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O ENCANTO SEDUTOR DA PAZ

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Tristes dias estamos vivendo. Crise mundial motivada pelo terror que desencadeia o medo; crise nacional proporcionada pela corrupção política que gera instabilidade e desconfiança da população em todos os partidos políticos; valores morais em descensão, pois numa sociedade assentada na injustiça, o bem comum, referência da Ética, é olvidado. Consequência geral: juventude a ver navios.

A grande questão não é a de apontar receituários, muito menos de uma forma maniqueísta – ou maquiavélica - apontar culpados. Todos nós somos vítimas e agressores, sem exceções, visto que nos constituímos por uma natureza dúbia. Talvez, indiretamente, a grande reflexão que possa ser invocada, no presente momento, marcado pela violência, é quanto à pretensa santidade do ser humano, tão bem louvada pelos filósofos cristãos, a partir da instituição do conceito pessoa humana.

Proveniente de persona, radical latino para personagem, personalidade, a palavra pessoa, define-se, em um de seus sinônimos, como máscara, representação, teatralização. Embora os animais também tenham personalidade, os especialistas em Filosofia e Psicologia não acreditam ser apropriado defini-los pelo conceito pessoa, porque não são, em sua gênese, humanos, embora haja controvérsias. Por outro lado, o pensamento ocidental, fundamentado exclusivamente no poder calculista da razão, ancorado na capacidade de investigar, medir e de prever, desconsidera o instinto animal como base para a inclusão deles no referido conceito, pois a representação supõe inteligência e sabedoria, elementos inobservados nos animais, embora haja defensores tímidos contrários a esta proposição.

O termo homini, de humanus, de onde deriva o nosso predicado humano, não se distancia do conceito pessoa; daí a suposição de que a humanidade dos seres bípedes, racionais, eretos, mamíferos – gerados e alimentados por uma mãe - possa ser explicada por características aquém das observadas na espécie, como benevolência, clemência, complacência, difundindo, de uma forma ideológica, a crença de que todo ser humano é essencialmente bom, se amparando exclusivamente nas duas origens etimológicas citadas. Ora, tal asserção, embora sedutora, é logicamente falaciosa, pois o que se vê é que a violência é um fenômeno humano, universal e histórico, vislumbrado desde antanho nas sucessivas gerações; não obstante, a sua manifestação não pode ser vista como uma garantia de sua eterna consolidação.

Ademais, ainda que a afirmação pareça obsoleta e dualista, há uma permanente luta entre as forças propulsoras do bem e as forças promotoras do mal ao longo da história humana. Todavia, por outro lado, entre tantos seres humanos, maus e dúbios, ainda nós temos bons paradigmas, excelentes referências, que poderíamos mencionar: destacamos Abraão – pela fé -, Moisés – pela coragem -, Salomão – pela sabedoria -, Buda – pelo exemplo de autolibertação -, o Senhor Jesus Cristo – pela misericórdia e caridade -, os apóstolos cristãos – pela crença na transformação das pessoas -, Maomé – por reunir o povo pela fé, amor e esperança -, Gandhi – pela paz obtida na Índia sem o uso de armas -, Martin Luther King – pela defesa ardorosa do povo negro e pelo senso de justiça -, entre outros e outras tantas mulheres; pessoas que lutaram - e ainda lutam através de seus sequazes - pela causa da paz; há também muitos subservientes ao espírito belicoso que tramaram – e continuam tramando - a favor da violência, instaurando tempos de horror e de carnificina, como Napoleão Bonaparte, Hitler, Saddam Hussein, Bin Laden; entre outros dúbios, não tão diferentes dos anteriores, que usam o mal como artifício corretivo: George W. Bush, os líderes aliados à política americana neo-imperialista e os tantos políticos que fazem do próprio interesse profissão de fé.

Não obstante, às espreitas da vida e da história, lá estavam os combatentes apologéticos de um único ofício, garantindo a preservação da paz, da Ética, e a do adjetivo dado a certos seres, o de humanos. Portanto, se a violência sustenta-se, para alguns, com base na essência ambígua dos filhos de Eva, a luta pela paz revela o outro lado reluzente do homo sapiens que, embora, essencialmente mau, luta e cria mecanismos alternativos para o alavancamento das forças do bem, justificando a nossa belíssima condição de mamíferos. 

BENEDITO LUCIANO ANTUNES DE FRANÇA

 (PROF. BENÊ FRANÇA)

É Mestre em Filosofia. É professor de Ética da Faculdade de Tecnologia de Americana e de Metodologia na Faculdade de Tecnologia de Bragança Paulista, ambas no Estado de São Paulo, Brasil, também é professo de Filosofia da EE João Franceschini, pela Diretoria Regional de Ensino de Sumaré, na minha cidade natal, Sumaré/SP  http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.jsp?id=K4794252A5
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