diretor geral; naquele ministério, esse não era caso único, porquanto estava pejado de indivíduos que atingiram os mais altos cargos da Administração Pública Ultramarina, Inspetores sem terem servido nos territórios coloniais. Este esclarecimento é essencial à compreensão do por quê dos dislates de que se ressentiam a política e a administração coloniais, em mãos de quadros superiores (!) que informavam sobre assuntos que ignoravam ou mal conheciam... donde as acusações do Deputado Henrique Galvão, capitão e inspetor superior de administração ultramarina, em 1947, que irritaram o Salazar e transformaram aquele num presidiário e depois num evadido e num guerrilheiro, comandante do assalto e sequestro ao paquete Santa Maria, em pleno oceâno Atlântico. Henrique Galvão, acabou seus dias pobre, exilado no Brasil, no Estado de São Paulo, não nos constando que haja sido recompensado postumamente com a dignidade de..."marechal-de-campo" como outros, menos corajosos e ousados, o foram!!!]
Nosso parecer foi o de que devia ser urgentemente transcrita ao Governo-Geral de Angola, a dita carta. Não concordou o Diretor Costa Freitas [que pouco depois chegou a Subsecretário de Estado, ao tempo do Ministro Dr.Adriano Moreira, seu amigo], despachando um seco: "ARQUIVE-SE". E assim se fez... Magister dixit!
A data de "15 de Março" escolhida pela UPA para o desencadeamento da sublevação no norte de Angola, resultou da necessidade, imprevista, de antecipação (a carta do comunista anônimo falava em Abril) conseqüente do fato de um embrionário movimento clandestino, ainda inexpressivo e sem aceitação da massa negra, constituído por alguns brancos, "mulatos" e negros de Luanda (mas em número muito reduzido), encabeçado pelos irmãos Pinto de Andrade, um dos quais, Joaquim, sacerdote da Igreja Catôlica, era o presidente. Esse agrupamento "subversivo" porque clandestino, mais tarde tornar-se-ia conhecido pela sigla MPLA - Movimento Popular de Libertação de Angola-. Todavia, naquele tempo não lograra implantação nos musseques (favelas) e nas populações rurais. Ao corrente também (participava da CONCP), do plano da UPNA/UPA, ousou lançar-se de surpresa, numa ação isolada, tipo "relâmpago", de curta duração, atacando, em 4 de Fevereiro de 1961, uma prisão de Luanda, no musseque, e matando alguns policiais portugueses. Desse incipiente e mal organizado movimento, que era encabeçado por "mulatos" (perdoem-nos a expressão depreciativa a que preferimos euro-africanos, à maneira do governador geral Silvino Silvério Marques) faziam parte elementos ligados à Liga Nacional Africana e à ANANGOLA - Associação dos Naturais de Angola, de que fizemos parte, velhas coletividades de naturais, a primeira das quais reservada somente a negros autênticos. Foram devassadas pela PIDE e colocadas sob intervenção administrativa, governamental, com gestores nomeados... O MPLA, até então desconhecido e que iniciara sua existência nos idos da década de 50 como PCA-Partido Comunista Angolano, chamara assim a si, com prioridade sobre a UPA, as atenções da opinião pública internacional.
Recebidos por telex os primeiros comunicados sobre os terríveis acontecimentos no norte de Angola, apressamo-nos, com os nossos colegas Drª Maria Manuela Monteiro, licenciada em História e 2ª Oficial, e Carlos Eduardo Serras Correia Machado, angolano branco (mais tarde responsável pelo setor de segurança da Companhia de Diamantes de Angola, da De Beers), a ir aos arquivos secretos desencantar a tal carta-denúncia que fora arquivada por não ser digna de crédito na opinião soberana do Diretor. Confrontamo-la com os relatos que nos haviam chegado de Angola, constatando que tudo correspondia, até nos toponímicos, ao supra citado plano tenebroso! O denunciante seria comunista, sim, mas como não solicitara nada nem se identificara não era oportunista nem corrupto e, por outro lado, acima de tudo, revelara ser muito humano e, indiscutivelmente, um PORTUGUÊS amante do seu povo. Continuamos ignorando a sua identidade (se ele revelasse ser o autor dessa denúncia, por certo que o "aparelho" do "Partido" se encarregaria, à moda estalinista, de eliminá-lo com um tiro na NUCA...) MAS ANTES DA NOSSA MORTE QUEREMOS PRESTAR-LHE, AQUI, NOSSO PREITO DE SINCERA ADMIRAÇÃO, RESPEITO E HOMENAGEM! Tudo conferia, tudo conferia e aquele homem, o nosso Diretor, como iria ele reagir? Procuramo-lo no seu gabinete, os três, levando-lhe os comunicados do GG de Angola e a carta do comunista, com o despacho... "ARQUIVE-SE.". Uma leitura rápida, o lábio superior tremendo um pouco, de embaraço certamente, seguindo-se um simples encolher de ombros, ao mesmo tempo que, erguendo a destra que ostentava no anelar o seu anel de ouro brasonado, com aquela elegância enfática que lhe era peculiar limitou-se a exarar novo despacho no documento origem de tudo, determinando-nos : "Transcreva simplesmente ao Governo Geral de Angola essa informação chegada ao GNP, não aludindo à data da mesma." E assim se fez... Pouco depois, o "ilustre" Diretor foi nomeado, à ilharga do novo ministro do Ultramar Prof. Dr.Adriano Alves Moreira, Diretor do ISEU/UTL, mais tarde ISCSP/UTL, Subsecretário de Estado da Administração Ultramarina e Professor do Instituto Superior de Estudos Ultramarinos, embora não tivesse nenhuma pós-graduação... Porém, na verdade, confessamo-lo agora e aqui, não tínhamos guardado "segredo", meses antes, quando ele mandara arquivar a dita carta... Nós violamos as normas de segurança, revoltados com a insensatez do despacho. Subreptìciamente óbtivemos uma fotocópia da carta e entregamo-la, com um apelo de providências imediatas, ao Dr. Carlos Cecílio Nunes Góis Mota, ao tempo homem da confiança de Salazar e comandante do Batalhão Legionário de Infantaria nº 1 e depois Secretário Geral, da Legião Portuguesa, que era, também, advogado e Diretor Geral do Crédito Público do Ministério das Finanças. É de admitir que a tenha levado ao conhecimento, novamente, de Salazar que provavelmente pensou como Costa Freitas e não ligou nenhuma ao apelo de um modesto funcionário do GNP. É natural que tenha alertado o titular da pasta do Ultramar para que vigiassem um insignificante funcionário do GNP que não guardara segredo de algo com que esse não concordara... O certo é que, no GNP, a partir dessa altura, congelaram-nos no departamento de imprensa e radiodifusão e o próprio chefe da repartição, hoje nosso amigo e colega, Prof. Doutor João Baptista Nunes Pereira Neto, Reitor da Universidade Internacional, de Lisboa, cobria sempre com um papel ou objeto, o que se notava visivelmente, qualquer documento secreto sobre Angola que tivesse na sua secretária, quando o abordávamos. Por outro lado, uma jovem e inexperiente 3ª oficial vira-nos obter a fotocópia que entregamos ao Dr. Góis Mota e decerto também deu a dica... Esse ato imprudente e temerário, irrefletido, ia-nos custando a carreira. Foramos motivados por sentimentos filantrópicos e não porque estivéssemos ao serviço de qualquer partido ou organização de espionagem nacional ou estrangeira. Aqueles "civis" afiguravam-se-nos pouco esclarecidos, inexperientes em assuntos de "operações militares"... inspirando-nos, por isso, um certo sentimento de menosprezo.
Noutra oportunidade abordaremoos estes e outros assuntos. que caracterizavam a administração pública ao tempo do ESTADO NOVO e que muito contribuíram para o seu fracasso em matéria de política colonial (sempre desviada das realidades).

22 - O MOVIMENTO UPNA/UPA/FNLA, OS BAKONGOS... O SONHO DE ESTAURAÇÃO DO REINO DO CONGO... A CIA, O ACOA E A PRESENÇA SILENCIOSA DA LHANEZA DOS PORTUGUESES NOS SEUS ÚLTIMOS DIAS, ANTE-"REVOLUÇÃO DOS CRAVOS", EM ANGOLA



Esse movimento emancipalista UPNA/UPA/FNLA foi criado e organizado na década de 50, no Congo Belga, em Leopoldville (a Kinshasa dos nossos dias).
O seu líder, mais conhecido por Holden Roberto, diz-se descendente da antiga dinastia reinante do CONGO, Casa Real de ÁGUA ROSADA; ainda vivo, embora idoso, continua encabeçando a FNLA, que está em Luanda. Filho de um catequista evangélico do distrito do Zaire, transferiu-se com a família daquela região, quando era ainda criança, para o Congo Belga onde foi educado, mal falando, nos primeiros anos da sua atividade política, a língua portuguesa, a que preferia a língua kikongo, o francês e o inglês. Sua filiação religiosa e ligações com confissões protestantes norte-americanas, sempre foram notórias. Assim se explica que mais tarde, já adulto e adentrado em ambiciosos sonhos monárquicos, a nova política norte-americana para a África, com John F. Kennedy na CASA BRANCA, no dealbar dos anos 60, a CIA dos EUA e o American Committee on Africa, presidido por Eleanora Roosevelt, viúva do falecido presidente norte-americano, tenham tirado partido dessas afinidades, aproveitando-as para apadrinharem "generosamente" - à moda do UNCLE SAM...- em relação a Angola, o seu próprio "brinquedinho" cunhado de "movimento nacionalista", aproximando-se assim daquele Negro que se dizia descendente dos Reis do Congo. O ACOA, além de (sózinho?...) financiar as suas atividades paramilitares, "diplomáticas" e propagandísticas, também lhe fornecia armamentos, fazendo-o, indirectamente, através do Egito, da Tunísia, da Argélia ( de Ben-Bella...) e do Sudão. Financiavam a UPNA/UPA com milhões de dólares, muitos milhões de dólares como agora o fazem a outros, aqueles que, sendo Estados democráticos ocidentais, cobiçam as riquezas de Angola, em termos de petrodólares, diamantes e muitas coisas mais... "leit motiv" da guerra intestina de Angola, utilizando aqueles a ONU como plataforma jus internacionalista para camuflar as suas verdadeiras intenções neo-imperialistas "econômicas".
