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Corrupção? isso não existe... O primeiro ministro de Cabo Verde anunciou recentemente que o seu governo vai extinguir a Alta Autoridade Contra a Corrupção "que não faz absolutamente nada". Ao mesmo tempo anunciou que o seu governo está a lançar um vasto plano de obras e infraestruturas, estando já em curso 60 projectos. Toda a gente sabe que um dos maiores dramas de África é exactamente a corrupção (veja-se os recentes casos na Guiné-Bissau, em Moçambique e em Angola, para só falar na África Lusófona). Toda a gente sabe também que ela aumenta com as "grandes obras". A Alta Autoridade Contra a Corrupção não faz nada, porquê? Porque é inoperante ou porque em Cabo Verde não existe corrupção? Não nos passa pela cabeça que José Maria Neves queira, de alguma forma, facilitar a corrupção em Cabo Verde mas à mulher de César não basta ser séria, tem que parecê-lo. E esta atitude do governo de Cabo Verde deixa no ar uma desconfortável sensação de dúvida. |
Cidália Cardoso
Corrupção existe e está à vista de todos.
A corrupção é uma manipulação, ou transgressão encoberta das normas que regem uma organização, com vista a conseguir um benefício privado. Existe a corrupção directa que é e aquela em que os funcionários públicos, ou privados ou até indivíduos particulares aproveitam-se da sua função para obter um benefício. Dentro deste grupo se encontra o abuso de poder, onde o agente público ou privado utiliza o poder do seu cargo em prejuízo de uma pessoa, grupo ou instituição. Há ainda a apropriação de bens privados ou públicos que não é mais do que um aproveitamento indevido de bens ou fundos que pertencem a uma instituição ou a terceiros. Há também o enriquecimento ilícito que se considera como o incremento do património de um agente, com significativo sucesso, em relação aos interesses legítimos ou a obtenção de melhorias económicas durante o exercício de uma função, sem a devida justificação. A extorsão que e a utilização do poder que se dispõe para pressionar a um terceiro para obter um benefício privado. As outras categorias são o favoritismo e o nepotismo. A primeira é a conduta destinada a obter benefícios pessoais para pessoas próximas. O nepotismo é um tipo de favoritismo em que este se realiza em função das relações familiares. Existem também outras categorias como o tráfico de influência que consiste na negociação ou uso indevido das influências ou poder próprio do cargo. O suborno que consiste em oferecer dinheiro a um agente particular em troca da realização de um acto. Esta também o clientilismo político que consiste no pagamento dos candidatos aos seus eleitores para conseguir ser eleito. Todos estes géneros de corrupção existem aqui em Angola e em outros países do mundo. Existe aqui em Angola um dito popular que diz o seguinte : "o cabrito come onde estiver amarrado". Muito recentemente o mais alto mandatário da nação angolana disse numa das suas intervenções que aqui ninguém vive do seu salário, atendendo o estado da economia do país todas as pessoas encontram outras formas de acrescer nos magros salários que auferem. Muito recentemente foi criado o tribunal de contas. Esta instituição ainda não está a funcionar. Estão a criar as condições materiais para o funcionamento da mesma. O presidente do tribunal de contas foi eleito pelos deputados a assembleia nacional o que concede legitimidade à instituição. Não se pode ainda questionar sobre a eficácia da actuação do tribunal uma vez que ainda não está em funcionamento mas já se nota um certo cuidado por parte dos agentes públicos em relação ao uso do erário público. Penso que muitos angolanos gostariam de ver questionado por parte do tribunal de contas sobre a origem das avultadas contas bancárias dos agentes públicos nos bancos estrangeiros. Ou de ver declarados publicamente os bens dos agentes públicos. Ao longos destes meus quinze anos de jornalismo concluo que a riqueza dos líderes africanos não da "inveja" o que lhes vale ter rios de dinheiro e não gastarem como gostariam depositarem em bancos suíços e quando saem do poder as contas são congeladas ou até o dinheiro confiscado. Também penso que se a riqueza fosse melhor distribuída não haveriam tantas reclamações. Por uma melhor redistribuição da riqueza viva o café de Angola. Cidália Cardoso |
Adelino Sá
Acabo de ler um artigo no Le Matin, sobre um caso que se passou aqui na Suíça. O caso resume-se a um funcionário das finanças, um jovem de 33 anos, que conseguiu desviar, manobrando o serviço de informática, a bonita soma de 6 milhões de francos suíços para a sua conta bancária, nos últimos três anos. Foi descoberto porque gastava mais do que poderia com o seu salário e isto... num local nocturno para homossexuais.
Segundo reza a crónica, era demasiado generoso para com os seus amigos, que não se coibia de ir de Genebra até Milão, de avião, para regressar no mesmo dia depois de visitar as melhores lojas da moda. Não sendo um caso de corrupção pura, no entanto foi interessante de ler até que ponto o dinheiro é capaz de mover as pessoas. Se não for o dinheiro é a paixão, que nos diga o ex-presidente da América; a Mónica corrompeu o descuidado presidente com os seus atributos naturais em que o raio do homem aproveitou para humedecer o charuto de Havana nas partes íntimas da estagiária, quando a referida angélica se masturbava. Que me perdoem os mais pudicos pela minha conversa... mas foi assim que li isto não sei muito bem aonde. Já agora, o que foi feito com as Fundações em Portugal? Ainda existem? Com a confusão dos dinheiros utilizados pelos ministérios nas ditas Fundações sem que ninguém nunca percebesse muito bem para que serviam... E aquela das viagens fantasmas dos parlamentares que iam e não vinham ou que recebiam e não viajavam. Qualquer coisa parecida com isto que também li em qualquer lado. Outra que me lembrei: as faltas dos ditos parlamentares ao Parlamento sem a dita justificação. Será que viajam todos à mesma hora? E o tal da bombas de gasolina da auto estrada do Algarve? Segundo rezam alguns sussurros mais indiscretos é que a mesma foi atribuída antes da mesma estar adjudicada... Não é que nas minhas últimas férias vi uma construção de uma casa clandestina na praia de Esmoriz, à frente de toda a gente, uma casa que já foi embargada por duas vezes, que segundo os mesmos sussurros indiscretos esta é mesmo a terceira tentativa, mas que desta vez tem (ou terá) a anuência das autoridades locais, dado que o prevaricador pertence à Comissão de Festas da mesma praia. E sabem porquê? Porque se está a chegar às eleições autárquicas e o referido homem consegue influenciar os pescadores cuja influência irá resultar em votos... Bem é um tema que nunca iríamos acabar hoje, para não falar dos orçamentos que foram inflacionados de uma forma voraz, como a barragem do Alqueva que foi orçamentada em 16 milhões e já vai nos 33. A linha do Norte foi orçamentada em 107 milhões e já vai nos 300 milhões. É claro, que com tantos aumentos em tão pouco tempo uma pessoa pode colocar a questão: Corrupção? Isso existe... Adelino Sá |
| Na próxima semana: Cimeira Luso(?) Brasileira |
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