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Um homem chora

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“Deixai, ó vós que entrais, toda a esperança! - Dante”

U

m homem chora e grande é o seu sofrimento, acontecimentos que ultrapassam as convenções sociais, erguidas ao longo do tempo, marcando gerações em gerações. A espiritualidade não se acomoda a convenções ou outros estados de alma, de nível material e convenientes, mas tão só vibra no sentido da lei.

Diz-se em voz corrente, expressão dos fortes, “ dos fracos não reza a História”:            é verdade, mas não reza no sentido individual, reza no sentido coletivo, lembrando nos seus registos de memória acontecimentos que recordados deveriam evitar a repetição (¹).

Apesar de tudo, e de estar bem documentada, a humanidade pouco ou nada alterou o seu comportamento, que continua a orientar-se pelos mais baixos instintos de espécie primária, adaptados a um meio de sobrevivência selvática.

A História dos homens regista os grandes feitos individuais, lembra os seus nomes, mesmo pelas piores razões; eles marcaram a sua época e deixaram atrás de si um caminho cuja lembrança, muitos querem esquecer e outros lembrar na ignomínia.

Perante tal cenário choram as mulheres de Atenas e um homem também chora.

 

* * *

“Mostrei-lhe a gente, que por má padece; mostrar-lhe intento os que ora estão purgando pecados no lugar que te obedece. - Dante”

 

Sobressai neste teatro negro, nomes que brilham e engrandecem a perseverança e a misericórdia (²), cultivando valores que, adotados, fariam engrandecer o homem e o seu semelhante (³), numa ascensão universal.

E onde os desafortunados e oprimidos labutam, sujeitos aos caprichos dos mandadores sem lei, e a leis mais elevadas, brilham crepúsculos cintilantes de indivíduos, que pela sua cultura altruísta, constroem pontes que ligam a misericórdia ao auxílio prestimoso e ao discernimento lúcido da verdadeira atuação pelo equilíbrio necessário (⁴).

São atitudes refrescantes num meio desprovido da dignidade devida ao ser humano, estabelecido pela carta das Nações Unidas, símbolo de uma sociedade que se deseja construída no valor e respeito pelos direitos humanos. Escreve Abdruschin (⁵):

 

 “Todos vós em conjunto dependeis da Terra. Cada qual tem aqui direito de atuar e desenvolver-se. Não só direito, como também sagrado dever! Não um em baixo do outro, mas um ao lado do outro. Prestai atenção aos sons. Cada som é indizível, permanece sozinho, não se deixa confundir. Somente no lugar certo, ao lado de sons de tonalidades diferentes, resultará a harmonia, dando melodia.”

 

O ser humano esqueceu-se de olhar para o lado, onde está o seu próximo, e segue ufano no consolo dos direitos adquiridos, como se tal fosse o único objetivo de sua vivência, oprimindo pela sua atuação egoística povos inteiros e degradando relações levando-as à exaustão da decadência e sofrimento:

 

“Aquele que estiver vivendo na riqueza ou mesmo em posição de liderança, deve servir-se daquilo que experimentara na vida, como advertência para que administre acertadamente tudo isso, no sentido das leis divinas, a fim de que resulte em benefícios para os seus semelhantes e não faça seguir mais uma vez o caminho em declive, que forçosamente terá de ligá-lo à futura existência de sofrimentos nesta Terra, mas sim o deve elevar pela gratidão daqueles que, graças à sua atividade, puderam encontrar paz e felicidade.” (⁵)

 

* * *

“À glória de quem tudo, aos seus acenos, move, o mundo penetra e resplandece, em umas partes mais em outra menos. - Dante”

 

O homem deveria centrar a sua busca em dois valores intrínsecos:

Humanismo, no respeito pelos valores e dignidade do homem, centro fulcral do universo e polinizador de mundos, capaz dos maiores feitos de abnegação e suporte de sociedades equilibradas no respeito pela diferença, “liberdade, Igualdade, Fraternidade”. Amor ao próximo, regra básica e orientativa de convivência sã. Inverter valores obsoletos e egoísticos que têm sido sustentáculo das ações humanas e criar a mudança, mudança de atitude e comportamento.

Conhecimento, a cultura alivia a carga do obscurantismo e auxilia o homem a progredir material e espiritualmente, por experiência vivencial, pesquisa e enquadramento do ser nas leis cósmicas, das quais faz parte e está sujeito, para seu desenvolvimento e felicidade. Uma sociedade é limpa se for culta, cívica, respeitadora da lei e equitativa.

 

Alma Lusa

 

(*) Drama vivido no período da II Grande Guerra; perseguição das minorias. Realizador: Sally Potter, 2000. Filme.

 

(¹) Abusos e barbaridades que não deveriam ser esquecidos tão depressa, mas que se devia fazer voltar à memória como advertência, sempre de novo…

(Mensagem do Graal, dissertação Conceito humano e Vontade de Deus na lei da reciprocidade – Vol. II)

 

(²) Mas a sabedoria que do Alto vem é, primeiramente, pura, depois, pacifica, moderada, tratável, cheia de misericórdia e de bons frutos, sem parcialidade, e sem hipocrisia. Ora o fruto da justiça semeia-se na paz, para os que exercitam a paz. (Bíblia, Tiago:3, 17-18)

 

(³) Ouvistes que foi dito: amarás o teu próximo e aborrecerás o teu inimigo.

Eu, porém, vos digo; Amai os vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam, e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem;

(Sermão da Montanha; Mateus: 5, 43, 44)

 

(⁴) Por toda a parte a harmonia é a única coisa certa. E unicamente o caminho do meio proporciona harmonia em tudo.

(Mensagem do Graal, Dissertação Aprendizado do ocultismo, alimentação de carne ou alimentação vegetal -Vol. II)

 

(⁵) Autor da obra Na Luz da Verdade – Mensagem do Graal, editada por Ordem do Graal na Terra.


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