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HINO À NATUREZA

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Através da minha janela
estou admirando o que merece!
A paisagem na hora tardia
que no fim deste dia
a Natureza me oferece.
 
Estou vendo côres que dominam
no imenso espaço estelar,
quais as pinceladas de artísta,
que só a Natureza metodísta,
pintando, as consegue criar.
 
A escura silhueta dos bosques
contrastando no purpúreo do céu,
como fogo lambendo em clarão
onde as aves já abrigadas estão
e o chilrear silenciou sob o véu.
 
De repente vejo sulcando o céu
bem ao longe, ave de rapina?
Que desprezando o silêncio em redor
procurando pois um lugar melhor
para repousar da diária rotina.
 
Fico pensando na quietude da noite
como seria o Mundo ideal,
se os Mortais sem avareza
respeitassem a bela Natureza
renunciando fazer-lhe tanto mal.
 
Depois da noite vem o dia,
já de madrugada acorda a Natureza,
acolhendo os primeiros raios matinais
para a mistura das côres Celestiais,
criando esta luz, esta beleza.
 
É nesta hora matutína
que vemos a Natureza despontar,
onde a vida animal renasce
dentro dos limites da praxe,
que os Mortais não podem olvidar!
 
Deu-me uma vontade inresistível
quando de manhã fui à janela,
ir aos bosques bem perto
para sentir e ver em aberto
esta Natureza tão bela!
 
Fui! Sentei-me numa rocha cinzenta
coberta de musgo verde, ao lado erva alta,
e em plano bem elevado
olhando em redor pasmado
com o que vi . . . porque nada falta!
 
Atrás tenho os bosques, longas árvores,
na frente um lago magestoso,
no ar um Sol que me aquece
um céu azul que elouquece,
ouvindo as aves, seu canto maravilhoso.
 
Ouço as notas do lindo chilrear
tentando captar seu signifícado.
Mas pensando melhor desisto,
quero deixar livre tudo isto
para a lei da Natureza continuar.
 
Estou olhando para o lago,
sua superfície cíntilando
dos raios recebidos do Sol.
Tudo ameno, tudo control,
aves magestosamente voando.
 
Quando escrevia estas linhas
sentado na rocha e lápis na mão,
eis que passa correndo ao lado
uma lebre, eu maravilhado
desejando que parasse, mas em vão.
 
 
É uma felicidade e um prazer
sermos dotados com visão,
comtemplar a graciosidade da gazela,
o passo ligeiro, a rapidez dela,
sentir estes momentos com emoção.
 
Apesar de sentir Paz e calma
neste ambiente de excelência,
me dá uma realidade errada.
A vida animal, mesmo bem talhada
tem que lutar pela sobrevivência.
 
Vejo as avezinhas procurando
raminhos, fôlhas, musgo,
para fazerem seus ninhos
esperando os filhinhos
canseiras até ao lusco-fusco
 
Olho para os císnes e patos no lago
com os filhos sempre os seguindo,
metendo os bicos na água procurando,
e logo os filhos imitando
molhando tambem seu papinho.
 
Junto dos meus pés passam as formigas,
qual marcha militar discíplinada,
carregando com alimento bem pesado
em passo ligeiro mas ordenado,
rumo ao celeiro, é a coordinada.
 
Nem hoje faltaram as abelhas,
estiveram tambem representadas,
no vai e vem de flôr em flôr
e trabalhando com ardor
nas colmeias bem organizadas.
 
Fico pensando novamente
o que origína o ecológico balanço?
Que mistérios rege a Natureza?
Porquê os Homens com sua vileza
extinguem as espécies, matando?
 
Se esses chamados de Humanos
sentissem o mal que fazem,
na poluição que dia a dia ataca o belo,
alterando mares, vegetação . . . um flagelo!
Me mata o coração esta triste imagem!
 
Quando voltei para casa estava
ainda cheio de interrogações.
Será que o próximo Milénio evita
este descalabro galopante e avisa,
um acordo entre homens, entre Nações?
 
Júlio Castro de Sousa


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