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Para onde vai Portugal?

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O que o povo anónimo vai dizendo à boca pequena já começa a ser dito
por pessoas com estatuto e reconhecido mérito. A entrevista do Dr. Medina
Carreira à SIC Notícias (*) é de pôr os cabelos em pé pela crueza e
desassombro das suas palavras.
Enquanto não houver escolas que ensinem, tribunais que julguem,
políticos que não sejam corruptos, este país não vai lá. Diz, entre outras
coisas, Medina Carreira... Num país que se endivida a um ritmo de 48
milhões de Euros por dia a população devia viver bem... faz sentido.
António Barreto escreveu que neste país ficar com dinheiro alheio é não
ser parvo...
Quando o sentimento de descalabro, de corrupção descarada, de impunidade, de compadrio afinal já não consegue ser calada é sinal de que este país está mesmo a um passo do abismo. Para onde vai Portugal? O que é que tem que ser feito para que se possa inverter este caminho
suicidário?
(*) Esta entrevista pode ser vista no video que temos publicado, em tres partes, aqui ao lado.

 

 Fernando Cruz Gomes

Antes de mais... deixem-me contar uma história. Quando eu andava a subir a íngreme escada dos Jornais, ainda nos chamávamos camaradas. Ainda não tinham  vindo certos partidos políticos roubar-nos a designação. Ainda era "bom" chamarmo-nos camaradas. E aí até dava para fazer destrinças. É que, por exemplo, se Orlando Castro fosse mesmo camarada... nós quando nos referíamos a ele, dizíamos pura e simplesmente... que o Camarada OC fez isto e aquilo. Se ele o não fosse, escrevíamos mais ou menos assim: Orlando Castro - ou sr. Orlando Castro - redactor do jornal Tal...
Agora, não. De qualquer modo, vou limpar um pingo de café que me escorreu do dito cujo que tomei, há uns dias atrás. Caiu-me, de resto, sem que tivesse possibilidades de o evitar. É que o camarada Orlando de Castro - camarada, sim... - disse uma ou duas palavras bonitas a meu respeito. E eu quero, desde já, dizer-lhe que não tenho nada com isso... nem lhe paguei o café. Que o saiba... quem o pagou foi mesmo o António Ribeiro. Limpei o pingo de café e... vamos lá andando, que o António não me paga... para eu estar aqui a encanar a perna à rã...

Não concordo nem um bocadinho com o Medina Carreira. Não concordo, pronto. Então ele ainda não viu que todos os nossos políticos fazem tudo para nos levantar o moral? Que dão tratos de polé à imaginação para melhorar o nível de vida do povo? Que com papas e bolos - e muitos "Magalhães" - nos vão apanhando o "fraquinho"? - Ele já deveria ter visto isto. E deveria até enfileirar no número daqueles que cantam loas a este Governo... que nos governa (salvo seja...)


É evidente que temos uns quantos milhares de postos de trabalho que foram "passear" para outras paragens. Que temos filhos e netos nossos a nascer nas ambulâncias, quando não têm tempo de chegar a Badajoz. Que temos os nossos meninos a terem de ir de autocarro ou de táxi... para a escola, por lhe terem fechado aquela onde os pais e avós aprenderam. É evidente, é evidente...! Só que o Governo não pode fazer tudo, não é?!


E, de resto, o nosso Povo também é mauzinho. Não gostou do Salazar. Não gostou do Mário Soares nem do António Guterres. Agora... nem gosta do "São" José Sócrates.


E este Governo vai fazendo de contas que anda... sem andar. Vai fazendo muito barulho em torno de umas migalhas de soluções que trouxe à vida de todos nós. E esquece o grosso da coluna de asneiras e fracassos que teve de inscrever no Livro do "Deve" e "Haver".


O Governo em "desnorte"
Alguém dizia, não há muito, que o Governo Português faria muito melhor em se preocupar com a crise económica que grassa por toda a parte do que com questões de lana caprina, como o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Ou até com a euranásia. Não seremos nós que negaremos "força" à asserção. Sobretudo porque - como ainda recentemente lemos no "Diário de Notícias" - à União das Misericórdias Portuguesas estão a chegar, todas as semanas, dezenas de pedidos de ajuda alimentar. E os pedidos chegam até por e-mail. Segundo o presidente daquela União, são pessoas com um perfil diferente, que não vivem na miséria, mas estão à beira de entrar na pobreza, como explicou ao Jornal, acrescentando que este é um fenómeno que se veio a sentir desde o início do ano, quando se intensificaram os problemas económicos.


