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Portugal em Linha - O Ponto de Encontro da Lusofonia

Esta semana...

10.10.2001
O papel da CPLP
O primeiro passo no processo de criação da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa foi dado em São Luís do Maranhão (Brasil), em Novembro de 1989. Na Cimeira de Chefes de Estado e de Governo, a 17 de Julho de 1996, foram aprovados os Estatutos da CPLP. Mais um daqueles partos difíceis...
Uma dos pontos destes Estatutos diz que "A CPLP assume-se como um novo projecto político cujo fundamento é a Língua Portuguesa, vínculo histórico e património comum dos Sete, que constituem um espaço geograficamente descontínuo mas identificado pelo idioma comum. Esse factor de unidade fundamentará, no plano mundial, uma actuação conjunta cada vez mais significativa e influente".
E isso vê-se? Desde 1996 até hoje que efeitos práticos sentiram os povos dos Países de Língua Portuguesa da acção da CPLP? Afinal o que é a CPLP? Do ponto de vista do comum mortal luso-falante que não participa nas reuniões e cimeiras, qual deveria ser o papel da CPLP?
Carlos Mário Alexandrino da SilvaCarlos Mário A. da Silva

Antonio Ribeiro é um entusiasta da Língua dita Portuguesa, ao contrário de mim que não encontro nela, face à GLOBALIZAÇÃO que vai certamente abranger todo o planeta num futuro Estado MUNDIAL, pois a que se apresenta com maiores condições para servir de veículo de comunicação a nível internacional é sem dúvida alguma a Língua Inglesa, mais precisamente o Inglês Internacional - e isso já está começando a se verificar no contexto da chamada União Européia -.
Essa tal de CPLP nasceu lá nas terras do Nordeste brasileiro, no estado do Maranhão em 1989 mas só 7 anos mais tarde seus estatutos foram aprovados numa cimeira de Chefes de Estado e de Governo ditos "lusófonos". Pessoalmente não acredito que estejam desenvolvendo o seu melhor para concretizarem sua ambiciosa aspiração de valorizar e intensificar a nossa fala nos 7 países membros, já que os desventurados galegos, pais da língua feiosa que utilizamos - feiosa na opinião de muitos "gringos" com quem falamos e que nos disseram considerá-la muito difícil e chata, em particular a falada pelos portugueses de Portugal ( e se é feia a do norte! Com seus "oitos", dezóitos, binte óitos...) e das respectivas ilhas ditas "adjacentes" mas, na verdade, algo distantes... O Presidente do Brasil e a primeira dama Drª Ruth Cardoso, antropóloga, arranjaram uma secretária executiva, morenaça lá do Nordeste, ligada aos quilombos - remanescentes românticos das antigas "repúblicas" de escravos fujões que ao longo de quase um século, no XVII d.C., deram muita trabalheira aos administradores reinóis que acabaram por destruir impiedosamente o seu poderoso reduto e o "chefão" - ao que parece "gay" mas corajoso - que reinava sobre esse estado-nação, organizado segundo os melhores preceitos vestefalianos inventados em 1648 através de um tratado específico que lançou no orbe a moderna concepção de estrutura estatal-. Pois a D. Dulce Pereira é quem tem essa responsabilidade, aí em Lisboa, e seu Mercedes 340 SE farta-se de rodar, rodar, rodar mas do que está sendo feito quase nada se sabe a não ser que uma das primeiras preocupações da ilustre secretária executiva foi botar no olho da rua os colaboradores "marinheiros" (como lá no Nordeste, pernambucano, eram e ainda continuam sendo denominados os "portugas" e seus "descendentes"). .Ela já viajou até Luanda e Maputo e na capital das "angolas" fez declarações aos órgãos da comunicação social basto apologéticas em relação às qualidades políticas e não só do cativante presidente Zé Eduardo dos Santos. De notar que a distinta executiva não esconde suas predileção ideológica pelos movimetos de esquerda radical e é intransigente causídica do afrocentrismo, o que só lhe fica bem - convenhamos -.
