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FUA - FRENTE DE UNIDADE ANGOLANA: OPORTUNIDADE PERDIDA POR PORTUGAL PARTE I

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("Não acreditamos realmente na verdade, e
isso é uma das pobrezas de nosso tempo.."

Jorge Luís Borges, grande escritor argentino,
descendente de portugueses)

EM 1940 GERMINOU A SEMENTE EMANCIPALISTA EM ANGOLA... E MOÇAMBIQUE...
FUA - FRENTE DE UNIDADE ANGOLANA: OPORTUNIDADE PERDIDA POR PORTUGAL




1.- SEMENTES EMANCIPALISTAS COLONIAIS NAS TREVAS DO PASSADO


Tanto em Angola como em Moçambique o pensamento emancipalista não nasceu, como muitos supõem, somente depois da IIª Guerra Mundial. É um sentimento antigo que já anteriormente à década de 20 se manifestava em surdina nas várias colônias africanas; mormente em Angola, Moçambique e Guiné-Bissau. Em Lisboa, depois dos movimentos de negritude afro-americano e antilhano do primeiro quartel do século XX, surgiu um embrião de reivindicação emancipalista, de protesto negro, de que fazia parte o intelectual caboverdiano Martinho Nobre de Melo, mais tarde "transformado" por Salazar em embaixador e diretor do vespertino "Diário Popular" na década de 40. Surgiu em Luanda a Liga Nacional Africana, só para melanodérmicos, a que se seguiu a Associação dos Naturais de Angola - ANANGOLA - muito mais tarde, mas já aceitando em suas fileiras gente "branca"...
Na nossa juventude com freqüência ouvíamos referências às tendências emancipalistas das gentes do Sul de Angola e do litoral - Benguela, Lobito, Moçâmedes...Mais tarde, na primeira metade da década de 40, quando nos juntamos a um grupo de estudantes universitários angolanos fundando em Lisboa, na avenida Praia da Vitória, a Casa dos Estudantes de Angola que evoluiria depois, sob o não declarado patrocínio do então comissário nacional da Organização Nacional da Mocidade Portuguesa (masculina) e depois Ministro das Colônias, Prof. Dr. Marcelo das Neves Alves Caetano, para Casa dos Estudantes do Império, sediada na Avenida Duque d´ Ávila, frente à estação de recolha da Carris, depressa nos habituamos a ouvir tímidas manifestações emancipalistas da parte de alguns dos nossos colegas recém-vindos de Angola...

Quando em 1951, sendo então alferes, chegamos a Lourenço Marques, atual Maputo, na colônia de Moçambique, para enquadrarmos tropa negra, barata, os chamados "voluntários da corda" (forçados a alistarem-se...) a fim de irmos servir no Extremo-Oriente (Macau), então ameaçado pela irrequieta vizinhança do exército popular da China Vermelha, das conversas trocadas com portugueses ali radicados há muito e com naturais, brancos e mestiços, foi-nos dito que em 1940 houvera, na capital, uma tentativa de sedição chefiada por um coronel reformado do extinto exército ultramarino; tivera por objetivo a proclamação da independência. Esse movimento, de certa maneira teria tido respaldo, oficioso, da disfarçadamente inamistosa administração britânica dos vizinhos territórios coloniais da União Sul Africana e da Niassalândia (hoje, Malawi).

2.- OS MAU-MAU E A TROPA AFRICANA "PORTUGUESA"...


