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Portugal em Linha - O Ponto de Encontro da Lusofonia

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28.08.2001
Santos de casa não fazem milagres.
O triunfo dos portugueses no estrangeiro seria impossível em Portugal? Porquê?
Todos nós conhecemos, ou ouvimos falar, de casos de sucesso de portugueses no estrangeiro, altamente considerados nas comunidades onde vivem. O caso porventura mais conhecido - ou mais mediatizado - é o de António Damásio, mas existem muitos outros. Da ciência à poliítica, da cultura ao jornalismo, e até nos inventos e tecnologias os portugueses conseguem grandes realizações que, parece, não seriam possíveis em Portugal. Portugal é um país assim tão grande e tão rico que se possa dar ao luxo de desperdiçar os seus talentos? José Saramago disse, em Portimão durante uma sessão de apresentação do seu último livro, que Portugal é um país muito grande, uma vez que são precisas horas para fazer algumas centenas de quilómetros. Grande é, então. E rico? É rico quem desperdiça ou torna-se rico quem aproveita?
Carlos Mário A. da SilvaCarlos Mário A. da Silva

Em primeiro lugar é mister distinguir entre Portugueses e portugueses (passe o preconceito...). Por exemplo o Brasil, que até ao século XVIII recebia uma imigração lusa de certo modo selecionada em termos de cultura, ressentiu-se a partir dos fins do século XIX pelo fato de ter passado a receber precisamente o oposto e daí a classificação de burros que freqüentemente era dada aos filhos da "terrinha lusitana" quando aqui chegamos em 1976. Não poucas vezes assistimos a cenas degradantes em que portugueses proprietários de lanchonetes, gente que vinha da enxada ou de classes proletárias muito baixas, a troco de um vil lucro permitiam que brasileiros os tratassem com menosprezo, chamando-o até de "f.... de....", e quando lhes chamávamos, como clientes também, a atenção para que reagissem com dignidade, respondiam-nos que não se ofendiam porque o que lhes interessava era o negócio...
Quando ocorreu a descolonização dita "exemplar", que maculou para sempre, aos olhos da opinião pública internacional mais esclarecida, a honorabilidade dos oficiais partícipes do vergonhoso e até caricato "25 de abril," das antes autoclassificadas de "gloriosas" forças armadas (somos impelidos a sorrir zombeteiramente se pensarmos nos sucateados Chaimites sendo rebocados por correntes até ao quartel da GNR, do Carmo, e nos cravos... vermelhos -por que não... antes brancos?- colocados nos canos dos fuzis), houve uma evasão para a diáspora de ultramarinos e metropolitanos ultramarotos e alguns decentes (uns e outros então metaforicamente classificados oficialmente de "retornados"... pelos ridículos reinóis), em sua maior parte repugnados com o triste espectáculo gonçalvista apadrinhado pelos "rapazes" de um ambíguo (sic MS...) estrelado recentemente passado para a mansão funérea dos "sem retorno": foram aqueles emigrantes as melhores elites até hoje produzidas por Portugal e pelos seus ex-territórios ultramarinos, quem modificou aos olhos dos povos hospedeiros a até então degradante imagem deixada pelos "parolos" ou "degredados" de outrora... Neste imenso Brasil onde vivemos há 1/4 de século, a maior parte das grandes fortunas -dinheiro gordo confere status elevado... até a um ágrafo ou um mussequeiro como JES, digam lá o que disserem - não foram construídas de forma diferente daquelas que conhecemos em Angola, nossa terra natal, ou seja: raras vezes se pautaram esses êxitos por atitudes pundonorosas. Em Angola, em Moçambique, na Índia, na Guiné-Bissau, em Timor e até em Macau (estamos pensando no célebre "Monteiro das Barbas", que construira o grosso da sua fortuna às custas de actos de contrabando no Si-Kéang e que chegou a ser proprietário do mais importante órgão da imprensa de língua portuguesa daquela ex-possessão) os "poderosos ricaços" que conhecemos tinham suas origens sociais naquela camada rural lusitana, bruta, que era ágrafa, mal-cheirosa ou inculta e que emigrara à aventura exibindo o cifrão como "ex-libris" após o sucesso feito, com frequência, às custas da exploração e sofrimento dos povos colonizados. Não devemos estereotipar, generalizando os maus costumes a todos; porém, não resistimos à tentação de afirmar que as emigrações lusas decentes que contactámos foi essa pós-abrilista e a dos operários que encontramos na Alemanha, no Luxemburgo, na França, no Canadá, nos Estados Unidos e na Austrália, emigrantes posteriores à IIª Guerra Mundial. A da África do Sul não nos causou a mesma impressão, não nos espantando pois a notícia segundo a qual ali, na atual (grafamos à brasileira) era Mbeki, está ou estava sendo morto um "português" por dia... provavelmente "ilhéu"... Para sermos francos, hemos de declarar que ignoramos quem seja esse tal de António Damásio. Aqui no grande Brasil ele é desconhecido, podem ter certeza disso.
