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DILEMAS DO MAGISTÉRIO: VOCACÃO OU PROFISSÃO?

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Cada ano que passa, o 15 de outubro perde o seu sentido original, que, na verdade, deveria remeter ao pluridimensional ofício dos profissionais da Educação, uma justa homenagem ao árduo e gratificante trabalho dos professores e professoras do nosso estimado Brasil.

 

As razões para o referido esquecimento são várias, desde a ausência de políticas públicas unificadas em prol da educação básica, sob a égide do governo federal, porquanto cada Estado se julga apto e autônomo para direcionar seus investimentos nesta área, o desencanto de nossos estudantes com a Licenciatura, em virtude da exaltação exacerbada das áreas profissionalizantes, com menos tempo de duração e com maior remuneração, o desafio hodierno que é lecionar perante classes tão heterogênicas, constituídas de estudantes que recebem de tudo de seus progenitores, menos atenção e disciplina. Por tais, entre outras justificativas, o sacrossanto ato de lecionar, iniciado com os aedos, através da formação oral, até os nossos dias, mediante requintadas e desconcertantes técnicas áudio-visuais e digitais, tem perdido o sentido e objetivo originais: educar o (a) educando para a vida, para o convívio harmônico em sociedade e prepará-lo (la) para o mercado de trabalho, intenções pressupostas na LDBEN 9394/96, a Lei que regulamenta a Educação no Brasil.

 

Olhar o trabalho dos professores, ouvir suas experiências passadas e atuais, analisar o esforço permanente destes (as) mestres para a erradicação da ignorância proveniente do analfabetismo, de um lado, são elementos estimulantes para quem deseja ingressar no Magistério; por outro lado, no entanto, ouvir as permanentes queixas acerca da renúncia dos pais, mães e responsáveis pela educação filial, sentir as mágoas e ressentimentos que muitos (as) nutrem pela situação estarrecedora da educação brasileira, em todos os níveis, com relatos, amiúde, acompanhados de sinceras lágrimas, provocam-nos um repensar constante: permanecer ou não no Magistério...

 

Há um tempo atrás, sob o intuito de cativar profissionais postulantes à Educação, diversos governos apregoavam, de forma apologética, o ato de educar como “vocação”, um chamado interno, de origem divina, num sentido religioso, tal qual o do patriarca judeu Abraão, e “daimônica”, num sentido filosófico, tal qual o de Sócrates, que renuncia a família, que luta contra os falsos sábios de sua época e que é assassinado pela Assembléia de Atenas, na Grécia, obrigado a ingerir veneno, extraído da cicuta, erva mortífera. Hoje, não obstante, é reconhecida apenas como uma “profissão”, com baixos salários, apesar dos esforços permanentes em favor de uma formação integral, que não se resume apenas a Licenciatura, mas a cursos de extensão, de especialização, Mestrado, Doutorado, Pós-Doutorado, nem sempre sob a intenção de obter novos reajustes por evolução acadêmica, mas, por estranho que pareça, para garantir a manutenção dos provimentos e, por conseguinte, da função exercida.

 

Notamos, entretanto, vários Estados, através das Universidades da alçada da unidade federativa, incentivando estudantes do Ensino Médio a optarem pelas Licenciaturas, inclusive oferecendo vários benefícios, tais como Bolsa de Estudos, Bolsa Moradia, etc., a fim de que, no futuro, na mesma proporção, que tenhamos estudantes e professores (as). Contudo, não observamos o mesmo empenho para preservar os profissionais que já estão na Rede Pública de Ensino, seja mediante melhor remuneração, estímulos, tais como “mimos”, seja concedendo melhores condições de trabalho, menos estudantes por sala, material pedagógico de qualidade, maior investimento na estrutura predial, hidráulica e elétrica das escolas, que, com raríssimas exceções, oferecem riscos contínuos a integridade física de todos.

 

Médicos têm o juramento de Hipócrates, assim como muitos outros profissionais, nós, todavia, nada temos de uniforme e homogêneo para a categoria, exceto aquilo que lemos no dia de nossa formatura. Portanto, que este seja o nosso lema:

 

“Prometo respeitar e honrar o meu conhecimento e oferecê-lo a todos quantos desejarem, desde que, em contrapartida, sejamos respeitados, não pelo que temos, mas pelo o que somos: humanos que, apesar de tudo, confiam no poder extraordinário da humanidade intrínseca dos nossos estudantes”.

 

Enfim, quem ganha com o nosso trabalho nem sempre é o mercado de trabalho, mas sim a humanidade, contemplada no rosto sereno de quem educa e que continuamente aprende com o olhar fixo e atento dos nossos estudantes, futuros pais, mães, políticos, técnicos, revolucionários do saber.

 

 

BENEDITO LUCIANO ANTUNES DE FRANÇA (BENÊ FRANÇA) – 34 anos

 

Mestre em Filosofia. Professor Concursado de “Jornadas Temáticas I” da FATEC-Americana, em Americana/SP, e Professor Titular de Filosofia da Diretoria Regional de Ensino de Sumaré, na EE João Franceschini, em Sumaré/SP, Brasil, onde reside.

 

 

 


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