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Acordo Ortográfico: sim, não, talvez?

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Uma comissão do Ministério da Educação do Brasil avança que o Acordo Ortográfico começará a ser implementado neste país a partir de 1 de Janeiro de 2009. Juridicamente o Acordo já deveria estar em vigor porque foi já assinado por três países membros da CPLP: Brasil, Cabo Verde e S. Tomé e Príncipe. Então?

 

 

 Jorge Eurico
Jorge Eurico
O Protocolo Modificativo do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, que
tem como escopo a unidade  do idioma escrito, é indubitavelmente uma
retumbante vitória cultural, sociológica, académica e, por que não,
política do Brasil sobre Portugal e os Países Africanos de Língua Oficial
Portuguesa (PALOP), facto que, quanto a mim, significa uma oportunidade de
 “ressurreição” da  quinta língua mais falada à face da terra e a terceira
mais falada no mundo Ocidental numa altura em que é (era) considerada
pelos cientistas sociais como sendo uma língua morta e (bem) enterrada.

Brasília pode, finalmente, embandeirar em arco e lançar foguetes por ter
convencido Lisboa, Luanda, Praia, Maputo, Príncipe, Bissau e Dili — e por
arrasto a antiga Índia portuguesa (Goa, Damão, Diu, Dadrá e Naga-Aveli),
Macau, Guine-Equatorial – a adoptarem uma só grafia com o nobre e oportuno
propósito de unir a língua (portuguesa) escrita.

Resultante da “imposição cultural” do Brasil, o Protocolo Modificativo do
Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa  vai alterar 1, 6 por cento do
vocabulário de Angola, Cabo-Verde, São Tomé e Príncipe, Maputo,
Guiné-Bissau, Portugal Timor-Leste  e de  demais falantes desta língua que
conta com mais de 215 milhões de falantes nativos.  Destarte,
desaparecerão da actual grafia destes países o «c» e o «p» nas palavras em
que estas letras não são pronunciadas, como em «acção», «acto», «baptismo»
e «óptimo».

No Brasil, a mudança será menor, porquanto apenas 0,45 por cento das
palavras terão a escrita alterada. Por exemplo, o trema utilizado pelos
brasileiros desaparecerá completamente e ao hífen acontecerá o mesmo
quando o segundo elemento da palavra comece com «s» ou «r», casos em que
estas consoantes devem ser dobradas, como em «antirreligioso» e
«contrarregra». Apenas quando os prefixos terminam em «r» se mantém o
hífen. Exemplos: hiper-realista, super-resistente.

O acento circunflexo sai também de cena nas paroxítonas (palavras com
acento tónico na penúltima sílaba) terminadas em «o» duplo («voo» e
«enjoo»), usado na ortografia do Brasil, mas não na de Portugal, e da
terceira pessoa do presente do indicativo ou do conjuntivo de «crer»,
«ler», «dar», «ver» e os seus derivados. Passará a escrever-se: creem,
leem, deem e veem.

No Brasil, o acento agudo deixará de se usar nos ditongos abertos «ei» e
«oi» de palavras paroxítonas como «assembleia» e «ideia». Com a
incorporação do «k», «w» e «y», o alfabeto deixará de ter 23 letras para
ter 26.


O linguista Malaca Casteleiro, defensor do Protocolo Modificativo do
Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, defende ser necessário “um
período de adaptação que não deve ser inferior a quatro anos para permitir
as alterações em dicionários, manuais escolares e para a aprendizagem das
alterações ortográficas”.

Subscrevo literalmente a opinião de Malaca Casteleiro. É preciso que se dê
tempo ao tempo e aos Estados que têm o português como Língua Veicular para
que se adaptem às modificações ora «impostas» pelo Brasil ao mundo
lusófono.

Aliás, deverá ser por esta razão que o presidente moçambicano Armando
Guebuza afirmou que o seu Executivo está a analisar o Novo Acordo
Ortográfico e depois de o  analisar irá ractificar. E como eles há muitos
que assim pensam e assim procederão.


Jorge Eurico

   Orlando Castro
Orlando Castro
“Não” ao Acordo Ortográfico

Considero, sobretudo dada a disparidade das forças em confronto, que a minha luta pelo português de Portugal está condenada à derrota. Apesar disso, continuo a entender que só é derrotado quem desiste de lutar. Ora desistir é algo que me recuso a fazer, mesmo sabendo que do outro lado está uma força monumentalmente maior em todos os aspectos, sobretudo no número de falantes.