Não, Portugal não desperdiça talentos, porque, na verdade não tem tantos quantos por aí se apregoam em virtude do lusonarcisismo ou lusocentrismo que, desde 25 de abril de 1974 ( e reparem que não somos nem salazarista nem fascista e que a PIDE/DGS cretinamente, a mando do "fungão" JMSC nos vigiava de perto como elemento "muito perigoso" ou cripto-comunista- pobres zoilos!-)) vem caracterizando certos setores desse povo mestiçado, inconstante em seus juízos e ainda hoje muito ignorante (se o não fosse, jamais teria permitido que meia dúzia de clowns uniformizados e impreparados entregassem estúpida e levianamente, numa bandeja de ouro, a bandos de mussequeiros sem eira nem beira e a soldo da estranja um patrimônio ultramarino que estivera ameaçado mas onde, como nos demonstra o honrado general Silvino Silvério Marques em seu livro mais recente, a vitória da paz e do crescimento economico e social, mais do que a militar realizada sobretudo pelas milícias negras FLECHAS, era indubitavelmente uma realidade lusa e não um sucesso das então já caladas armas dos mercenários negros de Moscou e da CIA, salvo a UNITA que, não se rendendo como o procurou fazer o MPLA através de Iko Carreira e de outros emissários que em fins de 1973 a Lisboa se deslocaram expressamente para isso, voluntariamente se prestou a cessar fogo e a negociar a paz tendo sido, ela e o Secretário de Estado Dr. José Pinheiro da Silva, um cabinda, vilmente traídos pelo major Charais, do MFA).
Fala-nos o nosso Amigo Antônio Ribeiro num escritor "tuga" que se diz "marxista" mas que, na verdade, eu identificaria como bon-vivant cunhalista-estalinista, chamado José Saramago. Confessamos que, porque sempre trabalhamos duramente, não tivemos tempo senão para ler algumas páginas das suas obras, logo sendo invadidos por irresistivel sonolência própria de quem tem de labutar para conseguir sobreviver com alguma decência; tampouco adentramos muito, aliás ainda menos porque seu mérito é realmente menor, as obras do aí, e não só pois o Ocidente europeu está em franca decadência moral e intelectual, tão apreciado e procurado escritor (esotérico?) brasileiro Paulo Coelho cujos livros qualquer um aqui no Brasil poderá (mas raramente o faz) adquirir a 1,99 Real (1 Real vale aproximadamente 92 escudos...) nas lojas que vendem tudo a 1,99, mormente os produtos baratos importados da República Popular da China... Para nós, o tal de Prémio NOBEL da Literatura está avacalhado, pois deveria ter sido atribuído a um verdadeiro "marxista" - mas não leninista nem estalinista- chamado JORGE AMADO, romancista baiano de grande envergadura, infelizmente falecido em data ainda fresca.
Sim, houve Portugueses que se destacaram e continuam se destacando no exterior, nos mais variados campos do conhecimento, mas não porque são Portugueses e sim, porque são seres humanos inteligentes e preparados, das mais diversas etnias e grupos nacionais. Etnocentrismo para nós, não vale... Nas áreas científicas, tecnológicas e literária não são escassos os "fenômenos" que usam, para desgraça deles, passaporte português, ou melhor Comunidade Europeía ... Tinha razão o Antônio Nobre citado por Miguel de Unamuno: "Que grande desgraça é nascer em Portugal...". Aí o talentoso e o rapinante para se realizarem têm mesmo de emigrar para não serem destruídos pela inveja e maledicência ou pela fome porque roubar ou furtar a "desfavorecidos" um pouco mais... "favorecidos socioeconomicamente" não rende... Por isso aqueles "administradores" das faraônicas obras de Belém (depressa a coisa silenciou, ou foi silencida por haver "sucialistas" na jogada?; cá fora nada mais soubemos e ocorre agora perguntar: o que aconteceu em termos justiceiros a esses "talentosos lalaus" portugueses?) O mais curioso é que quase todos os talentosrevelados na diáspora, surgidos nos últimos 26 anos - e não nos faltam exemplos no Brasil, sobretudo angolanos- nasceram ou viveram longos anos nas ex-colônias que outrora formaram o chamado Império Colonial Português e não nesse minúsculo retângulo... que, a partir da consolidação da expansão dita ultramarina, deveria ter sido somente denominado de província da Lusitânia... Mas deixaram escapar a oportunidade e agora os bilhões de petrodolares cabindenses, explorados pela GULF [para cuja direção-geral fomos em 1972 convidado pelo seu enviado a Luanda não aceitando a proposta para não perdermos direitos de aposentadoria adquiridos em 28 anos de serviço na função pública], em vez de entrarem nos cofres públicos de governantes naturais de Cabinda ou no Tesouro Nacional Português se continuasse o "Império", entraram durante