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“Bendita” Crise

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Já não se pode mais ouvir falar da crise que nos atinge. Na televisão, na rádio, nos jornais, nos mais variados sítios se fala nela, como se o mundo fosse acabar amanhã.

 

A crise anda, de facto, na cabeça das pessoas. Pena é que lá dentro, nas circunvoluções cerebrais, nas as faça reflectir um pouco sobre as causas e consequências de tal situação. As crises, em todos os aspectos da vida, são pontos de partida para a mudança e para o aperfeiçoamento futuro. Seria bom que todos pensássemos que esta crise fomos nós que a criamos e que, por isso mesmo, cabe-nos a nós, e só a nós, mudar de vida para a vencer. Não fomos nós que fomentamos a sociedade da abundância, do desperdício e do hedonismo? Que nos preocupamos somente em adquirir bens de consumo que no dia seguinte deitávamos fora por inúteis? Não seria esta uma outra crise? Se assim foi está na hora de repensar todos esses comportamentos compulsivos e viver mais de acordo com os ritmos da Natureza, usufruindo o que nos é fundamental – o trabalho motivador, a paz interior e o bem-estar emocional. Muitas vezes as sociedades precisam destes abanões para se regenerar e esta parece-me uma boa altura para pormos em causa todo o nosso sistema de vida anterior e procurar meia dúzia de valores espirituais que nos norteiem. O planeta vai agradecer, a saúde mental melhorará e o dia-a-dia da vida – e não da “vidinha” - fará mais sentido. A crise poderá ser, assim, a médio e longo prazo, bem-vinda. Pena é que muitos, a quem foi criada a ilusão de tudo poder ter, se vejam agora aflitos para pagar os loucos compromissos financeiros em que caíram, e sofram por isso de piores condições materiais de vida. Talvez um dia possamos todos viver com menos bens materiais mas com maior qualidade de vida – assim os políticos, a nível mundial, queiram ver, perceber e legislar!

José Dia Egipto

30 Out 2008

 


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