Holden Roberto, que inicialmente, ao fundar a UPNA... -pretendia reconstituir o Reino do Congo fazendo-se proclamar Rei, foi, no entanto, dissuadido desse propósito pelo Dr.Kwame Nkrumah, em 1958, sob a alegação de que não havia mais lugar, no continente africano, para monarquias e que ele devia pensar, isso sim, em libertar Angola de norte a sul e não apenas o Norte. Era o presidente Nkrumah um autêntico ditador que proclamava um socialismo africano ao seu jeito e que eliminou fisicamente todos os seus adversários políticos. Muito "modesto", erigiu ele, em Accra, um imponente monumento a si próprio com uma legenda no pedestal, sob a sua estátua, que o dava como "salvador"e "redentor" da África, etc., etc. Preocupado com o bem-estar do seu povo, que sofria privações e uma feroz opressão, dormia em leito feito de ouro... Embora não o dissesse, na verdade pretendia com seu Pan-Africanismo fazer-se eleger Presidente da África, reunindo toda a região ao sul do Saara numa HIPER-FEDERAÇÃO, que teria a capital em Accra, no GHANA (antiga GOLD COAST dos colonialistas britânicos).
Talvez tivesse sido melhor o ditador do Ghana ter deixado Holden alimentar seus sonhos de restauração da monarquia Conguesa que certamente, se respeitados seus longevos limites se estenderia ao norte até ao Congo-Brazzavile, que nela teria de ser incorporado, e ao Alto-Congo do ex-Congo Belga e a sul até ao curso fluvial a norte de Luanda e a ilha do mesmo nome... Para a CASA BRANCA isso traria vantagens, pois é nesse imenso retângulo geográfico que se encontram as mais ricas ocorrências minerais e, em particular, o cobiçado petróleo cujas reservas mundiais estão em vias de exaustão...
Em 1973, quando era Governador-Geral de Angola o engº agrônomo Fernando Santos e Castro e Secretário-Geral o então major, hoje general ( promovido pelos revolucionários dos ..."cravos vermelhos", apesar de ter sido, no exercício daquele alto cargo, um dos mais persistentes impulsionadores do movimento que organizou na cidade do Porto, em Portugal, uma reunião de oficiais que se situavam aparentemente à direita e pugnavam pela manutenção do espaço pluricontinental ultramarino), Antônio Soares Carneiro, sendo nós "par" da Assembléia Legislativa do Estado Português de Angola, solicitou-nos ampla cobertura àquele nosso ex-colega e ex-vice-presidente da Casa dos Estudantes de Angola, depois Casa dos Estudantes do Império, em Lisboa: foi-nos pedido, pelo referido Secretário Geral de Angola, para, em nome do primeiro magistrado do Estado Português de Angola, convidarmos a compareceram na sessão inaugural de abertura de trabalhos daquele órgão do Poder Legislativo, embrião da futura Assembléia da República, todos os notáveis, negros, residentes em Luanda, das famílias nobres e tradicionais africanas... em especial os descendentes da CASA REAL ÁGUA ROSADA, do Congo, e os descendentes dos príncipes de Cabinda e da casa governante do Reino do N´gola. Olvidadas, porque no passado, as origens e nobiliarquias dessas famílias, foi tarefa deveras árdua, mas de que conseguimos desempenhar-nos com eficácia, a de proceder ao levantamento exaustivo de seus nomes e endereços, localizando-os a todos e abordando um por um, para o efeito supra referido, para o que nos foi dada frutuosa e muito válida cooperação pelo nosso amigo e ex-Prefeito (e, portanto, também ex-Presidente da Câmara Municipal de Luanda) Dr. Fernando de Sá Viana Rebelo, Deputado da Nação (Portuguesa), figura de grande prestígio político e muito estimada pelos angolanos, que tinha na Liga Nacional Africana grande influência, pelo que nos enviou para colaborar diretamente conosco nessa espinhosa empreitada política o sr. Jerônimo Xavier Belo, funcionário aposentado, Negro, membro de uma tradicional família de Luanda. A seu tempo, voltaremos a referirmo-nos a essa grande figura de político, fruto da miscigenação de timorense, caboverdiano e lusitano, de saudosa memória e que faleceu em São Paulo, onde residia, na diáspora, há 10 anos atrás. Nenhum recusou o convite. Sentiram-se honrados, velhos e jovens, correspondendo com fidalguia ao nosso difícil "approach". Um desses ilustres personagens, um príncipe da já citada CASA REAL DE ÁGUA ROSADA, era tipógrafo na Imprensa Nacional de Angola... O correspondente a um tal Dom Duarte Pius de Bragança, Duque de Bragança, que conhecemos em Angola como alferes miliciano da Base Aérea do Negage de que era comandante o nosso amigo e colega piloto-aviador Brigadeiro Armando Correia Mera, ex-diretor da REVISTA DO AR de que fomos assíduo colaborador na nossa juventude, o qual se me queixou de que sua alteza real lhe quebrara na aterrissagem dois helicópteros sendo péssimo piloto motivo por que o colocara a conferir parafusos e porcas, materiais diversos, no almoxarifado daquela unidade da Força Aérea Portuguesa onde ele se comportava, aliás, com muita modéstia sendo estimado pelo pessoal..
No governo do Alto Comissário da República Democrática Portuguesa em Angola, um regime de linha socialista, General Luís Norton de Mattos {que em 1912 fundou, no Planalto Central do Huambo, centro geográfico do território (sonho estratégico idêntico ao de Juscelino K. de Oliveira em relação à construção da capital brasileira em BRASÍLIA), a Cidade de Nova Lisboa, a partir de então capital oficial da Colônia de Angola (de jure, mas nunca o foi de facto, pois o governo e os suportes dos órgãos dos Três Poderes e da Alta Administração mantiveram-se em Luanda até ao última dia da soberania lusitana, sem que alguma vez aquela lei houvesse sido cumprida e revogada)}, tanto nos anos 10 como no segundo mandato dele, nos anos 20, os Negros notáveis, de linhagem nobre ou de famílias tradicionais, e suas famílias, sempre foram convidados de honra para as recepções no Palácio do Alto Comissariado e para os atos e solenidades oficiais.