longos anos, segundo dão a entenderem hoje as principais agências noticiosas internacionais, nos bolsos de um altíssimo magistrado angolense que, tendo nascido em São Tomé ou na favela em que morou em Luanda, vai se aposentar como "ditador".. após 21 anos de "árduo" esforço "governativo"... apoiado como o mais válido pelo diligente e honesto governo sucialista lusitano... Sujeitos que em Angola eram simples regentes agrícolas, gerentes de agências bancárias, modestos alunos do curso de economia da então fraca universidade luandense, são atualmente no Brasil ricos fazendeiros, empresários de vários ramos de atividade comercial e industrial, produtores de cacau, criadores de gado, diretores-gerais de grandes empresas, professores universitários, altos executivos de empresas multinacionais, pesquisadores e técnicos superiores de organismos oficiais como o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, etc. Isso porque neste País, muito mais desenvolvido do que Portugal está, como nos Estados Unidos, no Canadá ou em qualquer país de alto nível, o que interessa não é, como em Portugal continua sendo, a "dona cunha", a origem nobiliárquica (basta ler a imprensa lusitana para vermos como proliferam os "emergentes", até comunista quer descobrir um antepassado nobre e manda pesquisar sua árvore genealógica...), ser católico ligado à "Santa Madre Igreja", protegido de bispo ou afeto à OPUS DEI, militante do PCP, do PSP, PDS ou de outro qualquer, não interessando se o personagem é valido ou não. Agora como no Passado salazarista, e paradoxalmente mais agora do que naquele, o que mais importa é o "pistolão", a catapulta... E padre copntinua tendo muita força, porque já Marx bem dizia que a religião é o Ópio dos povos (que nos perdoem a heresia aqueles que são beatos). Gente rica é gente fina. É rica, é da Igreja, é de origem aristocrática, foi capitão de abril e quer ser general ou almirante mesmo não havendo esquadrões aéreos ou tantas divisões quantos os generais nem tantos navios quantos os almirantes mesmo não sendo talentoso e tendo sido até aluno cadete na Academia Militar dá para colocar as estrelas todas, é do PSP, do PCP, do... qualquer coisa que esteja no Poder ou ligado à mídia influente (CARAS, OLÁ, etc. e parentesco ajardinado...), então o "cara" é talentoso, merece ir ao estrangeiro com bolsa e ajudas de custo, ingressar na carreira diplomática; ser gente rica é outra coisa, tem sempre "talento"... porque, como pudemos constatar na nossa última estada em Portugal, o pobre aí não pode demonstrar o que vale porque lhe falta apóio oficial para ser "gente grada"... Salazar era filho de um caseiro, Marcelo Caetano de um sargento da Guarda Fiscal e foi simples repórter do jornal A VOZ e do Diário da Manhã, Silva Cunha e Adriano Moreira filhos de guardas da Policia de Segurança Pública, Rebelo de Souza teve como pai o comerciante fubeiro conhecido em Luanda por Catonho-Tonho (daí o nome dos armazéns do velho Rebelo de Souza), Jorge Jardim era um humilde aluno (aliás bom aluno) do Instituto Superior de Agronomia que teve a sorte de o ditador querer experimentar um jovem na Secretaria da Agricultura que era um fracasso e ter pedido ao então Comissário Nacional da Mocidade Portuguesa, Marcelo Caetano, que lhe indicasse um jovem agronomo recém-formado, para aquele cargo, endim, noutros tempos, com fascismo e sem outros "ismos" mesmo não se sendo rico por vezes o pobre conseguia ir mais alto e mais além... se revelava talento nos estudos ou como técnico. Mas hoje, apenas dá para ir buscar oportunidade, fora, na estranja... Hoje, não é bem assim. Desde o 25 de abril de 74, isto sim... Amen. Esse cantinho da Península Ibérica cujo número de habitantes não excede o da capital do Estado de São Paulo no Brasil, peca por ter muita gente que sofre de analfabetismo funcional (talvez sejam uns 6 milhões de criaturas, segundo lemos num estudo oficial feito por uma pedagoga, pós-graduada, do Ministério da Educação e Universidades publicado também num semanário português de Macau, em Dezembro de 1959), para não falar do seu 1,5 milhão de analfabetos absolutos, sobretudo ciganos e negros... O saldo demográfico hábil e habilitado funcionalmente parece ser, portanto, se de 95/96 para cá não houve uma substancial melhoria, entre 2,5 e 3 milhões de indivíduos! Nestas condições, será válido falar-se de "riqueza de cérebros", de talentos, aí no pedaço lusitano?! Numa terra onde a inveja e a cobiça são atávicas, sempre dominando a mente de grande número dos seus mestiçados habitantes, onde a juventude desconhece a própria história da sua grei, onde o etnocentrismo infra-vermelho está velhacamente presente mas aparentemente ausente e o filantropico interesse jaimitico pelos desditosos povos da ex-colônia de