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Portugal terá cura?

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O simples facto de uma sociedade poder sequer imaginar que algum seu
governante ou pessoa com influência na governação possa estar envolvido
em alguma actividade criminosa é, por si só, um mau sintoma. Mas
quando não se trata só de imaginação e uma grande parte dessa
sociedade até acredita que dirigentes seus estão envolvidos em corrupção
e outros crimes, isso já é doença. Isso é sintoma de uma sociedade
doente. Profundamente doente.
Será que ainda pode haver algum remédio que cure tamanha doença?

 

 

 

 Fernando Cruz Gomes

Sei lá... se Portugal tem cura. O que sei é que quero tomar o meu café gostoso e aromático. Esquecer por momentos as agruras da nossa atávica maneira de ser. E pedir desculpas por tão longo interregno... eu que tanto gostava da sombra benfazeja e amiga do Portugal em Linha.

Depois... direi que já passou muita água sob as pontes desde a última vez que por aqui entrei. Muita água, sim. Imaginem que até me "ruaram" da Lusa, que eu servia - por esse nome e pelos outros que antes a enformavam... - há cerca de vinte anos. Neste caso, o que mais me doeu foi ver que este Executivo que nos (des)governa não teve coragem de admitir que me despedia. Mandou às malvas a transparência. Não. Apenas me comunicou que não me renovava o contracto. Preferível era que dissesse que eu me tornei incómodo. Que, eleito Presidente de uma coisa que se chamava Associação Internacional de Jornalistas - com a direcção espalhada por todo o mundo - me tornei "persona non grata" por ter tido a ousadia de assinar umas quantas notas, em nome dos Jornalistas da diáspora que, pelos vistos, não agradaram a quem manda, sobretudo ao pequeno senhor que ainda se chama Secretário de Estado das Comunidades!

Mas, adiante, que mesmo assim, tudo isto me deu a dimensão de que nem tudo está podre no reino da Dina... perdão, neste Portugal que todos amamos. É que, pelo menos dois Grupos Parlamentares levantaram o meu caso na Assembleia da República. E terçaram armas por mim, chamando-me os mais bonitos nomes que um Jornalista pode aspirar.

Não deu resultado algum... mas afagou-me o ego.

Posto isto, vamos então para a fogueira.

Será que pode haver algum remédio que cure tamanha doença?

Eu acho que sim. Basta que o sr. Sócrates - um rapaz toda "prafrentex"... - acorde, um dia, com a noção de que deve dizer tudo ao contrário do que tem feito até aqui. Ou melhor... que aprenda a falar menos e a agir mais. Que se escude por sobre o manto da verdade e, depois de se confessar a um sacerdote que não seja só passa-culpas... comece a trabalhar.

É que, de facto, Sócrates - não sei se pelo nome se por outra razão qualquer - sabe o que faz. Entende os meandros do que "toca". Só que em vez de transformar tudo em ouro como tal Midas... transforma tudo em... (isso mesmo). E transforma tudo nisso porque em vez de se embrenhar na solução de cinco ou seis casos e sectores, abocanha tudo e todos mas... não consegue mastigar nenhum. Faz assim a modos que uma mexerufada niilista. E deixa tudo pior do que estava...

Para já, ninguém lhe pode assacar o crime de não fazer nada. É que ele mexe em tudo. Gesticula. Faz que anda. Qual malabarista serôdio, tira uns quantos coelhos da cartola. Faz uma espécie de diálogo de... fala-só. E por entre duas ou três entregas do tal Magalhães... diz coisas de interesse mas sem nexo. E sem nexo por ele saber que não pode concretizar nenhuma. Ou quase nenhuma, vamos lá...

Ganhou o Partido mas falta ganhar o País

Há dias (não muitos) foi uma alegria pegada. Embandeiraram todos em arco. Cantaram loas ao chefe. Vitoriaram os feitos e entenderam que assim é que é. José Sócrates foi eleito - imaginem - com 96% dos votos. E mesmo não tendo conseguido ultrapassar os 98,9% de uma vitória de Guterres... chega a parecer que teve um grande triunfo. Vitória gorda. Igual à que, não há muito, Cavaco Silva teve no seu Partido, quando das suas maiorias absolutas.

Só que... Sócrates não teve ninguém que aparecesse a disputar-lhe o lugar. Correu sozinho. Venceu, eventualmente, os medos dos outros, as suas sombras, as suas indecisões.

