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A detenção prolongada e sem julgamento de militares
na Guiné-Bissau é mais uma situação “bizarra” com a qual a comunidade
internacional não pode estar de acordo, observou hoje o representante do
secretário geral das Nações Unidas, Joseph Mutaboba.
Em conferência de imprensa, Joseph Mutaboba afirmou
que não pretende falar de nenhum detido em particular, mas que a
situação pode ser caracterizada como estranha e bizarra.
“Esta é uma situação bizarra. Antes de se prender uma pessoa, é-lhe
informada da sua culpa, o que ela fez, em seguida é constituído um
processo que vai para o tribunal, que por sua vez escolhe um magistrado
que vai analisar o processo, para dizer se a pessoa deve ou não ficar na
prisão”, disse Joseph Mutaboba.
O representante do secretário geral das Nações Unidas na
Guiné-Bissau reagia desta forma à pergunta sobre o que acha do facto de
ainda não existir qualquer resposta a deliberação feita pelo conselho de
segurança, que exigiu a libertação imediata de todos as pessoas detidas
ou então que sejam levadas ao tribunal.
Entre os detidos figura o ex-chefe do Estado-Maior General das
Forças Armadas guineenses, o almirante Zamora Induta, preso no quartel
de Mansoa, desde o dia 1 de Abril passado, na sequência de uma
sublevação militar dirigida pelo seu então número dois, Antonio Indjai,
posteriormente nomeado chefe das Forças Armadas do país.
Para Joseph Mutaboba, a Guiné-Bissau “tem tido problemas com a
comunidade internacional” porque não geriu bem o dossiê das pessoas
detidas, na sua maioria, militares, uma vez que quase todas elas foram
levadas para prisão sem o respeito dos pressupostos legais.
“Durante o percurso, os direitos humanos e judiciais devem ser
respeitados. É aquilo que eu chamaria de justiça de alfa a ómega. Sendo
que a ómega seria a prisão. Se toda essa tramitação for desrespeitada é
normal que o país tenha a comunidade internacional a questionar. É
normal que o país tenha problemas com a comunidade internacional”,
observou.
O representante de Ban Ki-moon na Guiné-Bissau entende mesmo que o
país não tem respeitado as convenções internacionais que assinou.
“Trata-se nesse caso de procedimentos que não são respeitados,
trata-se de desrespeito pelas convenções assinadas pela própria
Guiné-Bissau. Há uma anomalia na gestão desse dossiê. Não se pode
guardar uma pessoa dois meses, seis meses ou um ano”, defendeu Joseph
Mutaboba.
“Não estou a falar apenas do Zamora Induta, estou a falar de todos.
Porque, aparentemente, há pessoas que estão detidas há mais de um ano
sem julgamento”, notou o responsável das Nações Unidas para quem o que
tem faltado é vontade política para resolver esses casos.
“Aqui não se pode falar de falta de meios, fala-se de falta de
justiça e de vontade política. É preciso que a justiça seja feita, é
verdade que há lacunas, como em toda parte, mas é preciso uma vontade
política”, sublinhou Joseph Mutaboba.
“Basta uma caneta e um papel para assinar e assumir as decisões”, concluiu.
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