Angola [entregue a um "partido" totalmente divorciado da sua ortodoxa e digna origem primeva em 58 ou 59] esconde rapaces onirismos neocolonialistas, como podem os comuns cidadãos aspirar ao triunfo em áreas do Saber?! Isso não interessa aos poderes constituídos nem ao empresariado judaico-lusitano (o autor destas linhas por sua linhagem materna tem ascendência judaica, logo, pode se considerar insuspeito) cujos lobbies continuam dominando majoritariamente a economia portuguesa, em nome do "santíssimo" Espírito Santo, financiador da extinta Legião Portuguesa, e já se infiltram na economia de escala brasileira com sus hermanos de "arriba", em não poucas áreas; uma economia, a lusa, ao que nos consta por cá, em fase decadente mas em que dois ou três põem muitos bilhões de dólares em investimentos fora de portas, no Brasil em particular, uma economia em "transferência" patrimonial para o vizinho exportador de... capitais (no Brasil a Espanha já é o segundo maior investidor estrangeiro...).
Com o governo que por aí está, de "sucialistas" burgueses que nem cuidam seriamente das suas comunidades no exterior, o melhor é dar o assunto por "arquivado"... E sendo assim, o mais recomendável, isso sim, se querem realmente remoçar e enriquecer a cultura, a tecnologia e a ciência nesse país, é escancarar sem delongas as portas à emigração de fora para dentro, para aí, de jovens (mas não de alemães nem castelhanos, escandinavos ou nórdicos) Brasileiros gabaritados, que muitos existem, altamente preparados, generosos, honestos, produtivos (até professores) que também sofrem com a crise aqui, em particular desemprego (só no Estado de São Paulo com 25 milhões de habitantes, o número de desempregados ascende a 1,8 milhão) ou subemprego, e que estão em busca de oportunidades de realização sem, em sua maioria, acalentarem propósitos sacadores como os de grande parte dos inescrupulosos ex-povoadores (para morrerem, depois de ricos e velhos, na "santa terrinha"...) das regiões cafeeiras e algodoeiras de Angola e de Moçambique e os padeiros, merceeiros, fazendeiros, industriais e açougueiros portugueses que, noutros tempos (da "árvore das patacas"...) vinham para o Brasil de saca às costas, dormindo sobre sacas de farinha e "honestamente", `s custas de muito suor e labuta, decorridos poucos anos se transfoirmavam em opulentos proprietários de empórios. Estamos pensando em alguém do Negage, no rei do café de Angola que assinava de cruz os seus fabulosos cheques no Banco de Angola... Um dos tais "talentos" que se tivesse ficado em Portugal nunca teria conseguido chegar tão alto... e a quem um ministro das colônias, de visita ao Norte de Angola em 61, após ter esperado por ele mais de uma hora em sua fazenda, com seu numeroso séqüito, para darem inicio a um almoço, tratou carinhosamente por V. Exa considerando "irrelevante" a longa espera a que seu anfitrião o sujeitara... ser rico, pois, é ser "talentoso", no bom sentido.
Aqui, neste portentoso País cujo maior mal é o seu tamanho gigantesco, temos mais de 800 instituições de ensino superior e institutos de pesquisa cientifica e tecnológica, muitos deles cotados entre os melhores do mundo. E aí?... Seríamos mesmo capazes de sugerir: por que não salvar os "restos" do que foi Portugal e agora é "portugal", integrando-o, antes que entre em completa falência, como estado ultramarino da Federação Brasileira? Isso é factível ou é inconstitucional nessa democracia das mais amplas liberdades democráticas sujeitas à "ditadura da Maioria" Como Muammar Al-Qathafi muito bem define em seu LIVRO VERDE editado em 1987, em primorosa edição portuguesa, composta e impressa na Gráfica Renascença, de Lisboa. Vêem? Al-Qathafi e não Kaddafi preferiu o talento dos trabalhadores de uma gráfica lusitana, porque aí o salário mínimo até atraiu o Bill Gates, sovina renomado e hoje a segunda maior fortuna do planeta, e compensa o investidor, apenas sendo superada essa condição no Brasil, onde ele é 4 vezes menor... e a jornada de trabalho maior. Não somos patrioteiro... Aí, a maior parte dos preconceituosos membros das micro-elites lusitanas, são na realidade emergentes sociais como a ex-padeira carioca Vera Loiola [hoje badaladíssima socialite ] que nem sua própria história conhecem, nem imaginam quão numerosos e válidos são os talentos gerados pelo Brasil, alguns deles filhos (aqui educados) de pais Portugueses ou de imigrantes pós-abrilistas oriundos das antigas províncias ultramarinas de Portugal, em sua maior parte já cidadãos brasileiros. Saibam aí que estes e outros que não têm sangue lusitano mas falam o dialeto brasileiro da língua galaico-lusitana estão sendo disputados pelas mais renomadas instituições científicas, tecnológicas e de pesquisa dos 7 países mais ricos do planeta...