E fala-se no aumento dos preços dos alimentos e dos combustíveis. É a crise que parece afectar já a chamada classe média. Uma classe média que está cada vez mais sacrificada. E que vai desaparecendo, apertada, por um  lado, pelos cada vez mais ricos e, por outro, pelos cada vez mais pobres.
É que nas tais Misericórdias havia idosos que iam almoçar uma vez por semana e agora aparecem todos os dias. Havia jovens e crianças... que ou não iam por lá ou iam apenas uma vez por festa. Hoje... vão todos os dias. E algo envergonhados. Ficam-se a um canto. Comem num ápice  e vão-se embora, como que envolvidos numa onda de vergonha.


Vergonha, não é? Vergonha é o que o Governo deveria ter. Este Governo... não o sistema democrático, já que a democracia não tem culpa dos incompetentes que enchem os salões do Poder.
A classe média já pede esmola
Quando até a classe média pede ajuda alimentar... algo vai mal.


E o próprio Fundo Monetário Internacional ainda agora abriu um pouco o véu, ao dizer que os problemas económicos em Portugal têm causas internas. Exactamente, internas. Que têm a ver com a incompetência, com a corrupção. E talvez até, como ainda há dias acentuava José Maria Martins, pela "subserviência e estúpida dependência em relação a Espanha".


Há, de facto, políticos sem experiência alguma de vida. Que, por alturas do "25 de Abril" eram uns miúdos. Que foram subindo, subindo... na escala dos partidos, mas sem preparação adequada. Há enriquecimento desmedido, a todo o vapor. Mesmo por entre escândalos e mais escândalos, que ninguém condena.


Aí temos nós, agora, um Portugal de pernas para o ar. Onde até a classe média começa a ter fome. E a pedir esmola. E a juntar-se a mais de dois milhões de pobres que já tínhamos. E mesmo os acordos que se fazem com Angola e com a Líbia, para não falarmos já na Venezuela, são bem capazes de não poder ser cumpridos. É que não nos parece que haja produção suficiente para os rendabilizar.


Os Portugueses - pelo menos os que podem - vão emigrando. Para fugir ao descontrolo governativo. Para fugir à fome.
Verdade. Enquanto não houver escolas que ensinem, tribunais que julguem, políticos que não sejam corruptos, este país não vai lá. Medina Carreira dixit... como o vai dizendo, todos os dias, este povo bom que não tem tido a sorte de ter um Governo que tenha criatividade... para lhe apanhar o jeito, de aproveitar as boas qualidades que tem.

Para onde vai Portugal? O que é que tem que ser feito para que se possa inverter este caminho suicidário? Pois... não sabemos. O que sabemos é que, se fosse possível... se fosse possível... já a esta hora se ouviam por toda a parte as botas cardadas dos militares. Mas... não é possível.

 
Fernando Cruz Gomes

   Orlando Castro

Costumo dizer que as ocidentais praias lusitanas situadas a norte, embora
cada vez mais a sul, de Marrocos estão cada vez mais próximas de duas
únicas alternativas.

Portugal ou se afunda totalmente e passa o testemunho a uma comissão
liquidatária liderada por Espanha, ou assume que quer ser uma espécie de
Burkina Faso da Europa.

Aliás, nada disto é novo. Há mais de 500 anos que os nossos antepassados
sabiam que o reino não tinha futuro se aceitasse passivamente estar
limitado às actuais fronteiras. Foi por isso que, num daqueles rasgos de
heroicidade que nos causam hoje inveja, resolveram dar luz ao mudo.

Lembram-se que foi um português que disse "De África tem marítimos
assentos; É na Ásia mais que todas soberana; Na quarta parte nova os
campos ara; E se mais mundo houvera, lá chegara!"?

Regressemos, entretanto, à versão sul-europeia do Burkina Faso.

Portugal continua, de facto e cada vez mais de jure, sem ser um país, sem
ser um Estado de Direito. É cada vez mais um local muito mal frequentado
em que uma reduzida casta de "nobres" donos da verdade escraviza toda a
plebe, tratando-a como se fossem escravos. E já faltou mais para o
serem.

Em Portugal nada funciona bem para a esmagadora maioria, embora funcione
quase na perfeição para os que estão no poder e, é claro, para os que têm
esperanças de lá chegar a curto prazo.