Trouxemos conosco, para o Brasil, em 10 de Fevereiro de 1997, a lista manuscrita, por nós elaborada depois de aturada pesquisa, contendo os nomes e endereços das personalidades que, em nome do Governador Geral, convidamos para essa memorável sessão inaugural. Tais individualidades, lotaram as cadeiras reservadas aos convidados oficiais.
Grata recordação histórica que, mesmo no fim da vida, custoso será termos de destruir ou jogar fora, por não mais ter utilidade...Viajou conosco de Angola para Portugal, em 20 de Janeiro de 1975, esse papel velho, amarelecido, rabiscado e algo amarrotado, mas que faz parte da HISTÓRIA DA PRESENÇA SILENCIOSA PORTUGUESA EM ANGOLA que ainda ninguém até hoje se afoitou a pesquisar e escrever. A HISTÓRIA QUE NÃO CONSTA NOS MANUAIS DE HISTÓRIA PARA A JUVENTUDE DA COMUNIDADE DOS PAÍSES DE LÍNGUA E CULTURA PORTUGUESA.

 

23- O QUE RESTA DE TUDO QUANTO ATRÁS SE NARROU E COMENTOU NÃO SERIA MELHOR O RETORNO À TRADIÇÃO BANTO NO PAÍS A QUE O COLONIZADOR - E SÓ ELE- RESOLVEU BATIZAR DE "ANGOLA"?
ADENDA NECESSÁRIA...


A FNLA, síntese da fusão havida em meados dos anos 60 com movimentos nortistas, minoritários e inexpressivos, que em 1974, depois de várias tentativas fracassadas (os bailundos de Savimbi não esqueceram jamais que seus irmãos haviam sido também flagelados e massacrados em Março de 1961) era aliada mal aceite da UNITA; depois de ter sido quase extinta, tem vindo a revigorar-se nos últimos anos, sendo agora partido forte da crescente oposição ao governo do MPLA, mas com assento no "Parlamento" angolano; está, pois, reativada politicamente. Militarmente foi [embora não possa dizer-se que seus antecedentes criminosos e sua atuação em Luanda a recomendassem como idónea e confiável] trucidada e espatifada em meados de 1975, bem como parte das FALA - forças da UNITA - e a facção dissidente do MPLA (comandada pelo seu presidente eleito em Lusaka durante um Congresso do MPLA, mas não empossado, o ex-jogador de futebol do time da Associação Acadêmica de Coimbra, Daniel Chipenda). Essa ação conjunta FAP/FAPLA-MPLA, realizada em particular durante a noite, foi uma flagrante violação dos Acordos de ALVOR, no Algarve, pelos Portugueses do Movimento das Forças Armadas, entre representantes de Portugal e dos três movimentos de libertação: FNLA, na altura o mais poderoso do ponto de vista militar, UNITA, o mais eficiente e temido pelos militares portugueses e MPLA, comunista pró-soviético e mais fraco naquele aspecto mas bafejado, porque a JSN o supunha ( do mesmo modo que os altos escalões do Ministério do Ultramar no início da guerra colonial) com quadros mais preparados e mais receptivo a aceitar brancos. Pela proteção ideológica descarada dos militares então preponderantes na Junta de Salvação Nacional Portuguesa, este última movimento até no Governo Provisório evidenciava o favoritismo descarado de que estava beneficiando, o mesmo continuando a verificar-se nos nossos dias por parte do governo socialista português. Colaboraram, indiscutivelmente, nessa operação de extermínio da FNLA e da UNITA, tal como no segundo semestre do ano 2000, está acontecendo em Cabinda, com tropas de comandos portugueses atuando na perseguição à FLEC-RENOVADA, forças militares portuguesas estacionadas em Luanda e na Lunda (Henrique de Carvalho...ao tempo, cujo governador, coronel do CEM Manuel Teodoro Ramos, madeirense, tinha a "acompanhá-lo", secretariando-o certamente, uma jovem "mulata" ainda aparentada com o presidente do MPLA, Dr. Agostinho Neto), forças essas que constituíam um batalhão de cavalaria comandado pelo nosso primo, em 1º grau (mas que jamais nos revelou isto que soubemos pela boca de outro oficial superior português, ao tempo governador ali, que foi nosso camarada na guarnição militar de Macau , na década de 50), ao tempo major de Cavalaria com o curso de Estado Maior, Mário Arnaldo de Jesus da Silva, hoje general, tal como Manuel Teodoro Ramos oficial da confiança do general Francisco da Costa Gomes, figura preponderante da JSN e mais tarde sucessor de Spínola na presidência da República Portuguesa. Com fulminante e mortífera "eficácia", nos meados do segundo semestre de 1975 (com vistas à preparação da independência prevista para 11 de Novembro), agiram essas forças, limitando-se a cumprir o seu dever militar, conforme a vontade expressa do ALTO COMISSÁRIO PORTUGUÊS, notório filocomunista e representante da JSN e do Movimento das Forças Armadas de Portugal, Rosa Coutinho, mais conhecido por Almirante Vermelho, em antecipação às ineficientes, e então minoritárias, FAPLA do MPLA, recebendo estas "de bandeja" a "praça forte" conquistada pelos militares portugueses, que tinham causado ao ELNA da FNLA, onde havia soldados zairenses de permeio, cerca de duas centenas e meia de baixas, abrindo o caminho para serem, pouco depois, substituídas por mercenários cubamos (cujos efetivos chegaram a atingir 50.000 homens que asseguravam o Poder ao MPLA e em Angola permaneceram durante mais de 15 anos), orientados, pagos e armados por Moscou. Destes, após essa longa presença cubana em Angola (que não suscitou protestos do "socialismo" Português...), ficaram lá 10 mil "naturalizados"..."angolanos", para defenderem o FUTUNGO DE BELAS e eliminarem os adversários deste. Precisamente aqueles que Fidel Castro não desejava que retornassem a CUBA, os "morenos", que na ilha socialista novamente de linha ESTALINISTA (Fidel está velho e rabugento...) como se sabe, são minoria que vive em piores condições.