Carlos Mário Alexandrino da Silva
      Fernando Cruz GomesFernando Cruz Gomes

Cá longe... onde custa mais ser Português!
Alguém nos disse - e o Carlos Mário ainda um dia mo há-de confirmar, estudioso como é... - que, logo após a Segunda Guerra Mundial, Estados Unidos e União Soviética criaram autênticas agências de "caçadores de cérebros" alemães e de outras nacionalidades com eles ligados, por forma a enriquecerem a sua então emergente Ciência. Era certo e sabido, por essa altura, que a Alemanha tinha cabeças poderosas. Para além do megalómano Hitler e seus sequazes havia cientistas e inventores que poderiam enriquecer a nomenclatura científica da época.

Verdade ou mentira, é bom não esquecer que a ida à Lua foi gizada e planeada por nomes alemães - onde avulta o de Von Braun - então já ao serviço dos americanos. Idênticos "feitos" se passaram, decerto, na União Soviética, onde pelos vistos até mudavam os nomes aos tais "malandros" alemães que se iam apanhando...

Hoje, Portugal, reduzido à sua mais ínfima expressão, precisava, também, de uma brigada de caçadores de cabeças. Talvez até de uma brigada de caçadores de cabeças e de... investidores. Encontra essa gente nos mais diversos confins da terra. Disseminados em vários países e a enriquecer outras culturas. Talvez a fungar saudades da terra-mãe que sempre lhes foi madrasta.

Caçadores de cabeças! Uma necessidade imperiosa para o nosso pobre país de origem, que continua, paulatinamente, a bancar de grande senhor, rico e poderoso. Que continua cego e surdo aos "clamores da saudade" - com os nossos também à mistura - que pedem, apenas, reconhecimento e lhaneza de trato. Que se interrogam sobre como é possível dedilhar lá longe as cordas piegas de um "saudosismo" que nem governantes nem governados têm, a respeito dos que, um dia, por este ou aquele motivo, sairam do torrão natal.

CASOS E FACTOS QUE SÃO COMUNS

Um dia, já lá vão meia dúzia de anos, em estação de Televisão onde então trabalhávamos, alguém nos pedia para acompanharmos a visita de um determinado senhor que vinha da poderosa CNN. Lá fomos, ensaiando o nosso melhor Inglês, para "dar nas vistas" e "fazer boa figura". Às primeiras palavras, o tal visitante abriu o livro. Queria sardinhas assadas. E como se vivia o "10 de Junho", no Canadá, ele tinha a certeza que os Portugueses de lá... tinham as tais sardinhas assadas.
Só depois é que, com um sotaque do centro de Portugal, nos atirou com a frase: "Homem, falamos em Português...". Era, então, vice-presidente da toda poderosa CNN.

