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Viver a vida sem saudade

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Chapolin, do seriado mexicano Chaves, dizia ser melhor morrer que perder a vida. Para alguns, morrer e perder a vida são sinônimos; todavia, para os perspicazes, há uma diferença ontológica: perder a vida é muito mais do que simplesmente morrer.

O ser humano nasce, desenvolve e morre. Os peixes, assim como pássaros, formigas, insetos, outros seres aquáticos, terrestres e aéreos, sem exceção, também fenecem. Biologicamente, todo ser vivo está sujeito à degeneração. Não obstante, perder a vida é outra coisa: muitos a perdem, pois abdicam ao viver e vão sendo carregados pelos acontecimentos, pelas ondas do tempo: há quem opta por dormir a viver; outros reclamam, o tempo todo, de tudo e de todos; ainda há aqueles que passam a vida na mais pura lamentação; todos esses existem, mas não vivem.

O que se deve fazer para não perder a vida, mas ganhá-la? Basta assumi-la como ela é, como nos diz o filósofo francês Jean-Paul Sartre: o importante não é o que fizeram de nós, e sim o que fazemos do que fizeram de nós.

Não se pode idealizar o viver humano, nem menosprezá-lo; temos que estimá-lo como ele é: da miséria buscar a bonança, da pobreza à felicidade, da doença à compreensão da existência, jamais a resignação. Se, a vida foi nos dada como presente, conforme atestam os livros sagrados, devemos vivê-la com entusiasmo; presente é brinde, é recordação, indica bem querer; portanto, se a vida, por ser presente, é alegria, por que a tristeza?

A história tem demonstrado que as pessoas deixaram de viver porquanto começaram a pensar que eram eternas. Grande engodo. Nós somos finitos, meros mortais, seres frágeis: basta um vírus ou uma bactéria e a vida se finda; qualquer coisa pode interromper o nosso existir, um disparo de um revólver, um acidente. Ora, se a morte é uma certeza por que não começamos, desde já, a viver realmente? E que boa receita seria se nós ajudássemos tantos que estão aí existindo, mas não vivendo.

“É preciso viver e fazer viver”, dizia o adágio alemão, porque a vida não nos espera; enquanto permanecermos inseguros, ela prossegue ao léu, seguindo seu movimento, deixando para os desatentos, os preguiçosos e os indecisos, somente a saudade.

 

BENEDITO LUCIANO ANTUNES DE FRANÇA (Prof. Benê França)

38 anos

É Mestre em Filosofia. É professor de Filosofia da EE João Franceschini, em Sumaré/SP, e de Metodologia da Pesquisa na Faculdade de Tecnologia de Bragança Paulista (FATEC BP), em Bragança Paulista/SP, e de Ética na Tecnologia da Informação, da Faculdade de Tecnologia de Americana (FATEC AM), em Americana/SP, ambas no Brasil.

http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.jsp?id=K4794252A5


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