Tempos de renúncia e podridão |
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Aqui te encontras, fatigado pelas infindas Ocasiões em que foste esquecido, Repousando na espessa sombra Que provém da completa condição Do carvalho frondoso e ancestral; Aqui te delongas, consciente, Sem qualquer razão de ânsia Ou impulsionadora de vontade – Quem rompeu a bandeira do orgulho? Houve alguém que quisesse furtar O refulgir que de ti transparecia? Quem te deturpou ou te diluiu? Quem renegou as tuas causas vitais Ou as amordaçou nas gélidas manhãs Destes tempos de renúncia e podridão? À sombra do velho carvalho, Aguardando o desgaste dos anos, Emudece e perece o molde do Ideal Que outrora fora o nobre motivo Do erguer dos braços derrotados, A inspiração de todos os Poetas, A bravia onda que elevava os desejos De navegantes em seus corcéis navais. Senhores, não tolerais mais o olvidar Da procedência de tamanho Bem, Da semente de onde brotaram As mais ínclitas e primordiais flores! Pois, assim, tudo terá sido em vão, Todo o eco perderá o seu efeito, Engolido pelo turbilhão vasto e vazio Destes tempos de renúncia e podridão.
(Pedro BC). Acrescentar como Favorito (238) | Refira este artigo no seu site | Visualizações: 2066
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