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A dualidade da Vida!

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Amanhecia, o sol espreitava no horizonte e devagar subia no etéreo, resplandecendo sobre o manto de água que circundava a Ilha, qual pedra preciosa engastada em jóia dourada.

Cedo levantava-se o sumo-sacerdote e, ritmicamente, fazia o seu passeio matinal. Descia até ao povoado, casas brancas engastadas na natureza, misto de cor e harmonia arquitectural. O respeito pela natureza era bem visível. O abate de árvores para a construção da área residencial era mínimo, e só as zonas onde as habitações e os caminhos eram necessários, seriam limpas. Entre as habitações, espaçadas umas das outras, sempre se mantinha o arvoredo, fazendo sobressair a sua brancura; daí o nome de Ilha Branca.Em todo o lado reinava o equilíbrio, o povoado era limpo, as pessoas alegres, a azáfama começava cedo e o burburinho dos afazeres e das conversas elevava-se como o sol no horizonte.

O sumo-sacerdote estava acompanhado de Sikar, seu pupilo e sacerdote, ambos caminhavam lentamente em amena conversa.

-Tanta é a beleza que nos rodeia que nos esquecemos de a apreciar pelo hábito, disse Sikar, olhando em redor com desvelo.

Alphek passou o olhar pela paisagem exuberante e multi-colorida, como a certificar-se do que o seu pupilo dissera.

- É verdade. Por isso a natureza das coisas é dual, a vida é comparativa, só assim podemos ter a noção e a perspectiva.Compara a vida a uma moeda. A moeda tem duas faces, impossível ter uma ou separá-las. A espiritualidade e a intuição, a materialidade e o intelecto. A beleza é apreciada e valorizada porque existe o feio como comparativo. Todos os sentimentos existentes neste plano da Criação têm uma função de utilidade e estes sentimentos são ligados pelo equilíbrio. O equilíbrio é fundamental na actuação. Repara na natureza, é equilíbrio puro, por isso as nossas leis e comportamento se regem pelas leis da Criação que expressam a Vontade criadora do Altíssimo.

No mar pequenas estrelas acendiam-se e apagavam-se, reflexos do sol no balanço da ondulação que se envolvia na areia dourada da praia.

- A falta de equilíbrio está a fazer com que o egoísmo predomine entre os homens da grande cidade.

Sikar olhava para o horizonte como que a querer visualizar a grande cidade, que no outro lado do mar, prosperava desordenadamente.

- Egoísmo, o património da alma acumulado por experiência, retrucou Alphek, o egoísmo não dá, só acumula e, como a moeda, tem a outra face que é o altruísmo, a partilha do saber acumulado pelo egoísmo. Entre o egoísmo e o altruísmo, ambos necessários à evolução espiritual, está o equilíbrio; é impossível dar o saber, o conhecimento, os valores adquiridos, acumulado por alguém, estes valores fazem parte do património espiritual e cultural, é-lhe intrínseco, fruto da sua experiência vivencial, é a sua riqueza, diferente, evidentemente, de pessoa para pessoa.Como seres espirituais que somos, a individualidade é a nossa referência.Para equilibrar o egoísmo existe o altruísmo que partilha o saber acumulado pelo egoísmo, num misto de amor e doação ao próximo. O saber acumulado se não for partilhado de nada serve, nem para o seu proprietário.É como o planeta, se este, através da sua actividade vulcânica não aliviasse a tensão no seu interior, explodiria: equilíbrio.Neste plano material em que vivemos, necessitamos do intelecto e da carga sentimental a ele ligada para a nossa evolução espiritual, por isso, o controlo das emoções e dos sentimentos ligados à matéria ser necessário, se esta nos dominar, tornar-nos-emos mais pesados e maior dificuldade teremos no regresso à Pátria, aos jardins eternos, de onde provimos.

Há três pilares básicos no nosso comportamento que não devemos descurar:

Olhar dentro da nossa alma e rever o resultado das nossas acções!

Confidenciar o que nos vai na alma ao nosso melhor amigo, o nosso guia e protector espiritual!

Não mentir a nós próprios, este é o primeiro passo para a verdade!

Se não descurarmos estes procedimentos, então o equilíbrio manter-se-á e seremos felizes, só então estaremos capacitados para ajudar o nosso semelhante, em verdade.

Por momentos silenciaram a olhar a imensidão azul à sua frente, perscrutavam sinais dos elementos da comitiva de Neptuno, a eles tão queridos.

- Mestre, quando me relatarás os acontecimentos de tua viagem?

Alpkek, o sumo-sacerdote, sorriu com tristeza.

- Mais tarde, Sikar, mais tarde…

Alegres e confiantes regressaram para se dedicarem aos seus afazeres no Templo, pela velha escadaria, antiga como o tempo, incrustada na rocha e que entrava na montanha em direcção ao alto. 

Alma Lusa


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Comentários (1)
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1. Escrito por Gilmar Freitas em 30-12-2010 21:26 - Registado
 
 
Magnífico, soberbo. Já li seu artigo dez vezes. Grandioso. 
Parabens. 
 
Giba
 

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