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O DESPERTAR DO CONTINENTE ESQUECIDO...

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Quando a maioria dos americanos ouve a frase " áfrica subsaariana," aflora-lhes à mente uma imagem negativa, desagradável...
Alguns se lembram do genocídio no Ruanda, outros do abortado envolvimento norte-americano na Somália, outros dos campos de minas em Angola, e ainda outros da cleptocracia na Nigéria e em Angola.... Por incrível que pareça, estas imagens negativas são intercaladas por referências mais positivas a Nelson Mandela, cenas de animais em extinção da fauna africana, elefantes, leões do serengeti, foto-safaris e danças tradicionais vibrantes dos guerreiros masai, no Quênia.
Fora esses eventos momentosos ou calamitosos, o público americano esquece-se de que existe - a áfrica saariana. O que melhor se sabe sobre o continente africano é que ele está integrado por muitos estados que não são nações de facto, totalizano quatro dúzias, sem igual... Qualquer tentativa de generalização de, aproximadamente, seiscentos milhões de pessoas distribuídas por milhares de unidades sociais ímpares e... assíncronas é uma trivialidade sentenciada ao fracasso.
O homem de negócios africano do sul é tão diferente de um rural etíope como um banqueiro caucasóide de Nova Iorque o é de um camponês guatemalteco. Porém, experiências comuns continuam configurando a maioria dos estados do continente africano. Todos os países africanos tiveram uma experiência colonial. A maior parte dos países africanos não obteve independência até aos anos da década de 1950. A experiência colonial continua fresca na memória coletiva. Essa experiência teve pontos altos e baixos. No entanto, o que se evidência como inconteste é o efeito que a colonização continua tendo no modelo de cultura e língua predominante e nas estruturas política, administrativa, econômica e sociológica desses estados. No fundo continuam sendo sociedades de "fisionomia" colonial, clonadas dos ex-colonizadores... em muitos aspectos.
Angola é disso um exemplo destacado e desastroso. Democracias funcionais construidas com respeito pelos direitos civis e políticos são algo que somente encontrou relativo sucesso em alguns, quantos os dedos de... uma mão, estados africanos.
Em 1997, uma avaliação feita pela freedom house norte-americana , grupo que se dedica ao estudo e defesa dos direitos humanos, classificou vinte dos quarenta e seis países da áfrica subsaariana como" não livre," e dezoito como "prcialmente livre". A avaliação baseou-se em uma variedade de critérios ponderados de direitos políticos e liberdades civis. A conclusão mais chocante é que mais de dois terços da população da áfrica negra não estão sendo governados por regimes democráticos. Esta constatação denuncia igualmente uma herança geopolitica e administrativa deixada pela experiência colonial deformante e corolário, inegável, dos artificiais limites "nacionais" arbitrariamente traçados pelos colonizadores. A maioria desses limites foram da autoria dos poderes coloniais emanados da grande conferência de berlim, para partilha de colónias pelas potências da europa das pátrias, realizada em 1884/85. Em muitos casos, esses limites ofendem a lógica, conquanto pareçam bonitos e "coerentes" no mapa. Grupos étnicoculturais outrora homogéneos foram frgmentados (vidé René Dumont in "láfrique noire est mal partie"), áreas naturais de comércio foram desmembradas, e também houve muitos casos de completa incoerência geográfica.
No período pós-colonial, imediato, os estados membros da Organização para a Unidade Africana (OUA) -1963- levianamente concordaram que os limites geográficos nacionais que haviam sido traçados pelos ex-colonizadores seriam considerados invioláveis, o que foi um tremendo erro... Entre vários outros ali aceites. O propósito desta atitude aparentemente bem-intencionada era prevenir contra previsíveis guerras secessionistas de diversos grupos étnicos que, sob o jugo autoritário do colonizador, na verdade viviam em união de jure (pelo jus imperii do detentor do poder soberano) com os grupoos diferentes e, emocionalmente, de facto com seus irmãos de estados vizinhos a cujo grupo etnotribal pertenciam antes da chegada do colonizador e a que continuavam se sentindo historica e culturalmente vinculados... Mas, a natureza humana não pode ser ignorada de forma tão simplista como a que foi adotada pelos líderes dos movimentos emancipalistas arvorados em estadistas!
A maioria dos países africanos sofreu guerras civis e rebeliões. Outro fator histórico importante foi a guerra fria. Toda vez que um agrupamento emancipalista guerrilheiro africano surgia, os seus fundadores procuravam em fontes externas, quando não a isso inspirados por "gringos" da interesseira estranja leucoderme, apóios de ordem ideológica, a que se filiavam, politica e logística, interessados em apadrinhá-los, virando-se uns para os estados unidos, outros para a união soviética e, por algum tempo, na década de 1960, também para a china comunista então tmbém sonhando com um projeto africano como aconteceu no caso da unita do Dr. Jonas Malheiro Aavimbi.. Como resultado, o que sem essas ajudas externas teria sido fácil e rapidamente sufocado pelos governos coloniais, conseguiu evoluir para rebelião civil, armada, incómoda e devastadora.
