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O valor simbólico do casamento homossexual

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O programa Prós e Contras da RTP, do dia 16 de Fevereiro, sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo, revelou-se um exercício fastidioso de argumentos já demasiado gastos sobre o assunto.

 

Houve porém uma intervenção final que pôs o dedo na ferida do problema – o valor simbólico do casamento. De facto é apenas este, aparente, pequeno detalhe que divide as opiniões das pessoas. Não deixa de ser curioso que, num tempo em que se depreciam os rituais – sejam eles quais forem – sejam os homossexuais a querer ritualizar a sua ligação afectiva. Desde os anos 60 do século passado que a juventude encetou um caminho de contestação a tudo que lhe parecia formal; a tudo que implicasse papéis para assinar a legalização das suas situações amorosas. O casamento foi perdendo prestígio e as uniões de facto proliferaram até hoje. Voltar a querer casar hoje é um sintoma da necessidade de tornar a querer, de modo diverso, “sacralizar” os grandes momentos da vida de cada um e este facto é para mim algo de positivo. O ritual do casamento em si e a participação dos amigos e da família na cerimónia são um enorme apoio para engrandecer a fantasia de qualquer união na base dos afectos e mesmo noutros campos sociais. É este sentido mais elevado que os homossexuais buscam e a que os heterossexuais não querem abrir mão; querem ter o exclusivo desses momentos mágicos só para eles, estando dispostos, contudo, a dar aos homossexuais todas as prerrogativas legais do casamento. Tudo menos o nome! Parece-me assim que, sabendo-se, em teoria, que a união amorosa que não corresponde aos padrões legais e sociais é mais difícil de manter, a atitude de proibir o casamento homossexual é, na sua essência, perversa e egoísta. Como católico que sou, a minha visão do casamento é bem mais abrangente e grandiosa porque o considero um sacramento. O matrimónio católico ultrapassa, simbolicamente, qualquer casamento civil e isso é aliciante para os que têm fé. Mesmo aqueles que não a tem optam por ele – muitas vezes com a complacência da Igreja – só para engrandecerem o acto e torná-lo, assim, mais simbólico e significativo. Não me admiraria, pois, se daqui a uns anos os católicos homossexuais não quisessem, também, sentir toda a carga espiritual e simbólica do casamento religioso; mas para isso acontecer - o que não acredito para o meu tempo - teria que haver um terramoto espiritual no Vaticano!

José Dias Egipto

18 Fev. 2009

 


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