Sou, portanto, contra o Acordo Ortográfico. Admito, quando muito, que se deixe que sejam o tempo e os protagonistas a transformar a língua, a dar-lhe eventualmente diferente grafia, tal como acontece com a introdução de novos termos.

É claro que existem letras que, no português de Portugal, podem ser suprimidas sem que venha grande mal ao mundo. Mesmo assim, também não viria grande mal ao mundo se o meu Bilhete de Identidade disse que eu nasci no “uambo”. Mas a verdade é que eu nasci no “Huambo”.

Se o sapato português já foi «çapato» e a farmácia foi «pharmácia», é bem possível que, de forma natural, também o facto passe a fato. Mas a forma natural é deixar a língua fazer a sua viagem ao logo dos anos, das décadas, dos séculos, sem as amarras que lhe querem pôr.

E o que defendo para Portugal, defendo para qualquer outro dos países lusófonos. É legítimo que os brasileiros, não só  porque são especialistas em inventar palavras, mas, sobretudo, porque podem impor a razão da força dos seus muitos milhões de cidadãos, queiram neutralizar a força da razão daquela “meia dúzia” de tugas que estão nas ocidentais praias lusitanas.

Não cabe aos que defendem o português, contudo, abdicar a atirar a toalha ao tapete quando podemos ser poucos, mas podemos ser bons (sem querer dizer que os outros são maus). Creio, aliás, que a língua ainda é das poucas coisas que são verdadeiramente nossas. Tudo o resto é “made in” qualquer outro país.

Por isso, esta é para mim, uma questão de identidade e de honra que deve continuar a ter as suas próprias características, respeitando a dos outros e convivendo em sã harmonia com as diferenças.

Aliás, quando me falam de harmonização (seja do que for) cheira-me logo a algo hitleraiano. Por isso, custe o que custar, não serei eu a render-me a um acordo ortográfico contra-natura e violador das diferenças que são, aliás, a grande força da Lusofonia.


Orlando Castro

 


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Comentários (2)
Coemntários RSS
1. Escrito por Manuel Amaral em 05-05-2008 23:01 - Registado
 
 
Não concordo com o acordo
Não estou de acordo com o acordo.Quantas vezes,enquanto estudava,e já lá vão uns anitos,quando esquecia de pôr uma virgula,ou punha um acento grave no lugar de um acento agudo,tinha como resultado um "mau" ou "muito mau".As redacções e não "redações",tinham que sêr feitas na perfeição.Muito bem redigidas para não têr maus resultados.E agora vamos (des)aprender?Não,não estou de acordo com o acordo. :grin :cry
 
2. Escrito por Eugénio Almeida em 17-04-2008 20:51 - Registado
 
 
Acordo Ortográfico: sim, não, talvez?
Tal como não devemos estar prontos para dizer Sim a tudo o que nos põem à frente para coomer, também não devemos dizer logo Não só porque nos parece uma imposição. 
Meu caro orlando, tal como há palavras que não são alteráaveis, nomeadaamente, nomes e Huambo é um nome de Província e de Cidade, há outras que também não o são. Por exemplo, "homem" creio quenão verá a grafia alterada. 
Quanto ao meu amigo Jorge Eurico, se de facto as açterações afro-lusas se quedam pelos 1,5%-2% total, mas pouco mais de 0,8% das palavras "mais populares", já o Brasil é ao contrário, porque das "mais populares" as alterações vão quase aos 3%. 
E foi um filologista português de cujo nome não me recordo que o escreveu. 
E notem mais algumas alterações ocorridas ao longo destes anos (annos) decididas por Portugal e aceites, sem qualquer rebuço, pelo Brasil. Uma já acabou de ser escrita. Mas há muitas mais que foram alteradas com a reforma portuguesa de 1911 e 1917. 
O Orlando relembrou uma das palavras citadas no meu artigo na secção de "Lusofonia" e outras, como Baptista/Batista; Victor/Vitor, Lourdes/Lurdes, etc. 
Ou os advérbios de modo ou os diminutivos que deixaram de ser acentuados como a raiz inicial e nem por isso há quem deixe de o fazer. 
E nem por isso a língua deixou de continuar a evoluir. Só peço é que não queiram fazer com a língua aquilo que querem fazer com certos aspectos da vida social dos nossos países que formam a CPLP. Tornar uma língua para além de Viva e maravilhosa. Torná-la Ótima!! :(  
Um grande e fraterno kandandu aos meus dois patrícios. 
Eugénio Costa Almeida 8)
 

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