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Plantas do Novo Mundo

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Aqui nos Açores, onde a terra é rica e o clima “se apropria, é que as plantas do Novo Mundo tiveram o seu primeiro berçário. Foi assim como o milho, a batata, o inhame, as criptomerias, as hortênsias, o chá, o tabaco e tantas outras plantas exóticas ou especiarias que os nossos descobridores mareantes trouxeram do mundo que iam, “entre medos, glória e vanglória,” descobrindo. Muitas vezes antes de se alastrarem pela Europa, aqui é que eram experimentadas. O milho, por exemplo, que entre nós se tornou um alimento chave, era, algo estranho para os nórdicos e ainda é considerado, um alimento exclusivamente próprio para os animais. Só depois da Segunda Grande Guerra Mundial e os Americanos terem introduzido o milho de freiras e o milho para acompanhar outros alimentos é que o costume de comer milho, na Alemanha, por exemplo, se permite ainda que em muito pequena escala.

 

Por outro lado, o ananás do Havai, que é original da América Central e do Sul, foi levado quer por Madeirenses, quer por Micaelenses, das nossas ilhas, de onde se partia na caça ao cachalote, até essas paragens no outro lado do mundo. Foi com eles assim como a rabeca, o ukelele, e a massa, a nossa massa, que se tornaram produtos tão caseiros no Havai como entre nós em terra nossa.

 

 Por estas nossas ilhas também são conhecidas as hortênsias, a criptoméria, o incenso, as conteiras, e tantas outras plantas do oriente que aqui nos Açores estão tão bem como nas Himalaias, nas ilhas de Norfolk, Japão ou China e até, até, algumas como o incenso, as conteiras e as hortênsias, se estão a tornar em plantas invasivas, alastram-se fora de controlo. Entre essas plantas quem não conhece as roseiras do Japão, as camélias, as tais que dão rosas sem picanços e sem perfume? São para os Açores o que cipreste é para a Itália. Estão ali em qualquer jardim ou quinta, junto às casas, nos pomares, por todo o lado. Dão uma nota agradável a qualquer jardim.

 

Pessoalmente gosto mais dessas do que as palmeiras que hoje em dia se plantam para dar à nossa terra um aspecto de terras do paraíso. Por todo o lado hoje em dia se as vê. No seu desenvolvimento rápido, são as plantas do “pronto já está.” Algumas, especialmente ali junto a rotunda do aeroporto das Lajes, parecem uma plantação de ananases gigantes. São as árvores do espalhafato, um harém vegetal no meio do deserto das águas do oceano.

 

De qualquer forma, nos Açores temos também as “mónicas” magnólias ou nêsperas. Essa fruta vem das nespereiras, plantas da família das rosáceas que segundo histórias antigas são oriundas da China.

 

Conta a história que os Portugueses naquela época das Descobertas, de cortesias e cerimónias oportunistas, foram os nossos marinheiros aconselhados a levar consigo para a China uma roseira. Para aliciar os chineses, no seu encontro, com muitas vénias, obrigados e com licenças, julgaram poder dessa forma derrubar os muros que separavam as nossas duas culturas. Os Chineses, como os Alemães, correctos e discretos, de poucas palavras agradeceram a oferta sem expressarem qualquer comoção. Dois dias mais tarde, à partida das caravelas, de novo num curto encontro diplomático, entre muitas vénias e reverências, entregaram como oferta de partida uma nespereira.

 

Acontece que os Chineses tinham realmente ficado indignados com aquele presente da roseira; uma planta cheia de espinhos, que fere quem a toca! Não acharam mesmo nenhuma graça à oferta dos Portugueses. Até acharam que os Portugueses de uma forma chicana os insultavam. Por isso escolheram uma nespereira, a fruta que para eles era venenosa, e com a mesma formalidade e pompa dos “olhos grandes, barbudos e narigudos Lusos” deram aos Portugueses o presente que julgavam apropriado pela nossa afronta.

 

Mais tarde, a roseira deu botão e encheu-se de flor. Surpreendentemente impressionados, trataram de mandar um mensageiro para o posto português mais próximo para avisar os Portugueses que não comessem da fruta da nespereira, que era “peligoso. Muito peligoso.”

 

Quando o aviso chegou, porém, já os Portugueses tinham provado das “mónicas,” como se chamam as nêsperas em algumas localidades dos Açores. Acusavam um pouco de destempero dos intestinos realmente quando comiam um pouco mais dessa fruta, especialmente se comidas com leite, mas não assim tão “peligosa” como isso; de forma que continuamos a comer da dita fruta, abundante no mês de Setembro, na mesma altura que lá longe na China as rosas entram em botão e encantam os Chineses com o seu colorido aveludado e perfume de Nirvana.

 

A rosa foi em tempos o símbolo de Vénus e de Afrodite, as deusas do amor e da beleza e na norma e a flor do romance, dos noivos e dos amantes. É a flor nobre por natureza, a flor da gala, da arte, da devoção do amor, da paixão, a flor dos sentimentos mais profundos. Foram também rosas em que se tornaram os pães que, segundo a lenda, Santa Isabel, rainha de Portugal ia entregar aos pobres, quando o rei D. Dinis a interceptou. Mas como lendas são lendas, acontece que a verdadeira história muitas vezes é até outra.  No caso de Santa Isabel, o milagre consta que não foi o dela, mas o da sua tia Santa Isabel da Hungria, o milagre que aceitamos como parte integrante da nossa história. Da mesma forma, rosa ou não rosa, rezam as estórias que assim foi entre Portugueses e Chineses e ao ver uma rosa ou ao deparar com uma nespereira penso sempre na estória como verdadeira.

 

Afinal, a nossa paisagem açoriana tem muito mesmo do Oriente. Muita gente que já viveu em Okinaua ou Japão fica impressionada com a paisagem junto a Lagoa da Falca aqui na Terceira e expressam a sua impressão de estarem mesmo no Japão, onde as criptomerias e hortênsias abundam.

 Assim, quer na China, quer nos Açores uma rosa é uma rosa apesar dos picanços e as nêsperas são nêsperas, apesar de ácidas. A moral do conto é que grande beleza, assim como grande sabor se esconde entre espinhos e venenos; há que aceitar tudo com um espírito de aceitação ou em boa fé, pois entre agruras e picanços se escondem grandes tesouros. A outra lição é que não devemos julgar as acções dos outros antes dessas darem flor ou fruto; a boa fé por boa fé se troca.

Silverio Gabriel de Melo


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