Sobre a FNLA de Holden Roberto, herdeiro dos reis do Congo (será mesmo?) e a animadversão que por ela demonstrava o Alto Comissário "Almirante Vermelho", há algo que a justifica:
Rosa Coutinho, oficial superior da Marinha de Guerra Portuguesa - e não..."Almirante" até ao "25 de Abril de 1974"- anos antes havia sido capturado no rio Zaire, onde sua vedeta fazia patrulhamento das águas territoriais, por forças da FNLA, o ELNA (Exército de Libertação Nacional de Angola). Fora levado para o campo de treinamento militar do ELNA em Kinkuzu, na República Democrática do Congo, depois "do Zaire"; ali ficou meses detido, constando que o seviciaram, sujeitando-o a diversas humilhações, até ser libertado na fronteira de Angola, após negociações aturadas, a nível internacional, com intervenção de Mobutu Seseko, presidente "zairense" que também armava, financiava e cedia soldados ao ELNA da FNLA e, segundo rumores, era cunhado (o que não confirmamos), de Holden Roberto. É evidente que Rosa Coutinho não podia ter qualquer simpatia ou indiferença por quem o capturara e maltratara.
A matriz e quartel general da FNLA e do seu ELNA estavam em Kinshasa, onde aquele movimento, arvorado em GRAE (Governo Provisório da República de Angola no Exílio de que, obviamente, Holden Roberto era também o chefe) dispunha de um programa de radiodifusão, na emissora governamental da RDC, que diariamente, a par do MPLA, que utilizava no seu programa revolucionário os potentes emissores da Radio Brazzaville, da República Popular do Congo-Brazza, transmitia programação revolucionária da mesma natureza, sendo ambos multi-lingues ( em português e em vários dialetos tribais falados em Angola) para o interior do território angolano, que apenas ripostava debilmente através da emissora VOZ DE ANGOLA, dirigida pelo Tenente-Coronel do CEM, da Resª e ex-Deputado por Timor, Dr. Manuel Herculano Chorão de Carvalho, economista há longos anos radicado no Brasil, em Belo-Horizonte, e da Emissora Oficial de Angola, onde, diariamente, à hora do almoço, emitíamos um comentário político, da nossa autoria e que não era anônimo, com a duração de alguns minutos, de contra-propaganda e ação psicológica sob orientação e controle do Conselho de Ação Psicológica dependente do Comando-Chefe das Forças Armadas Portuguesas em Angola e do Governo-Geral de Angola - SCCIA .A esse Conselho pertenceram alguns dos mais ilustres Oficiais do Exército e da Marinha que integraram, mais tarde, a cúpula do MFA/JSN como o Almirante Horta, o General Vasco Gonçalves e outros.
Hoje, toda a mídia em Angola está nas mãos do MPLA que a controla e manipula a seu bel-prazer, utilizando agências de marketing político contratadas para o efeito no Brasil - a Propeg e a Orion -, com o mais sofisticado "know-how", objetividade e eficiência psicológicas. Essas agências tem elevado grau de eficiência, constando que prepararam a eleição presidencial de Fernando Collor de Melo, o qual ganhou com larga vantagem apesar de não ter partido; venceu, cresceu, exerceu um curto mandato porque acusado de corrupção veio a se afundar em lama. Na eleição anterior de José Eduardo dos Santos, essas agências atuaram em Angola e consta que estão lá novamente e que a Propeg da outra feita ganhou a bagatela de 100 milhões de petro...dólares. É provável , pois, que seguindo a reza delas, o atual presidente angolano, ao que parece na verdade são-tomense de nascimento mas cioso de vir a ser chefe de estado à Mobutu, isto é - vitalício, legislou proibindo a liberdade de imprensa. Tanto dinheiro público mal gasto para satisfazer ambições pessoais e duas frentes de luta se desenvolvendo entre povos irmãos que vivem situações de miséria e sofrimento inenarráveis em toda a sua dramática extensão. Párem, párem - uns e outros. Democratizem-se de verdade.
Não existe em Angola outro movimento de oposição armada a não ser a UNITA que se debate com dificuldades para levar avante a sua causa, posto que agora a ONU e a CPLP não a reconhecem e colocaram-na fora-da-lei. Em 1994, em observância aos Acordos de Paz de Lusaka ela estava em Luanda, mas os ninjas do MPLA, treinados pelas forças especiais da polícia espanhola, assassinaram toda a sua cúpula política e militar, incluindo-se no número dos mortos o vice-presidente engº Jeremias Chitunda, irmão do nosso amigo, Prof. Teodoro Chitunda que, após ter vivido longos anos em Pernambuco, Recife, onde uma das suas filhas se formou em medicina, acabou seus dias também assassinado, ao tentar visitar Angola entrando pela vizinha Namíbia.