Teria havido conflito armado em Angola, Guiné-Bissau, Moçambique, Quénia, Etiópia, Zimbábue, e Somália sem a guerra fria? Certamente que não. Nem sequer na Argélia ou na Indochina! os conflitos coloniais não teriam atingido a importância e as proporções que alcançaram. Jamais! Teriam morrido ainda no berço...
Outros fatores determinantes, na experiência africana, são a riqueza em recursos naturais e as condições climatéricas: os recursos minerais africanos superam os de qualquer outro continente. Nigéria, Gabão, Cabinda e Angola têm vastas jazidas petrolíferas. A África do Sul é rica em diamantes e tem petróleo. Botsuana e Angola têm até mais diamantes do que a África do Sul. Zimbábue tem cromo, níquel e cobre. O Congo/Zaire tem todos estes e ainda -cobalto, cobre, petróleo, diamantes, ouro, prata, zinco, manganês, estanho, urânio, bauxita, ferro, e carvão. O Gana (outrora conhecido como "costa do ouro) - é rico em ouro.
Em virtude da insuficiência de prospecções minerais, das até hoje realizadas naquele continente, pode dizer-se que estas referências a ocorrências minerais são apenas pálidos afloramentos do que provavelmente será o manancial mineralógico daquele gigantesco - 30,5 milhões de quilômetros quadrados - bloco continental... sub-povoado! O seu desenvolvimento tem sido dificultado como se sabe, em face das suas condições climáticas adversas em muitas regiões onde, por essa razão, depois de erradicadas nos tempos coloniais, de novo se implantaram, com carácter endêmico, doenças deveras assustadoras: malária, sida, ebola, febre amarela, bilharziose, doença do sono, febre aftosa, dengue, etc. Estas doenças ameaçam tanto aos residentes urbanos como à comunidade agrícola. A África aparece-nos, assim, como uma estufa de patologias tropicais. Porém, a verdade não é assim tão dramática: antes dos avanços médicos e dos progressos realizados pelos serviços de saúde pública no último século, também a Europa era conhecida pelos seus focos de tuberculose, gripe, malária, coqueluche, sarampo alemão, e erupções periódicas de pestilência! As doenças endêmicas na África são uma barreira semelhante mas ela pode ser superada, não constituindo, portanto, um obstácuilo intransponível.
Por que motivo a américa do norte (EUA e Canadá) e do sul (Brasil), a Rússia e os países europeus se apresentam, agora mais do que nunca, como campeões da democracia e dos direitos humanos em relação à África? Bem, em primeiro lugar porque os EUA nesse ranking gostam de evidenciar-se em primeiro lugar. A África, mesmo subpovoada como está, tem uma massa humana de 600 milhões de almas, que não pode ser ignorada. A segunda razão é econômica. Embora em nossos dias a economia daquele continente seja débil, todavia apresenta grandes potencialidades naturais para crescer. E indubitavelmente crescerá de modo muito significativo, a curto prazo. Donde a atenção que a "troika" dedica a Angola, e não só ela, por exemplo. A África poderá se tornar- e vai sê-lo- a principal parceira no comércio dos EUA, em benefício, a longo prazo, de ambas as partes. O comércio para os states - e não só- apoia-se em particular nas cobiçadas matérias-primas a "bom preço", que a África pode fornecer aos países industrializados, para a produção de bens finais. Com o passar do tempo os fluxos desse comércio amadurecerão. Os africanos são hoje para os EUA a sua maior esperança.
Apesar da exploração colonial, das numerosas guerras civis, da malversação de receitas públicas e corrupção desavergonhada que proliferam em todos os escalões de governos totalitários, e dos desafios geográficos do continente, os africanos vêm suportando tudo isso... E em muitos casos estão começando a despertar, o povo e a reagir contra a opressão de que são vítimas, voltando-se para a intervenção de instâncias internacionais, embora com lentidão. O Uganda, como exemplo, está a caminho da recuperação, depois que Idi Amin Dadá foi apeado do poder, podendo-se comparar o espírito dessa reabilitação ao que permitiu a reconstrução da Alemanha e do Japão depois das devastações sofridas na segunda guerra mundial. Do cáos econômico gerado pela hiperinflação que caracterizou Kinshasa há alguns anos atrás, está começando a surgir, lentamente, um mercado alimentado, ao contrário do angolano, pela moeda corrente local, o zaire (ou" z").
Dentro de alguns anos poderão ser atingidas taxas de câmbio animadoras para várias moedas correntes, principais, taxas de juros especiais para dinheiro que não seja sujo, enfim, uma reversão auspiciosa da economia, se houver estabilidade política e paz interna nesses países.
Mas isso não será viável, em parte alguma, se persistirem em África revoltas períodicas, governos completamente disfuncionais e corruptos, cáos social, sanitário, econômico, logistico e energético...

Carlos Mário Alexandrino da Silva
 
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