Bem, a tal CPLP devia unir e não desunir, mas é preciso ter em atenção que quem está suportando a nada leve despesa do salário de marani da ilustre dama não é o tesouro "portuga" e sim o "brasiluga" pois é daqui do Brasil, lá do Palácio do Planalto, que vai o "tutu" que sustenta não a CPLP "in totum" mas os seus quadros mais destacados, todos brasileiros selecionados pela dita senhora. Essa de colar pauzinhos de fósforo para construir paciências comunitaristas está na forja e vai sair... algum dia. Tenhamos fé e esperança. Quem já tanto esperou pode continuar esperando sem saber, porque nada tem transpirado cá para a ribalta, que agradáveis surpresas vão sair, como coelhinhos ladinos, das maguinhas dos preclaros orientadores a CPLP... É mister que eles se desloquem com freqüência e boas ajudas de custo para ganharem ânimo. Merecem, mercem mesmo pois deve ser uma tarefa "chatérrima" essa de querer "comunitarizar" de modo a darem-se as mãos sem birrinhas, manos tão ciumentos e ausentistas (quando se trata de suar duro sem uma "amarelinha" bem espumosa e geladinha ao alcance a todo o momento) como esses 7 parecem ser. Nada se faz bem feito que não demore um tempão. Aguardemos tal como os brasileiros tiveram de aguardar mais de 13 anos para verem realizado o sonho aplicativo da igualdade de direitos civis e políticos (criação que se deve ao "ditador" ex-clérigo que em vida era conhecido como "António da Calçada" cuja estátua um "progessista" da linha durona corajosamente decapitou há anos... e que no Brasill era riogorosamente observada, tanto que nós temos desde 82 o nosso diploma de ambas as igualdades emitido pelo Ministério da Justiça do Governo Federal); a coisa foi noticiada com destaque na mídia brasileira, ontem ou anteontem, como uma grande novidade de fresca edição... quando na verdade todos esses acordos, de igualdade, de previdência social e cultural já existiam e estavam em uso... no Brasil (repetimos) desde a sua formalização legal em fins de 1969...
Cá no Brasil há muitos anos, longos anos mesmo, que temos um português como Deputado Federal, o Dr. José Lourenço (se a memória não nos atraiçoa) pelo estado da Bahia. Aquele deputado que aí na RTP tentou defender em público, ao vivo, os odontologistas brasileiros e viu cortarem-lhe a transmissão e a palavra, em termos muito "comunitaristas".Quem estas linhas escreve nem sequer tem carteira de estrangeiro e sim a nacional brasileira mas com menção de ser de nacionalidade portuguesa o seu portador... Porém, parece que por aí os nossos irmãos brasileiros com freqüência são fustigados com certos "mimos preconceituosos", o que é deveras lamentável pois isso não acontece aqui, no Brasil, connosco. Pelo menos até há pouco tempo eles não eram tratados do mesmo jeito que nós somos do lado de cá e isso, isso, é muito feio, não é? Nesse aeroporto da Portela de vez em quando passam-se (nas revistas de pessoas e de bagagens) factoss lamentáveis, que nos chegam ao conhecimento através de reportagens da TV Globo e doutras emissoras televisivas... Também algumas damas portuguesas. quiçá ciumentas da aparência esbelta, eivada de tropicalismo, das brasileiras, que na maior parte dos casos não deixam crescer panças rotundas, quase invariavelmente entendem que todas as mulatas são da vida fácil ( que é rendosa para umas quantas mas não é nada fácil que também existe entre portuguesas e não só...) e lhes querm roubar os "maridos"... Tais atitudes não ajudam a construir "sociedades irmanadas num ideal comum, fraterno"! Portanto, aí na "santa terrinha" é mister educar, ensinar a ser solidário e a ter "maneiras", a perder a síndrome da inveja que pode jogar tudo a perder... Talvez até a sra. Dulce Pereira também tenha sentido isso, logo aos primeiros contactos na capital portuguesa em que, mal chegada aí, começou a ser "desancada" na imprensa "lusitana"... É essencial arquivar estereótipos duma vez por todas e criar uma maneira diferente de "estar no mundo...lusófono".
Até à próxima.

Carlos Mário Alexandrino da Silva
      Fernando Cruz GomesFernando Cruz Gomes

Sem rei nem roque...

A CPLP - Comunidade de Países de Língua Portuguesa - está a andar.
A passo de caracol, talvez, mas a andar. É bem capaz de ser apenas e só... uma comunidade subjectiva, sem contornos precisos, sem objectivos definidos (com possibilidade de serem atingidos). Mas é, mesmo assim, uma comunidade que tem pernas para andar. Sobretudo hoje em que parece ser cada vez mais importante que os países - deste ou daquele continente, deste ou daquele conjunto de objectivos - falem a uma só voz.

É que a tal globalização, com os inegáveis defeitos que tem, "obriga" a que se responda, cada vez mais, em grupo.