Alguém dizia, não há muito, que vencer directas, assim, sem opositor, chega a ser a expressão mais evidente de uma certa pobreza partidária. Não representa mais do que isso. Sem debate interno. Sem o frente-a-frente, olhos nos olhos, daqueles que, no dia-a-dia, se dizem contra, se manifestam doridos com tanta pobreza da tal vida partidária, dos que, no fundo, não gostam do estilo socrático. É que nem Manuel Alegre se chegou à frente. Nem ele nem muitos dos contestatários do estilo de Sócrates. Manuel Alegre, que já foi acérrimo defensor das directas para eleger o secretário-geral do PS,  diz agora que o sistema fracassou. "Sou contra as directas", acrescenta para argumentar que, com este sistema, este sistema "todo o debate fica muito centrado nas pessoas e pouco nas ideias". Sobretudo quando só há um candidato.

O PS está assim unido. Pelo menos, parece. Embora se anote já o tal punho cerrado... que pode redundar em "murro" que chegue para partir a louça toda.

Para já, a despeito de tudo, Sócrates ganhou. Ainda que tendo apenas votado uma escassa minoria. Os outros - cerca de dois terços dos militantes "rosa" - e que nem as quotas tinham pago... ficaram-se longe. Sem contar sequer para a abstenção. A Sócrates falta, agora, apenas ganhar o País. O que talvez nem seja muito difícil. Sobretudo agora que se está a fazer verdade em casos... que eram, no dizer dos apaniguados do Poder, "manobras escuras", calúnias e aleivosias.

É que a economia lusa - que antes Governo e sequazes diziam estar quase em grande... - afundou-se literalmente. Sem apelo nem agravo. Só no último trimestre do ano que já lá vai... foram 2 por cento.  Já não se pode dizer que Portugal estava a resistir à crise, graças ao trabalho "de casa" do Governo. Pelo contrário, tem de se entrar no jogo da verdade. As mentiras oficiais já não colam.

Está a ser difícil, mas as mesmas pessoas que antes atiravam aos ares com as mentiras oficiais e as meias verdades... estão agora obrigadas a mudar o bico ao prego. Com campanhas de informação. Com incentivos ao emprego. Com o corte radical com as ideias megalómanas. Com o fortalecimento das classes médias. Sem estas verdades... não vamos a lado algum. E José Sócrates, que venceu agora o Partido... não consegue vencer o País. Ai não consegue, não...

O terramoto político já se fez sentir

De resto, já nem dá para entender. E o povo começa a não entender tantas manhas. Tantos saltos para a frente. A irem ter com um indivíduo que deveria ser impoluto e vertical. Como pretende ser. Há mesmo um terramoto político que está a chegar aos pés de José Sócrates. Numa das últimas semana... foi um ver-se-te-avias... foi pródiga em avanços e recuos, em ditos e mexericos. E como "à mulher de César... não basta não ser mal comportada... mas tem de parecê-lo" - onde é que já ouvi isto?! - algo terá de ser feito. É que na história da licenciatura - uma história mal contada e que ficou por contar... - ele pisgou-se como se entre pingos da chuva. E todos se acomodaram ao silêncio ainda que, se o caso ocorresse em países que conhecemos...o senhor já tinha sido ruado por indecente e má figura...

Agora... como se não bastasse o que lá vai, hemos de concluir - como alguém dizia nas últimas horas - depois de um José Sócrates mal licenciado, temos agora uma coisa mal licenciada por José Sócrates. E se não é... parece.

Há mosquitos a mais. Daqueles que voam demasiadamente alto e chegam à "bêbeda" Inglaterra como lhe chamava Guerra Junqueiro. E daqueles lados... não é norma perdoarem agravos ou deixarem que as contas não fiquem fechadas. Temos exemplos disso, ao longo de toda uma História comum.

O caso da Freeport é, de facto, um caso que começa a cheirar mal. E de tal modo que um dos priminhos - Hugo de seu nome - achou preferível ir para a terra do sol nascente e de lá pedir ao outro irmão Nuno para tomar conta do barco. Não há maneira de se perceber o imbróglio. Não são - não podem ser - apenas e só calúnias. Sócrates tem de vir a terreiro dizer algo. Mas dizer... com calma. Sem se irritar. Sem assobiar para o lado, como é seu timbre. Tem de responder ao que por aí vai. A tese da cabala - tão do agrado dos socialistas, pelo menos nos últimos tempos - já não pega. A Sócrates não se aguentam mais teorias da conspiração. Até por ter sido ele que, três dias antes das eleições legislativas de 14 de Março de 2002,  despachou o processo. Um processo a que já se tinha negado o OK há uns bons anos atrás. E isto sem discussão pública, sem estudos técnicos de base e sem a consulta indispensável à União Europeia.