Posteriormente, em 1954, quando comandávamos a 1ª companhia do 1º Batalhão de Caçadores de Moçambique, depois BC 1, que guarnecia os postos da Ilha de Coloane, no Si-Kéang (rio Pérola), sediada em Kao Ou (Ka-Hó), fomos visitados por um padre missionário, Português, da Igreja Católica. Quarentão, de compleição atlética, envergando batina branca, em serviço requisitado por Londres ao Vaticano -segundo nos informou- vinha munido de credenciais do Ministério da Guerra, de Lisboa. Determinava-se nelas que fosse prestado "ao portador todo o apoio de que necessitasse para cumprimento da missão, classificada como secreta, de que fora incumbido, a pedido do Governo de Sua Majestade Britânica". Perguntamos-lhe por que motivo tinham encarregado um sacerdote, e para mais civil, de tão melindrosa tarefa, respondendo-nos ele que isso se devia ao fato de ser o único europeu que, tendo vivido vários anos no Norte de Moçambique, dominava os dialetos dos makuas, que constituíam a maior parte dos praças da subunidade do nosso comando, além de uma minoria de tradicionais inimigos destes, os altivos e aguerridos makondes, de que quase nenhum falava português apresentando todos tatuagens rituais. Deu-nos uma relação de nomes pela qual identificamos todos os soldados, menos de uma dezena, aos quais ele pretendia ouvir, cada um em separado...Confidencialmente, informou-nos que a razão de estar ali era porque esses homens haviam sido localizados pelo serviço secreto MI 6, britânico, como ex-militantes do movimento queniano Mau-Mau, presidido por Jomo Kennyata (depois primeiro presidente do novo país que nasceria dessa rebelião nativista); tinham assassinado várias famílias inglesas, de fazendeiros, no Quênia, o que ele estava apurando...Entre os inquiridos estava um soldado makua que era...nosso impedido (soldado para serviço exclusivo de um oficial), aparentemente "tímido" e "inofensivo".

Embora moçambicanos, eles, que tinham trabalhado como migrantes naquela então colônia britânica, haviam participado da fase terrorista de luta emancipalista dos seus irmãos bantos quenianos...o que denotava já, a vontade oculta de, algum dia, em sua terra natal, lhes seguirem o exemplo quando a oportunidade chegasse, como acabou por chegar...na década de 60.

3.- MONDLANE, A FRELIMO, SAMORA MACHEL E OSPENICOS DO HOSPITAL DA BEIRA.
SUGESTÃO PARA QUE OS PORTUGUESES SIGAM O EXEMPLO, INÉDITO E LÚCIDO, DA COSTA RICA...


Por iniciativa do negro moçambicano, evangélico, educado por uma missão protestante ianque nos Estados Unidos da América e casado com uma americana (Janet) Dr. Eduardo Mondlane , alguns anos mais tarde foi criada a FRELIMO (Frente de Libertação de Moçambique) que se estabeleceu em Dar-Es-Salam...Em meados de 60 Mondlane foi assassinado, naquela cidade tanzaniana, de maneira misteriosa: recebeu uma embalagem, aparentemente contendo um livro, que abriu e lhe...explodiu nas mãos, constando que o "presente" viera do seu subordinado e comandante supremo das guerrilhas da FRELIMO, o ex-cabo da tropa colonial portuguesa Samora Machel (que no hospital da Beira fora humilde servente de poucas letras, despejando penicos e fazendo a limpeza das enfermarias). Esse pequeno ditador "marxista" (certamente incapaz de entender Marx e sua obra...),seria mais tarde homenageado pelo presidente António Ramalho Eanes com a dignidade, insígnias e bastão, de "marechal de campo" honorário do "minúsculo" exército lusitano. Este, no máximo, talvez tenha um efetivo de duas divisões, conquanto ostente, ao que parece, dezenas de generais...supranumerários; a marinha, igualmente insignificante, tem dezenas de almirantes, vice-almirantes e contra-almirantes, tudo às custas do sacrificado contribuinte português! Quando é que em Portugal (e não só...) haverá a coragem inovadora e progressista de se promover, como aconteceu, com êxito, na Costa Rica durante a segunda metade da década de 40, um plebiscito para saber se a Nação deseja, ou não, que se continue a ter forças armadas, as quais não resistiriam sequer 24 horas a um ataque de congêneres das grandes ou médias potências militares? Em vez desse "luxo" aplicaria essas verbas em educação, serviços sociais, saúde e investimentos desenvolvimentistas, limitando-se a uma organização paramilitar de manutenção da segurança e ordem pública, mas informatizada e limitada em efetivos humanos.