Mais recentemente, e ao serviço de um Jornal, fomos até ao último andar de uma "torre" do Scotia Bank. Era necessário ouvir um economista do "staf" daquele banco, acerca da conjuntura económica do Canadá, vis-a-vis com os Estados Unidos da América e com a União Europeia. A conversa fez-se em Português - em perfeito Português, entenda-se - por que o economista "senior" em causa era Português.

Será que Portugal não precisa de um verdadeiro dirigente de uma empresa como a "falida" RTP? Será que Portugal não precisa de um economista como aquele que entrevistámos na sede do poder daquele importante Banco canadiano?

Paulatinamente, se perguntássemos ao sr. Guterres - e a muitos outros Guterres que vamos tendo... - dir-nos-iam que não. Que Portugal tem, de facto, os seus quadros, consegue "milagres" com o seu pessoal, não precisando dos "restos do império" que estão um pouco por todo o mundo. E o sr. Guterres - ou o Guterres que lhe vai suceder na chefia do governo - vai fazendo com que o país empobreça alegremente, já que "Dona" Europa se vai rindo das nossas vitórias bacocas, sem significado e sem substância...

Há, de facto, muitas cabeças "a caçar", espalhadas por todo o mundo. Cabeças que acabaram por triunfar, quando postadas frente a outras realidades e a outros desafios. Que se interrogam, agora, sobre o porquê de não lhes ser pedido - pedido, escrevemos nós, e bem... - para voltar a Portugal, a ajudar os diversos sectores carentes de um "savoir faire" que nem sempre se encontra intra-muros. Interrogam-se mas debalde. Ninguém lhes responde. A não ser, talvez, com remoques de uma "superioridade" balofa e narcisista que não aceita nada nem ninguém que não seja de um certo "clã".

CÁ... ONDE CUSTA MAIS SER PORTUGUÊS

Cá, onde custa mais ser Português, há, de facto, valores que Portugal deveria usar. Só lucraria com isso. Valores que, através de cursos ou de experiências, não custaram nada ao erário público português. Valores que não desdenhariam, até, ser postos à prova nos seus conhecimentos e na sua vivência talvez académica talvez de experiência. Valores que se vão perdendo, um pouco por toda a parte.

De resto, dizem-nos a toda a hora, Portugal perdeu a noção da "boa educação". Há gente que, interessada em colmatar carências de todos conhecidas, escreve para o Governo, para as Universidades, para os grandes órgãos de Comunicação Social. Fica admirado por que ninguém responde. Chega a dar a ideia - e já o escrevemos variadíssimas vezes - que Portugal quer que os valores que vivem no estrangeiro, continuem a ser Portugueses mas... longe. Que se arvorem em bandeiras e símbolos de Portugal... mas longe da terra natal.

Assim sendo, não há que fugir. Importante será, aos poucos, na África do Sul como no Canadá, nos Estados Unidos como na Venezuela, continuarmos a construir determinados recantos do "Portugal da Saudade". Porque, lá, naquele cantinho da Europa, interessam-se, de facto, por nós, quando da remessa de divisas ou quando inventamos... amigos para fazerem connosco as férias-turismo da saudade.

Desse "Portugal da Saudade", de facto, só sai... saudade. Porque o resto... fica votado ao ostracismo. Que magoa sentimentos e fere o pudor daqueles que continuam a levantar bem alto o nome de Portugal.

E isto é mais gritante, até, quando se trata de organismos e agências de cariz virado para a emigração. Na RTPi, na RDPi, na Lusa, nos grandes órgãos de Comunicação Social... hão-de dizer-nos quantas "cabeças" têm a mínima noção do que representa a emigração. Hão-de-nos dizer se é possível, assim, fazer trabalho em prol dos portugueses residentes no estrangeiro. O mesmo acontece, de resto, em organismos como a Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas ou no Instituto Camões. Se o mesmo acontece, até, nas candidaturas dos partidos em relação aos (poucos) lugares de deputados pela Emigração!

Nesses, como em muitos outros aspectos, Portugal é pequeno... porque não quer crescer. É pobre... porque, fingindo-se rico, não o quer ser. E, no entanto, todos sabem que a maior riqueza de um País é o conjunto dos seus filhos. Lá dentro ou... cá fora.

