Muno - uma lição e economia |
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Muno era um menino que gostava muito, muito de ganhar presentes. Todos os dias esperava pelo pai na porta e sempre perguntava: - Hoje é dia de presente? E o pai, abraçando Muno respondia: - Não Muno, hoje não é Natal, não é seu aniversário, não é Páscoa. Não é dia de ganhar presente. Mas Muno era um menininho muito esperto e tentava sempre convencer o pai: - Mas eu não mereço um presentinho? Eu fiquei bonzinho o dia inteiro. Estudei, limpei meu quarto e não briguei com as minhas irmãs. - O pai dava um sorriso gostoso e explicava ao Muno: - Filho, você deixa o papai muito feliz por ter se comportado. Você é um menino muito bonzinho, mas não dá para ganhar presentes todos os dias. E presente é gostoso porque não se ganha sempre. Se você ganhasse um presente todos os dias, nem iria gostar tanto. - Tenho certeza que iria sim. Quem poderia contestar o Muno? Tinha sempre uma resposta para tudo e estava sempre com o rosto iluminado por um sorriso. E essa alegria contagiava o pai que cedia aos apelos de Muno: _ Muno, adivinha o que eu trouxe para você? Muno saia correndo para beijar o pai e pegar o presente que este tinha nas mãos. Abria a caixa rapidamente, tirando as fitas, rasgando o papel: - Que carrinho lindo! Adorei papai. E já começava a brincar com o carrinho pela sala, pelo corrimão da escada, pelas mesas. Mas no dia seguinte o carrinho era esquecido e Muno vinha correndo para o pai: - Hoje é dia do Muno ganhar presente? E o pai, abraçando o filho explicava: - Não Muno, hoje não é um dia especial. - Pois para mim todos os dias são especiais. O sol brilha, o Tobi me lambeu e você me pegou no colo. O Muno tinha muitos argumentos. E o pai adorava esse jeito alegre do Muno, mas se preocupava com os presentes que ficavam abandonados depois de alguns dias. E foi pensando nisso que um dia trouxe uma caixa vermelha muito grande, com uma enorme fita amarela: - Muno hoje é um dia especial, dia de ganhar presente especial. Muno saiu correndo para pegar aquele presente tão grande. E quando abriu, uma surpresa, um pequeno papel descansava no fundo da caixa. Muno ficou curioso e quis logo saber: - Que presente é esse? - Este é um presente diferente. Como posso dizer? É como uma passagem. - Então é uma viagem? - É, isto é uma nota de compra de ações para você. - Nota de que? - É assim, esse papelzinho é como se fosse um bilhete para uma viagem. - E para onde ele leva? - Para o futuro. Este papelzinho mostra que você agora tem um pedacinho de uma empresa. A cada mês nos compramos mais um papelzinho e você vai ficando com um pedacinho cada vez maior da empresa. - E onde está o futuro? - Boa pergunta. Enquanto você é pequenininho e vive no presente, nós vamos comprando pedacinhos pequenos de algumas empresas, são as ações. No futuro, quando você for grande, estes papeizinhos vão valer um bom dinheiro e então você poderá pagar seus estudos, comprar seu carro, viajar. - E ai eu não vou mais ganhar esses papeizinhos de futuro? - No futuro, quando você já for grande, você mesmo pode comprar essas ações. Muno gostou muito da idéia de conhecer o futuro e ficava curioso imaginando como esses papeizinhos o levariam até ele. Quando o pai chegava, Muno perguntava: - Hoje é dia de presente? - Não Muno, hoje não é dia de presente. - E hoje é um dia especial? Vou poder ganhar aquelas passagens para o futuro? O pai soltava uma gostosa gargalhada, estava realmente feliz de ver o filho preocupando-se com o futuro. Ele ainda era pequeno e não conseguia entender o que significavam as ações de empresas, mas já mostrava interesse pelo futuro e isso era muito bom. E num belo dia de sol radiante, Muno brincava com uma bola, quando seu pai chegou: - Muno, hoje é um dia especial, tenho uma surpresa para você. - Dia especial? E com surpresa? E seus dentes branquinhos esboçavam um genuíno sorriso brilhante, que atingia em cheio o coração do pai. Muno abriu com curiosidade a pequena caixa vermelha que o pai lhe entregava. As caixas vermelhas, Muno já havia aprendido, sempre tinham um significado especial. Quando levantou a tampa da caixa, havia um papel no fundo, mas este era diferente dos que estava costumado a receber. Então, Muno, muito inteligente perguntou ao pai: - Pai, esta é um outro tipo de passagem? - Muno, você é um menininho muito esperto. Esta também é uma passagem para um futuro, mas um pouquinho diferente. Este papelzinho é um deposito de poupança que abri em seu nome. Isto significa que a partir de hoje você tem um dinheirinho em seu nome lá no banco. - Igual ao papai? - Exatamente, igual ao papai. - Então eu já sou grande como você? E o pai se divertia com as deduções de Muno: - Não, meu amor. Você ainda é pequeno, mas já tem uma poupança como o papai. - Eu posso guardar mais este papelzinho na caixinha que o vovô me deu? - Pode sim. E cada vez que você ganhar um dinheirinho, você pode depositar na sua conta do banco. Os anos foram passando, e Muno ia juntando seus papeizinhos na caixinha, que já estava bem cheia. Um dia, Muno chegou em casa correndo e alegre gritava pelo nome de seu pai: - Pai, tenho uma surpresa para você. O pai estava lendo jornal e ficou feliz ao ver o sorriso de sempre no rosto do Muno e brincando lhe perguntou: - Muno, você tem uma surpresa para mim? Hoje é dia um dia especial? - Muito especial, pai. Hoje eu é que trouxe um presente para você. O pai abriu um largo sorriso, e ficou esperando a surpresa que o filho, agora um rapaz, lhe trazia. Muno entregou ao pai uma grande caixa vermelha, com uma bonita fita amarela. O pai estava curioso e abriu rapidamente a caixa. No fundo da caixa repousava um papel. E o pai perguntou: - O que é este papel? - Esta é uma passagem para o futuro. É minha matricula na faculdade. O pai emocionado quase não conseguia falar: - Parabéns, filho. Esta foi uma grande surpresa. Estou muito feliz por você. - E sabe o que é realmente especial, pai? -Não, filho. O que é? - Eu é que vou pagar toda a minha faculdade, com a ajuda daqueles papeizinhos que estão na caixinha. Muno fazia sua viagem pelo futuro, agora por uma larga estrada que se abria à sua frente. Acrescentar como Favorito (282) | Refira este artigo no seu site | Visualizações: 1710
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