A própria Policia Judiciária iniciou a investigação, baseada numa denúncia anónima, em finais de 2004. O Ministério Público  abriu um inquértito. E há suspeitas de corrupção, de tráfico de influências, participação em negócio ilícito e fraude fiscal. Em Inglaterra o inquérito começava em 2007. Smith, a figura mais visível do tal "Freeport" (e um dos arguidos),  para se safar de certas falhas de contas, disse que houve "luvas" pagas a empresários, a políticos. E referiu-se a um primo do então ministro do Ambiente, José Sócrates, que também teria recebido comissões.

Era o Hugo Monteiro, que agora está na China. E que, em tempos, teria enviado uma nota à Freeport a pedir contrapartidas financeiras pelo encontro promovido, na altura, pelo seu pai e José Sócrates.

Tudo visto, é história que cheira mal. E que tirará o sono a quem tem obrigação de governar. Sobretudo agora que a crise está para durar... As trapalhadas são, afinal, muito mais do que as que levaram um outro Presidente a fazer cair um certo Governo... que tinha maioria na Assembleia.

Tudo visto... ainda vamos a tempo de inverter a marcha que faz com que o Povo não acredite nos políticos que tem? Se estivessemos em tempo disso - e não estamos, felizmente - já se tinham ouvido as botas cardadas dos soldados por tudo quanto é sítio. Agora, assim, parece que o melhor é deixar andar. Olhe... talvez assobiar para o lado, como o sr. Sócrates faz tantas vezes. Sobretudo quando lhe dizem que o melhor, nesta coisa do Freeport, era mesmo deixar ver todas as suas contas, as contas da sua amada mãe... para se ver que ele "não deve nem teme..."
 

Fernando Cruz Gomes

   Orlando Castro

Embora exista (ainda bem) a presunção de inocência, é um facto que a
todos, mas sobretudo aos que dirigem o país, não basta ser sério. Além
disso, somando os casos mais recentes (Freeport, Portucale, BPN, BCP, BPP
etc.), verifica-se que existe uma classe (mistura de políticos com
gestores e financeiros) que é dona do país.

Pelos exemplos recentes, num país que quer (ou é obrigado) a levar ao
extremo a máxima dos brandos costumes, quase se pode concluir que Portugal
se transformou apenas num local muito mal frequentado, com múltiplos
canais que abastecem um perigoso e gangrenado submundo.

Aliás, bastam alguns tópicos para se concluir que as diferenças entre
Portugal e o Burkina Faso são poucas. As "off-shores" e o endeusamento do
segredo bancário são, pelo memos para mim, um instrumento que alguns
dispõem para cometer crimes e passarem ao lado da justiça.

Os mais recentes casos, mesmo que o primeiro-ministro os rotule de
"campanha negra", mostram tanta promiscuidade entre o dinheiro e a
política que não é difícil concluir que Portugal teima em viver com pelo
menos um pé do outro lado da legalidade democrática e das regras de um
Estado de Direito.

É por isso que os actores deste drama, sobretudo políticos e financeiros,
se apresentam (e assim é na realidade) como uma elite que defende apenas
os seus interesses, que em vez de servir o país se serve dele.

Paradigma de tudo isto, mau grado aparecerem na ribalta sonantes nomes da
política e das finanças, é o facto de quase 100% das pessoas que estão nas
cadeias portugueses serem pobres.

Não é bem assim? Ai não, não é. Recordam-se de uma mulher que furtou um pó
de arroz num supermecado?  Foi detida e julgada. No entanto, roubar
(desviar, afanar, furtar) centenas de milhões de euros de um banco poderá,
ou não, ser crime.

É claro que do ponto de vista académico, como diz o Procurador-Geral da
República, "ninguém está acima da lei". Se calhar não é bem assim. Até
porque o pilha-galinhas não é Conselheiro de Estado nem primeiro-ministro
e, por isso, não tem a imunidade que lhe garanta a impunidade.

É por tudo isto que a corrupção vai somando crescentes pontos em Portugal.
Creio que a mais grave por ser mortal para o país é "a corrupção
política", a que (vejam-se os casos  Freeport ou Portucale)  envolve as
grandes empreitadas do Estado ou a compra de muitos milhões de euros em
equipamentos.

Será então culpa do sistema judicial? Não. Desde logo porque o sistema
judicial (também) é amamentado pelo seu congénere político, e este é o que
põe e dispõe.

Creio, contudo, que Portugal ainda pode ter cura. No entanto, se demorar
muito a ser ministrada a necessária medicação radical, um dia destes
chegaremos à conclusão que na altura em que Portugal estava quase a saber
viver como um país digno... morreu.

Nota à margem: É um redobrado prazer e privilégio voltar a tomar um café
luso, aqui nesta mesa, com o Mestre Fernando Cruz Gomes.


Orlando Castro

 


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