Fomos oficial do exército mais de uma dezena de anos, em Portugal, em África e no Oriente; por tradição familiar paterna até gostávamos dessa atividade mas, na verdade, tudo o que vimos e vivemos nas fileiras, como miliciano e depois já com direito a ingresso no quadro permanente, ensinou-nos que não passávamos de caríssimos parasitas sociais sem...real "utilidade pública," pelo menos em tempo de paz...Ficamos, pois, cogitando se não seria mais sensato, num País pobre e carente como é Portugal, que perdeu sua "raison d'être"ao abandonar seu histórico império ultramarino, acabar com isso imitando a Costa Rica, a Suíça e alguns outros...como San Marino, Andorra, Liechtenstein e Mônaco.

4- O "MAL BRANCO", O OCIDENTE-ACIDENTE E A FUA


In "O Ocidente é um Acidente - Por um diálogo das civilizações" ( original "Pour um Dialogue dês Civilisations", Editions Denoel, 1976, tradução brasileira editada pela SALAMANDRA CONSULTORIA EDITORIAL, LTDA, Rio de Janeiro, Brasil, 1978) o Doutor Roger Garaudy, renomado filósofo francês, escreve na "Introdução", a páginas 1 e 2:
"O Ocidente é um acidente. Eis o primeiro axioma de toda inventiva do futuro. Essa maneira de os "Ocidentais" considerarem o indivíduo como o centro e a medida de tudo quanto há, de reduzir toda realidade ao conceito, isto é, de erigir em valores supremos a ciência e as técnicas como meio de manipular as coisas e os homens, é uma exceção minúscula na epopéia humana de três milhões de anos.Esse aspecto nefasto do papel representado pelo homem branco na história é o que denomino "o mal branco".
"As fontes do Ocidente (gregas, romanas, cristãs) se nos libertarmos do preconceito racial do homem branco, nasceram na Ásia e na África.

A Renascença, que não é apenas um movimento cultural, mas o nascimento conjugado do capitalismo e do colonialismo, longe de ser o apogeu do "humanismo", destruiu civilizações superiores à do Ocidente, no modo como desenvolviam suas relações do homem com a natureza, com a sociedade, com o divino."

Garaudy, a páginas 141, transcreve de Paulo Freire, o maior pedagogo progressista do nosso tempo, brasileiro, a seguinte passagem que deve concitar à meditação e reflexão quem estas linhas está lendo. Nela assentam, sem dúvida, a gênese e os objetivos da FUA: "A ´conscientização´ consiste em aprender a perceber as contradições sociais, políticas e econômicas, e em agir contra os elementos de opressão contidos na realidade."

5.- SAÍNDO DAS TREVAS...


No dia 17 de Abril de 1961, numa estrada de Lubango (Sá da Bandeira, ao tempo), hoje província da Huíla, Sul de Angola, foram encontrados, envoltos num papel de embrulho, várias dezenas de manifestos clandestinos. Eram dum movimento que usava o acrônimo FUA, até então desconhecido das autoridades administrativas...

O encarregado do governo do distrito da HUÍLA constatou que esses impressos haviam sido embrulhados em papel timbrado da firma "Lelo", pelo que mandou comprar folhas para estêncil na dita papelaria, sendo-lhe fornecido papel idêntico ao utilizado na impressão dos manifestos já referidos.

Armando da Costa Ferreira, gerente da firma, era conhecido pelas suas idéias confessadamente opostas às do regime político português. Foi detido para averiguações.

Teve então lugar, sem alarde, um inquérito administrativo; o fato foi comunicado prontamente ao governador geral da colônia.

Carlos Mário Alexandrino da Silva
 
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