Fernando Cruz Gomes

Na próxima semana: Crise? Qual crise?


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Comentários

Conheço o Prof. Dr. Carlos Mário Alexandrino há vários anos. Fiel amigo de meu Pai, a quem nunca abandonou e a quem sempre prestou o seu apoio, embora, e talvez, de quando em quando não comungasse das mesmas idéias!...
Durante anos ouvi meu Pai falar dele. Primeiro em Luanda, época em que labutaram juntos em prol da Paz para aqueles Povos. Depois, no exílio Brasileiro.
E digo exílio com propriedade do termo, pois se não houve decreto impondo-o, as restrições colocadas a quem se limitava querer ganhar "o pão nosso de cada dia" sem cair em concessões de ordem política, obrigou milhares de portugueses a procurar a sobrevivência e a segurança fora da Mãe Pátria, ocupada primeiro por bandos desconhecedores da palavra democracia, confundindo-a com Ditadura de Minorias, que não deixavam o Governo governar, e depois com o próprio Governo chefiado por um tresloucado (Vasco Gonçalves) que só não cimentou uma Ditadura Marxista no País porque alguém acordou a tempo e porque já não interessava à URSS esse caminho!
Foi a época em que a "Mãe Pátria" foi "Madrasta"! Foi a época em que a Pátria Brasil nos abriu os braços, nos acolheu como se seus verdadeiros filhos fôssemos, nos permitindo aqui reconstituir as nossas vidas!
Diz, e com propriedade, que muita coisa boa aconteceu ao Brasil pela vinda desta gente. É verdade! Vieram empresários, vieram professores universitários, vieram profissionais gabaritados e grande parte com cursos universitários também, vieram os pequenos empresários que pululavam no Ultramar Português, que por menos incultos não deixavam de ser preciosos, pois o seu espírito empreendedor seria fomentador de progresso em qualquer país mas, e sobretudo, grande parte deles trouxe filhos, filhos hoje completamente integrados na Sociedade Brasileira ou, retornados a Portugal, acérrimos defensores de um Brasil que lhes deixou saudades!
Houve uma injeção de jovens, cultural e tecnicamente preparados, que decerto vieram ajudar o progresso do Brasil!
Hoje, um quarto de século depois de desembarcar no Brasil, olho à minha volta e vejo famílias como a do Prof. Dr. Corrêa Neves, ex Professor Universitário em Lourenço Marques, Professor emérito da UFMG e com filhos também Professores de Universidade! Vejo o meu velho conhecido de Luanda, António Pargana, que conheci, jovem universitário chefiando uma equipe de venda de enciclopédias, na Presidência da maior "trading company" do Brasil! Vejo o António de Bacelar Carrelhas na Presidência do Conselho Nacional das Câmaras de Comércio Portuguesas no Brasil! O Perry Vidal na alta diretoria da Pires Segurança, o João Seara de Morais no ICEP, o José Roque de Pinho na Presidência da Portugal Telecom, a Madalena Homem de Gouveia, que até há bem pouco tempo ocupava uma das Vice Presidências do Morgan para a América Latina, o Alberto Salema Reis na Diretoria do Unibanco, o Ricardo Espírito Santo (filho do António Espírito Santo) à frente das atividades do GES no Brasil, o Duarte Champalimaud, nascido no Brasil em 1977, educado na Europa, formado em engenharia pela Universidade de Londres, que para aqui veio procurar o seu espaço! E tantos outros que se não tão famosos, nos deixam dia a dia exemplos de trabalho honesto e profícuo!
E que dizer dos que por aqui passaram e a Portugal regressaram? Daqui vislumbro o meu amigo Augusto Ataíde, Professor de Direito da Universidade de Lisboa, Presidente do Banco Espírito Santo do Oriente, falando com uma tremenda saudade dos tempos de luta pela sobrevivência no Rio de Janeiro! o Miguel Horta e Costa na Administração da Portugal Telecom, o Carlos Eugénio Corrêa da Silva, hoje na Administração da Petrogal, o Gastão da Cunha Ferreira, arquiteto que em S.Paulo deixou a sua marca, o Álvaro Mendes, que introduziu no Brasil novas técnicas de edificação, o Ricardo Espírito Santo Salgado, na Presidência do BES, o António Busttorff, formado pela Universidade de S. Paulo, na Presidência da Câmara de Comércio e Indústria Luso-Brasileira em Portugal!
