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Sócrates na educação: ontem e hoje!

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<span style="font-size: 12pt; font-family: 'Times New Roman'"><span style="color: #000000">Sócrates é um dos grandes mestres da história da humanidade. Seu método fundamentava-se indissociavelmente na ironia e na maiêutica. Como maieuta, semelhante a um obstetra, dava luz às idéias; através da ironia emitia sarcasmos, e, às vezes, até ridicularizava os interlocutores, sobretudo quando pretensiosamente arrogavam o domínio de algum conhecimento. <o:p></o:p></span></span>
 
<span style="font-size: 12pt; font-family: 'Times New Roman'"><span style="color: #000000"> </span></span>
 
<span style="font-size: 12pt; font-family: 'Times New Roman'"><span style="color: #000000">Segundo consta, no Templo de Delfos, a Pítia teria vaticinado a Querefonte que Sócrates era o homem mais sábio. Questionando um, interpelando outro e descobrindo que estes nada sabiam, Sócrates conseguiu reunir muitos inimigos. Por outro lado, os jovens o acompanhavam, desejosos em conhecer essa extraordinária razão negativa, que intenta decompor e esmiuçar para, somente depois, sintetizar, sempre predisposto a repensar a essência e o valor do conceito. Pergunta-nos o administrador de empresas, de Sumaré, Reginaldo Caldeira<b>: </b>como Sócrates se sairia como professor da rede pública de ensino em nossos dias? <o:p></o:p></span></span>
Certamente o esposo de Dona Xantipa teria alguns empecilhos:

1) As indagações são a essência da filosofia, enquanto os jovens atuais, em permanente crise de identidade, influenciados pela cultura de massa que propaga valores efêmeros, querem respostas fáceis, imediatas e conclusivas;

2) O pensamento supõe reflexão, tempo, concentração, aceitação, conflito, ao passo que os jovens são avessos à contemplação e ao silêncio e afeitos à agitação, salvo honrosas exceções;

3) A maiêutica socrática despertaria a atenção em algumas aulas, depois seria menosprezada por ser aborrecedora;

4) Quanto à ironia, sem chance: o artigo 18 do Estatuto da Criança do Adolescente em vigência no Brasil (Lei 8069/90) a interdiz;

5) Sócrates tinha um seleto grupo de ouvintes, nós recebemos 40 estudantes por sala, às vezes, são mais de 55;

6) O ensino-aprendizagem era espontâneo; quem quisesse aprender, bastava segui-lo, hoje, o estudante vem às aulas nem sempre com o intuito de adquirir e criar novos conhecimentos, muito menos freqüenta voluntariamente.

Não obstante, as interrogações da Grécia clássica são as mesmas de hoje. O que mudou foi a motivação dos jovens, decorrência do excludente mercado de trabalho e a indefinição quanto ao futuro. Se no passado, os inimigos de Sócrates o assassinaram obrigando-o a beber cicuta, hoje, talvez morresse de causas naturais: tédio, úlcera ou infarto, um trágico fim para quem sempre amou o que fez e faz, como nossos educadores e educadoras mal remunerados, sem a quem recorrer nas intempéries de sala de aula.   

BENEDITO LUCIANO ANTUNES DE FRANÇA (PROF. BENÊ FRANÇA) – 35 anos

 

Mestre em Filosofia. Professor de Jornadas Temáticas I na FATEC-Americana, em Americana/SP, de Criatividade e Inovação na FATEC-Bragança Paulista, em Bragança Paulista/SP, e Professor de Filosofia da EE João Franceschini, em Sumaré/SP, Brasil.


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