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O MEDITADOR

 

À procura de achar o que fazer

Não foi por falta de tentar.

Apalpei o ar, amassei o papel,

Furei uma tecla emperrada

Tingi o céu do meu olhar.

Ouvi o farfalhar da sua voz

Roufenha a resmungar.

Talvez o meu ouvido moco

Tenha lhe ouvido pouco.

Pareceu-me como sempre

Descontente a vaguear,

Olhando-me com amorável

E atraente olhar atroz.

Não querendo ser impertinente

E, sorridente ouço a sua voz

Com seu velho jeito de amar.

E, cerrando o serrado cenho,

Porém, agora, pode deixar,

Não há quem deste lugar

Extático me arraste...

Sou teimoso a engatinhar,

Até à hora do abate...


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