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Avaliação dos Valores ou dos Professores?

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Os portugueses têm um péssimo hábito – opinar sobre aquilo que não sabem. Fazem-no em todos os fóruns, quer seja na rádio, na televisão ou até nos jornais.

 

Não se pense que são só dos cidadãos anónimos de quem estou a falar; não, são também dos muitos jornalistas e comentadores profissionais que todos conhecemos. Vem isto a propósito das “barbaridades” que tenho lido e ouvido sobre o diferendo entre os professores e a ministra da educação. Só quem conhece o dia-a-dia das escolas devia estar habilitado a falar sobre o estado a que chegou o ensino público em Portugal. Infelizmente isso não acontece e a discussão foi unicamente centrada na avaliação dos professores como se isso fosse a única causa do mal-estar que se vive nas escolas. Porque será que nenhum desses comentadores e jornalistas pôs alguma vez a questão do significado do abandono em massa, com prejuízo financeiro importante, da maioria dos professores com maior experiencia, que se tem ultimamente verificado? Este caso é inédito em Portugal. Nunca milhares de profissionais de uma mesma categoria profissional pediram, no mesmo ano, a reforma antecipada como o que está a acontecer entre os professores. Porque será que os professores com mais anos de serviço, com maior prática e melhor formação, abandonam o seu trabalho ao qual tanto se dedicaram e de que tanto gostam? Só este aspecto mereceria a maior atenção do Ministério e de todos os “peritos” na matéria que papagueiam banalidades, sem cessar, nos meios de comunicação social. Muito teria a dizer, como pediatra, do “estado” em que as crianças chegam á escola e da minha grande compreensão pelo trabalho meritório dos professores na educação das crianças e das famílias. A escola mudou muito porque a sociedade está completamente diferente da que existia nos anos setenta e oitenta do século passado. Nessa altura aos professores exigia-se a boa transmissão dos saberes ou seja a boa instrução e nada mais. Hoje pede-se que sejam educadores, assistentes sociais, animadores culturais, substitutos e, ou, educadores de pais e ainda que dêem aulas e transmitam os saberes. No final de cada ano exige-se também que todos os alunos passem sob pena de se comprometerem as estatísticas do Ministério ou de se correr o risco de ser agredido por um pai, semi-analfabeto, “ cheio de razão”. A Ministra sabe que tudo isto existe e para compensar os professores desse esforço inventou uma caterva de regras de avaliação que só trará mais facilitismo e desânimo ao ambiente escolar. Como prova que não é o problema da avaliação o que está verdadeiramente em causa está o facto, insofismável, de que são precisamente os professores que seriam, por ventura, por ela mais bem classificados que estão a abandonar em massa as escolas. Não serão, afinal, outros os “Valores” que estão em causa?

José Dias Egipto

17 Nov 2008

 


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