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Nova Inglaterra - impressões de uma curta viagem

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New Bedford, route 6. Atravesso inadvertidamente uma ponte e surpreendo-me ao ver a estátua do Infante, visando o mar, ladeada pelas bandeiras de Portugal e dos Estados Unidos da América. Mas que grande orgulho, para um português! Um pouco antes, tinha avistado o edifício do Portuguese Times, jornal que se publica há 40 anos, em língua portuguesa. Na véspera, ao ler um dos números do jornal, fiquei a saber da existência da Prince Henry Society, de cujos corpos directivos faz parte o meritíssimo juíz Armando Fernandes, de origem madeirense. É com Armando Fernandes e outros amigos da família Medeiros e Corliss, que vou almoçar nesse dia. O restaurante é o “Leitão Assado” (Roasted Pig), com especialidades da cozinha tradicional portuguesa. Escolho o bacalhau à aqua pazza – não sei a razão do nome, mas o importante é que me sabe bem, acompanhado, para mais, de bom vinho alentejano. Fico a saber que o Armando continua a jogar “soccer”, aos 70 anos, e arrisca-se a figurar, por essa razão, no livro de recordes do Guiness (é ele quem o diz, divertido). O Museu da Baleia, em New Bedford, foi alvo de alterações recentes, do que resultou uma melhoria apreciável da parte dedicada aos açorianos e aos Açores. São múltiplas as referências e os artefactos que ilustram a epopeia dos nossos compatriotas na caça à baleia. As obras de beneficiação do Museu foram comparticipadas por Portugal, segundo me dizem, com meio milhão de dólares. New Bedford é terra de gentes lusas, tal como Dartmouth, Fall River, Providence e muitas outras localidades da Nova Inglaterra. Por todo o lado nos deparamos com tabuletas em português e nomes portugueses. Nos grandes supermercados (Shaws, Stop & Shop, Walmart) encontramos sempre uma secção ou um simples recanto com produtos portugueses – massa sovada, bolos lêvedos, latas de atum e sardinhas, azeite, vinhos, favas e tremoços, etc. Na Universidade de Massachusetts em Dartmouth, existe um importante Centro de Estudos Portugueses, dirigido por Franck Sousa, natural de São Jorge, que tem tido uma acção notável na divulgação da cultura portuguesa “Está ? É o senhor Coelho ?” (surpresa minha !) “É para lhe dizer que deixou os faróis acesos, assim fica sem bateria...” A empregada da recepção do hotel, em Dartmouth, é da ilha do Pico, e resolveu avisar-me na língua de Camões. Os portugueses são, em geral, pessoas prestáveis e trabalhadoras, bem vistas na sociedade americana. Desta vez, fui conhecer Plymouth, onde desembarcaram os peregrinos (pilgrims), em 1620. A réplica do Mayflower, a rocha que os peregrinos primeiro pisaram, a estátua de William Bradford e a plantação (reconstituição), são pontos turísticos obrigatórios. Dos 102 passageiros do Mayflower, metade pereceu no primeiro ano, vítimas do frio, da fome e da doença. Vale a pena reflectir, nos tempos que correm, na determinação daqueles homens e mulheres. Não parece haver dúvidas - um grupo coeso, com ideais nobres, é capaz dos maiores sacrifícios e de obrar milagres. É talvez o que está faltando, neste momento, a Portugal: coesão, ideais, vontade de ser independente e produtivo. Que os exemplos dos peregrinos e das nossas comunidades na Nova Inglaterra sejam, pois, uma fonte de inspiração para todos nós. 25 de Novembro de 2010
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