Em 1974 a UNITA era acusada de haver colaborado com a PIDE o que não era verdadeiro. O comandante miliatr do setor CENTRO, no Bié, Brigadeiro Manuel Francisco Stadlin Baptista, nosso ex-comandante de companhia no Regimento de Infantaria Nº 1 em Lisboa, abrindo-se conosco no hospital militar de Luanda, onde estava internado, relatou-nos a sua preocupação devido às pesadas baixas que sua tropa estava sofrendo causadas pela UNITA cujos guerrilheiros eram muito mais sagazes e eficientes do que os do MPLA ou da FNLA que ele também conhecia pois fora anteriormente comandante de setor no norte, no Uije. Apenas os chamados FLECHAS, tropas especiais da polícia política portuguesa, constituídas por cerca de 1.800 desertores ou ex-prisioneiros de guerra oriundos dos 3 movimentos de libertação, conseguiam opor-se-lhes e vencê-los não caíndo em suas emboscadas e armadilhas. O Dr. Jonas Malheiro Savimbi, que somente surgiu no campo da luta armada em meados da década de 60, depois de, com outros 3 ou 4 companheiros terem sido treinados em guerra de guerrilhas no centro de instrução militar da cidade de Nanquim, pelo Exército Popular da República Popular da China, usufruía então do apoio do Presidente Mao Tse Tung e do Primeiro Ministro Chou Em Lai, que estavam lançando a infiltração sino-comunista, maoísta, na África Negra, nomeadamente na Tanzânia e na Zâmbia. Nós denunciamos esse plano de penetração chinesa, num artigo intitulado "Chinese preparing for creation of an "African Vietnam"?", em 1966, publicado no jornal "Rhodesia Herald", de Salisbury, da cadeia britânica ARGUS. No Natal desse mesmo ano, o Dr. Savimbi inaugurou a chamada Terceira Frente angolana, lançando as FALA num ataque de surpresa, bem sucedido, a um aquartelamento do exército português em Teixeira de Sousa, no leste.. Esse ataque foi objeto de um folheto ilustrado, de ação psicológica, que o descreve, das Forças Armadas Portuguesas, com o título de capa "Madrugada Trágica em Teixeira de Sousa"...que conservamos conosco na nossa biblioteca, no Brasil.Essa ação, fora prevista por nós dois anos antes, comparando notícias que se recortavam, chegadas às nossas mãos quando éramos Chefe do Gabinete Político da Direção Provincial dos Serviços de Centralização e Coordenação de Informações de Angola (SCCIA). As fontes, eram indiscretas entrevistas (no Quénia, na Tanzânia e em Dar-Es-Salam, capital do Senegal, entre outras) de quadros da UNITA que não resistiam à tentação de se "mostrarem" aos jornalistas em países africanos onde ela tinha contatos ou apoios políticos. Recebíamos então, através do Offenberg Press Service, da Suiça, recortes de jornais de todos os países, inclusivé africanos, que líamos exaustivamente e assim chegaram ao nosso conhecimento os planos de ataque da UNITA ao leste de Angola. Processamos essas notícias que conduziram a uma síntese coordenada, uma informação que fizemos constar em RS (relatório de situação) semanal como hipótese a considerar e contra a qual as NT (tropas portuguesas) deveriam ser alertadas, não tendo sido aceite pelo Governador Geral a nossa previsão...até que ocorreu mesmo a madrugada trágica de Teixeira de Sousa, no Leste de Angola, no Natal de 1966. Mas...já era tarde, como no caso da carta do comunista português exilado na Itália.
Talvez por essa razão histórica - o apoio da China Comunista a Savimbi e à UNITA em seus primeiros passos na luta de guerrilha, o governo de Pequim recusou-se, recentemente, a fazer fornecimentos de armamentos e a prestar assistência técnica ao governo do MPLA, figadal adversário daquele movimento ex-maoista.

L´ÁFRIQUE NOIRE EST MAL PARTIE... E UMA JUSTA HOMENAGEM A UMA GRANDE FIGURA DE ANGOLA QUE MORREU NA DIÁSPORA, NO BRASIL...


René Dumont, em sua obra "L'Áfrique Noire est mal partie", Éditions Du Seuil, Paris, 1962, 287 páginas, chama a atenção para o erro que se cometeu, nos processos de descolonização e outorga de independências (abandono... sem prejuízo do ex-"dono" do setor governamental) apressadas.