Segundo a Transparency International, mais de meio mundo acredita que
partidos, parlamentos, polícia e tribunais são as instituições mais
atingidas por uma corrupção quotidiana generalizada.

Todavia, no caso do tal reino das ocidentais praias lusitanas, tudo se
resolverá com o tal "apelo à cidadania responsável e participativa" para a
qual, penso, é fundamental que os portugueses se inscrevam nas
organizações mais incólumes à corrupção e que, nesta altura, são com
certeza os partidos nacionais, a começar pelo Socialista de José
Sócrates.

Mas nada disto é relevante. Importa é salientar o orgulho luso de ver
Sócrates dizer a Durão Barroso: "Conseguimos, pá!".

Ao que parece, 70% dos portugueses  (claramente manipulados pelas forças
do mal que só sabem fazer campanhas negras) considera os partidos
políticos (isto é, aqueles seitas consideradas vitais nas democracias) as
instituições mais corruptas.

Mas poderá lá ser! Corrupção nos partidos portugueses? Certamente que
Transparency International se esqueceu de ouvir os militantes socialistas,
os candidatos a militantes socialistas, os desempregados que querem ser
socialistas para arranjar emprego, os empregados à custa do PS etc.

Se os tivesse ouvido saberíamos que no partido de José Sócrates a
corrupção não entra. E não entra porque já lá está, porque nunca de lá
saiu, digo eu.

"Hoje somos confrontados diariamente com dramas pessoais e familiares que
dificilmente poderíamos imaginar. São dramas que as estatísticas nem
sempre revelam, mas que nos vão alertando para a dimensão social que a
actual crise económica e financeira tem vindo a assumir", declarou o chefe
de Estado português um dia destes.

Que Cavaco Silva tenha dificuldade em imaginar os múltiplos dramas dos
portugueses, ainda vá que não vá. Não pode, contudo, é escudar-se na
ignorância de quem vive longe do país real para sacudir a água do capote e
para fingir que não sabe que Portugal talvez gostasse de ser mas (ainda)
não é  um Estado de Direito.

Cavaco Silva e os seus assessores estão a levar demasiado tempo para ver
o diagnóstico que há muito foi feito por quem, mesmo desempregado, não
penhorou a liberdade de opinião.

Um Estado de Direito conquista-se quando se não tem medo de dizer a
verdade. E esta, quer o presidente queira ou não, não é pertença nem do
queixoso, nem do réu, nem do juiz e muito menos daqueles que têm dinheiro
para comprar o queixoso, o réu e o juiz.

Os políticos de uma forma geral, sejam o Presidente da República, os
membros do Governo, os deputados ou autarcas, teimam em tapar o sol com
uma peneira, mesmo quando o fazem a meio da noite.

De um presidente de um Estado de Direito (eu sei que não é o caso de
Portugal) esperar-se-ia que tomasse medidas para castigar tanto o ladrão
que entra em casa como o que fica à porta. Mas não. Cavaco Silva, na sua
qualidade de mais alto magistrado da nação, parece querer castigar as
vítimas e não os ladrões.

De um presidente de um Estado de Direito (eu sei que não é o caso de
Portugal) esperar-se-ia que visse a quem beneficia a infracção, que
argumentos usa para cilindrar a liberdade e sobretudo porque o faz de
forma completamente impune.

De um presidente de um Estado de Direito (eu sei que não é o caso de
Portugal) esperar-se-ia que procurasse - por exemplo - saber como é
possível a uma empresa despedir dezenas de trabalhadores quando, poucos
meses antes, os donos e ou administradores gastaram mais de 500 mil euros em carros novos para seu uso pessoal.

De um presidente de um Estado de Direito (eu sei que não é o caso de
Portugal) esperar-se-ia muita coisa. E não apenas o óbvio para tudo
continuar na mesma, para uns relembrarem o António (de Oliveira Salazar) e
outros a necessidade de uma nova revolução.

Pois! Mas ainda há uns (e não são poucos) para quem a coisa só se revolve
a tiro. Parece-me uma boa opção. Temo, contudo, que ao escolher-se a
política do olho por olho, dente por dente, fiquemos todos cegos e
desdentados. E se calhar os responsáveis pela tragédia vão continuar a ter
pelo meos um olho e dois dentes...

De uma coisa os portugueses não podem esquecer-se: Como dizia Platão: "O
castigo por não participares na política é acabares por ser governado por
quem te é inferior."

Orlando Castro

 


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