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Evangelizar o Sexo

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Numa crónica recente de Frei Bento Domingues no Público falava-se na necessidade de evangelizar a sexualidade. Não posso estar mais de acordo.

 

Numa época em que já ninguém recorre, principalmente os jovens, ao padre para pedir conselhos sobre a sua vida íntima, a Igreja tem vivido, progressivamente, a afastar-se de toda a ebulição social que caracteriza o nosso tempo. O panorama pode, resumidamente, caracterizar-se do seguinte modo: as vocações escasseiam em parte pela visão ultrapassada do Vaticano sobre o celibato e a sexualidade em geral; os poucos padres que saem dos Seminários estão perfeitamente às escuras sobre estes temas não podendo ajudar, convenientemente, os jovens que a eles poderiam recorrer; os psiquiatras e os psicólogos estão cheios de clientes que, num contexto de uma outra Igreja, poderiam ver resolvidas muitas das suas dúvidas e frustrações. Não vale a pena nos púlpitos invectivar-se contra o materialismo vigente e a falta de espiritualidade das novas gerações se elas não vão à missa e desconfiam, por preconceito e não só, da Igreja Católica. O que seria bom era que os novos padres tivessem formação adequada nas áreas da sexualidade – o que implicaria a reformulação dos conteúdos administrados nos Seminários – e que viessem para o “mundo” dos jovens e aprendessem com eles as suas angústias que muitas vezes levam a praticas pouco benéficas para a sua saúde física e emocional. Precisam-se pois de novos padres – muitos frei Bentos – que tenham do sacerdócio uma visão alargada aos problemas da sociedade sem tabus de qualquer espécie. Os jovens, na sua generosidade, têm fome de espiritualidade e é preciso que alguém lhes diga que isso é benéfico para a sua formação integral e que não é incompatível com a sua vida sexual, seja ela qual for. No caminho espiritual que quiserem encetar terão depois oportunidade de pôr em questão muitas coisas e com certeza uma delas será a sua prática sexual. Mas aí, será uma opção pessoal e reflectida e não uma imposição exterior e antiquada que eles não percebem nem aceitam. Evangelizar o sexo é no fundo dar-lhe o significado maior que ele pode ter ou seja a prática da comunhão de afectos entre duas pessoas, num substrato de  um amor mais universal.

José Dias Egipto

22 Out 2008

 


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