Foram estas boladas segundo limites territoriais definidos, ao tempo em que eram colônias, pelos colonisadores, com o aval da própria OUA - Organização da Unidade Africana sediada na Etiópia-, cindindo grupos etnolinguisticos, antigas tribos, esquecendo as tradições e a pluralidade línguística, anímista e cultural dos povos da "raça" ÉBANO. Analisando em profundidade o conflito angolano, aliás, os conflitos que se têm registrado naquela região da África Austral, Ocidental, constata-se que a tal de ANGOLA não passa de uma criação artificial dos Portugueses. Se preferirem... diremos que se trata, não de uma" Angola "mas sim de várias "Angolas", tal como não existe, em boa verdade, um Canadá mas sim, dois Canadás, o anglófono e o francófono, e já a grande mídia aponta para o perigo de aquele grande país, um dos SETE (OITO, agora, com a...Rússia) GRANDES, RICOS, vir a transforma-se, antes de meio século, no 51º Estado dos... Estados Unidos da América, porque ali, a economia pesa muito nas tendências ideológicas dos seus nacionais de origens etnoculturais e linguísticas as mais díspares do planeta Terra, um país de imigração como... devia ter sido Angola se os governantes Portugueses houvessem pretendido realmente civilizar, desenvolver, sem prevalência, que sempre existiu, do seu anacrônico etnocentrismo.. Você, que nos está lendo neste momento, já alguma vez se perguntou: Mas, sendo assim como este homem narrou, afinal, por quê ANGOLA? Como se chegou a essa denominação nacional ? Mas, se o cabinda e o iombé não se reconhecem angolanos e outrora eles eram, isso sim, vassalos e subditos do rei do Congo, se o quiôco via no Mwantiânvua, que já tinha, há muitos séculos, relações comerciais com o Império do Meio ( a fabulosa CHINA, a CATHAY da Grande Muralha que até da Lua pode ser vista) o seu verdadeiro soberano , se em 15 de Março de 1961 os povos de língua kikongo chacinaram os trabalhadores de língua umbundu só porque estes eram do sul, eram "diferentes e odiados" tradicionalmente; então, por quê insistir, por que, senhores políticoa da ONU, de Portugal, de Angola, da UE, dos EUA, persistirem no erro de quererem dar realidade sentimental a uma UTOPIA? Por quê uma só ANGOLA de Cabinda ao Cunene e do Atlântico até à fronteira da Zâmbia? Esse patrioteirismo angolano que os senhores têm vindo a fomentar e a apoiar, está na origem de todos os conflitos naquela região, porque dá consistência às ambições individuais e de elites corruptas, europeizadas, sobre as riquezas do território, aos neocolonialismos infravermelhos que qualquer um, mesmo sem cultura político-econômica, através da leitura dos noticiários é capaz de intuir, de enxergar?! Párem com isso. Dêem o s territórios a sul do Cuanza aos umbundus e afins, os territorios a sul do Bengo e até áquele grande curso de água, aos ngolas ou jagas, as terras a norte ao reino do Congo e as terras do Alto Zambeze e da fronteira leste com o Congo e a Zâmbia, ao Mwatiânvua; lá para sul, pensem nos povos pastores que têm afinidade tribal com os de parte da sua tribo que ficou do lado alemão , depois britânico e sul-africano e agora namibiano; da Namíbia;, pensem também nos mucubais e, sobretudo, nos pobres "cachorros dos bantos", os primitivos povoadores de todo o território hoje reduzidos a uns escassos milhares, os não-negros bosquímanos ou bushmen.
REINO DO CONGO, REINO DO NGOLA ou República de... ANGOLA, I. MWATIÂNVUA (lundas, quiôcos...)... BOSQUÍMANOS... quanta diversidade desprezada!... Antagonismos históricos que foram revivescidos por causa desse desprezo, aceite por hierarquias Negras formadas e modeladas no exterior, nos States, na Europa das... Pátrias, na Rússia dos Czares vermelhos, conforme concepçoes nacionalistas de figurino europeu, de "branco": "um só estado, uma só nação"!?!?!?! Ou tudo, ou nada. Então, pensemos antes num ESTADO MUNDIAL!.
Coisinha de "branco" rapace, despida de realismo, de respeito por valores histórico-culturais cimentados em cada grupo afro distinto, por uma história e por tradições diferenciadas. Tais valores não recomendam tão cedo a simbiose cultural, apontando antes, como melhor solução, para a reconstituição, na medida do possivel, da velha identidade grupal, embora evitando a balcanização da África que, antes de mais nada, parece estar precisando de ser "desnacionalizada" em grande parte e depois, serenamente, reconstruída, sob a égida de uma organização internacional ligada à ONU e à OUA (se esta sobrevive ainda) que eduque os seus povos, preparando-os para saberem fazer opções políticas sem a intromissão de agências brasileiras de marketing político como a Propeg e a Orion (que estão envenenando psicologicamente Angola, a troco de centenas de milhão de dólares que... vêm para o Brasil, enquanto as populações negras - reparem que estamos utilizando o plural- daquele território passam privações, mas não o presidente "angolar" ( de S.Tomé...) que vive em sua mansão na praia do FUTUNGO DE BELAS)....