E porque não falar do Henrique Bandeira Vieira: nascido em Angola, desde cedo ocupou cargos de responsabilidade na Purfina em Luanda. Presidente da Purfina e especialista em petróleos, foi aconselhado pelos cubanos a sair de Angola em 1976. Colocado na Bélgica, sempre na Purfina, atingiu os lugares cimeiros. Hoje, salvo erro, é o Presidente, em Portugal, do Conselho Nacional dos Petróleos!
Creia, amigo e mestre Professor Doutor Carlos Alexandrino da Silva que admiro o seu espírito de luta! Me desculpe se acredito muito pouco quando no seu entusiasmo fala mal de Portugal e dos Portugueses!
A sua formação e a sua história de vida, por si só, classificam-no como um PORTUGUÊS! Como um daqueles que ajudaram a construir o Império!
Como um daqueles que imbuídos do espírito de servir, esqueceu-se de aforrar o cofre de maravedis ou besantes, quer como militar, quer como civil, pois todos nós sabemos que quem serviu Portugal como Oficial do Exército ou como Funcionário Público, não o terá feito por dinheiro! Decerto não eram carreiras das mais bem remuneradas!...
A Pátria Portuguesa foi comumente ingrata para os seus melhores servidores! Ou deveremos dizer os que a governam no momento?
Me perdoem a imodéstia, mas não conheci Português maior do que meu Pai! Durante quarenta anos de sua vida serviu Portugal e fê-lo bem! Em 1975, exilado no Brasil, com os seus direitos políticos cassados e espoliado da sua aposentadoria (que sempre tinha pago), procurando emprego no Rio, a convite da Manchete para escrever sobre o que se passava em Portugal, respondeu entender "que roupa suja se lava em casa"! Foram os serviços deste Homem reconhecidos pela Pátria Portuguesa? Não! Como condecorações, ostentava as de agremiações particulares, a Medalha de Ouro da Câmara Municipal de Luanda (única concedida nos 500 anos de Luanda!) e uma condecoração do Vaticano! Minha Mãe sobrevive porque comigo vive! A sua pensão é de um pouco mais do que um salário mínimo de Portugal!!!
Ao morrer, Afonso de Albuquerque desabafou: "De mal com os homens por amor d'El Rei, de mal com El Rei por amor dos homens!"
Pedro Álvares Cabral morreu ignorado! E que bem serviu Portugal!...
A Pátria é ingrata! Sempre foi mais fácil ganhar méritos e glórias com bajulações do que com a Verdade! Esta, muitas vezes fere, e ao ferir, machuca quem no poder está!...
Caro amigo, peço-lhe encarecidamente que não pare com o seu trabalho! Ele é precioso para reconstituir a História dos nossos dias! Ele é inestimável para que nossos filhos e nossos netos saibam que todos nós, todos os que em Angola, e em outros recantos do Portugal de então, trabalhávamos para que os povos vivessem em harmonia! Acreditávamos numa comunidade multirracial! Ingenuidade? Talvez, ..., mas era belo acreditar na possibilidade!...
Haveria exceções? Decerto que sim, mas como tal deveriam ser tratadas!
Necessário se torna deixar muito claro que os grandes prejudicados em todo este processo não foram os Portugueses, metropolitanos ou "retornados"! Os grandes prejudicados foram os povos colonizados que estão pagando a sua ilusória independência com anos de guerra, de miséria, de fome, de desigualdade social e de convívio quotidiano com a morte! Pior! Estão pagando com vidas de onde está ausente a esperança!!!
Essa foi a herança que lhes foi deixada não pela Pátria Portuguesa, mas por quem na altura a governava!
Mas, esperem, estarei eu com esta já longa peroração defendendo a continuidade do colonialismo? Não, definitivamente não! Estou atacando a irresponsabilidade dos governantes que deixaram jovens Nações entregues à barbárie sem buscar soluções responsáveis que garantissem o direito à vida e à paz dos povos por quem deveria zelar, à face das leis portuguesas e das leis das comunidades civilizadas!
Por favor não deixe de atacar os responsáveis por essa página negra da nossa História!
Poupe a Pátria Portuguesa e o Povo Português, pois esses, ..., também foram vítimas!!!
Um forte e amigo abraço de seu admirador,
José Augusto F. L. Rebelo

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Portugal em Linha - O Ponto de Encontro da Lusofonia