Quando Almeida Santos se deslocou a Angola, em 1974, na qualidade de Ministro da Coordenação Inter-Territorial, um seu amigo, de Lourenço Marques (hoje, Maputo), o falecido engenheiro Virgílio Aguiar, na véspera da chegada dele a Luanda, telefonou-nos de Lisboa, solicitando-nos que fossemos receber o novo ministro no aeroporto pois que (segundo o referido amigo ) gostaria ele de ouvir pareceres de conhecedores do país e das suas gentes. Assim fizemos, mas o "chefe de gabinete", um mplaísta, dr. Álvaro da Silva Franco, pardo de Benguela, barrou essa nossa tentativa de aproximação e quando fomos ao Palácio, acompanhados da cúpula da Igreja TOCOÍSTA, o mesmo aconteceu... Quem por lá andava livremente, entrando e saíndo dos gabinetes e acenando das janelas à populaça, era pessoal dirigente do MPLA, sobressaíndo à janela do gabinete do Alto Comissário Almirante Vermelho o radialista angolano do Programa Café da Noite, da Emissora Catôlica, Sebastião Coelho, um dos antigos militantes da extinta FUA (Frente de Unidade Angolana, a respeito da qual também vamos escrever para o Portugal Em Linha), elemento aliás muito culto e conhecedor dos problemas angolanos, militante encarniçado do MPLA mas atualmente a residir em Buenos Aires, na Argentina, onde continua exercendo a sua profissão de trabalhador da comunicação social. A multidão que ali se aglomerava, em frente ao palácio, já se mostrava em hálito de baderna da FAVELA, vozeirando slogans e insultos soezes, gritando, esbravejando, exibindo cartazes ofensivos à história e à presença portuguesas (não faltando entre esses, jovens estudantes universitários brancos, de ambos os sexos, filhos de colonos ou de burgueses magnatas emergentes e tradicionais, lusitanos, que viam no oportunismo de últtima hora, uma maneira de, talvez, não serem expropriados de seu patrimônio -como o foram quase todos os colonos e funcionários públicos portugueses (menos os militares), sem que, até hoje, ao contrário dos outros governos de paises ex-colonizadores, alguém tivesse sido indenizado pelos poderes públicos portugueses que nem sequer reconhecem transferências oficiais realizadas, por via legal, antes do 25 de Abril de 1974, através das Tesourarias da Fazenda da República Portuguesa, de Angola para Portugal, fugindo à sua responsabilidade como consta em ofício que transcreve um despacho absolutamente idiota de um Secretário de Estado, repleto de "Excelências" e mais "Excelências" mas sem conteúdo convincente, lógico ou ético, coerente... Ministro ou Subsecretário de Estado, qualquer sujeito ignorante e sem conhecimentos de administração, pode ser ( e asim está acontecendo...), apenas se exigindo que saiba ler e escrever e seja militante "puxa-saco" (isto é, ativista) de um partido político detentor da maioria parlamentar ou em eleições. Como funcionário que fomos, encontramos vários desses ministros que nem sequer sabiam exarar um despacho e nos perguntavam: "O que devo escrever?"... Qualquer engenheireco sem cultura política nem experiência administrativa pode ser ministro, qualquer advogado de meia-tigela pode ser chanceler, não importa se sabe ou não administrar, governar, se conhece alguma coisa de relações internacionais, de direito internacional público. É do "partido" no Poder, nomeia-se e o Povo paga. Chega, chega, meus senhores, chega de baderna. Viva a tecnocracia, pelo menos... até que a sociedade, por seu grau de evolução, possa mandar às favas os políticos e os administradores... Por isso, quem estas linhas escreve, vê com muita simpatia o anarquismo (mas não a anarquia, o que é diferente) e a entrega do poder, pelo POVO (que deve ser QUEM MAIS MANDA, mas...não é), a uma INFORMATOCRACIA muito mais barata e mais precisa, mais eficiente, sem gabinetes, sem câmaras e sem senados, sem deputados, sem senadores, sem vereadores, sem fraudadores dos cofres públicos, sem "juízes LALAU" (no Brasil), sem...corruptos, sem incompetentes... VAMOS TODOS PENSAR NISSO, EM PORTUGAL, NO BRASIL, EM ANGOLA ,NO MUNDO em que o ideal seria, numa fase mais avançada de preparação dos povos para a integração a nível global, planetário, termos apenas um governo mundial, informatizado e enquadrado, controlado rigorosmanete, por dispositivos sofisticados de organização e de segurança popular, e um único lema: ONE PLANET, ONE PEOPLE...

Carlos Mário Alexandrino da Silva


O autor, Carlos Mário Alexandrino da Silva, dedica este trabalho inédito a um grande Português ultramarino, a um tempo sincero e generoso amigo dos angolanos; a essa figura ilustre de homem público de rara têmpera e brilhante inteligência que, além de Deputado da Nação, foi governador do Huambo e de Benguela e Presidente da Câmara Municipal de LUANDA: ao Doutor FERNANDO SÁ VIANA REBELO, de saudosa lembrança, falecido na diáspora, em São Paulo, Brasil, após doloroso sofrimento, trabalhando até às vésperas do seu passamento no GRUPO PÃO DE AÇÚCAR, como médico-veterinário e modesto supervisor de perecíveis daquela mega-empresa, apesar de septuagenário.... Foi Ele, mais uma vítima das injustiças e perseguições que aviltaram PORTUGAL, emporcalhando o bom nome dos verdadeiros PORTUGUESES ao longo do vergonhoso processo de descolonização, dita "exemplar" pelos seus inconseqüentes autores, vexando a Civilização Ocidental e espezinhando o vero conceito de DEMOCRACIA... Uma tragédia da história colonial lusa, que ampliou gigantescamente a de Mazagão no século XVIII, da responsabilidade da Dinastia de Bragança, culminando na maior ponte aérea internacional da história da aviação mundial, graças à qual, porém, foram salvos da morte e de sofrimentos atrozes, tanto os colonos como muitos naturais, NEGROS, PARDOS e BRANCOS, dos países hoje conhecidos por República de Angola e República de Moçambique.
Já Camões apontava que... entre os Portugueses traidores houve algumas vezes... E a História infelizmente, parecendo à primeira vista que não, repete-se.
A NOSSA DERRADEIRA HOMENAGEM ÁQUELE INCOMPARÁVEL PORTUGUÊS NO ULTRAMAR que durante mais de 10 anos vividos neste País irmão que generosa e fidalgamente nos acolheu - o BRASIL - mesmo distante de nós, residindo em cidade diferente, nunca nos faltou com as suas notícias, nas quais demonstrava possuír uma fecunda e invulgar cultura, alentando-nos com seu calor de Amigo com "A" maiúsculo."
Lorena- S.P., 07 de Setembro do ano 2.000- 178º aniversário da data da INDEPENDÊNCIA DO BRASIL..
 
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