Dir-se-á - e muitos ainda o dizem - que a CPLP é algo que nasceu "tarde". Que, em tempos, quando havia uma espécie de "império" era bem possível que resultasse mais. Que evitasse tantos desamores que se criaram e tantos sofrimentos que estão à vista. Nasceu tarde, talvez, mas nasceu. E é preciso encará-la como algo que é preciso "enformar", dar conteúdo, fazer com que ande, de facto, sem ser no reino do "faz de conta".

Recorde-se que o primeiro passo no processo de criação da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa foi dado em São Luís do Maranhão (Brasil), em Novembro de 1989. Por essa altura, mordia ainda a criação da tal globalização. Incendiava-se os ânimos ditos nacionalistas que não queriam embarcar em "abrir de mais o jogo", levantam-se véus de quem não queria, afinal, ficar "nu". Talvez por isso, pelos muitos pensamentos que estiveram (e estão) subjacentes à "montanha" que não queria "parir um rato" é que a seguir ao tal primeiro passo de Novembro de 1989, só na cimeira de Chefes de Estado e de Governo, a 17 de Julho de 1996, quase sete anos depois, é que foram aprovados os Estatutos da CPLP.

Um parto difícil, mas que poderia mesmo assim dar um "filho" rosado e belo - que deu - mas também "forte", "duradouro" e "acutilante", que ainda não deu... mas pode vir a dar.

Para nos unir, tínhamos apenas - como temos ainda hoje - um traço comum. A Língua Portuguesa. Que, infelizmente, estamos a deixar ficar pelo caminho. Como estava em 1989, em 1997, e há-de estar (na melhor das hipóteses) em 2017...

Já fizemos alguma coisa? Honestamente... não sabemos responder à pergunta em epígrafe. E não sabemos por que o povo, enquanto tal, conhece muito pouco, a Comunidade em causa. O povo dos diversos países. Que é que fizemos quando as crises surgiram? A CPLP fez o quê na crise da Guiné-Bissau? E em Timor? E o que é que faz em Angola? Que pretende fazer em São Tomé e Príncipe onde toda a gente está à espera que haja algo?

Bem vêem... muitas perguntas, poucas respostas e menos acções!

Aí temos de lembrar que Portugal, a pouco e pouco, pode e deve estar a chegar à conclusão que "fez" um "óptimo" trabalho em África, sobretudo quando da chamada "exemplar descolonização". É ver apenas como estão as coisas, a situação de miséria em que a maior parte dos países lusófonos vive, o desconchavo existente nas estruturas que por lá deixámos. Nem sequer é preciso chamar à pedra culpados e ouvi-los em auto de declarações. O juizo está formado, designadamente, na guerra - recordam-se? - que dilacerou os já martirizados povos da Guiné-Bissau.

Ali viu-se logo que o povo "gostava" muito de Nino Vieira. O povo e o exército, como é evidente. É que logo que o brigadeiro Ansuamane Mané se revoltou contra o seu antigo camarada de armas, no tempo da guerra dita de libertação, tudo quanto era farda o seguiu, deixando ao sr. Nino Vieira - que, como dizia, há dias, o confrade Eurico José no "Portuguese Times", já devia estar no Porto a almoçar com o seu compadre Valentim Loureiro - entregue à tarefa de ser Presidente e comandante-chefe de umas forças armadas que já estavam do "outro lado".

ESTA FORMA DE FAZER POLÍTICA...

Não restam dúvidas de que, naquele caso como em muitos outros, a forma de fazer política, quer ao nível interno, quer, especialmente, ao nível externo, é no mínimo muito "sui generis". Em Portugal, chegamos a ser como aqueles que brincam às guerras e às declarações de princípios e de práticas correntes. Brincamos só por brincar... Com Lisboa a olhar - pelos vistos "ávida de ajudar" - há guerras quentes e frias (mais esta do que aquela) um pouco por toda a parte. Paredes meias com o território continental português.

Com as chagas ainda à mostra, tivemos a Guiné Bissau. Houve tiros, explosões, incêndios e fugas maciças das populações para lugares mais serenos. E a pouco e pouco, foi-se verificando que, afinal, a Junta Militar (rebelde) tinha muito mais força que o Governo. De tal forma que este só não caiu por que a troco não sabemos de que favores, pediu a assistência das tropas do Senegal. Que, pelo menos, seguraram o presidente. Até quando foi possível.

A CPLP... ONDE ESTAVA?

De repente, movimentaram-se algumas boas-vontades e a CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa) achou que deveria intervir. Primeiro a medo. Depois, a pouco e pouco, mais decidida. Milhões de toneladas de conversa e aí tivemos nós uma espécie de acordo de cessar-fogo, depois de quase três meses de desmandos. Cessar-fogo a que, de repente, e já com o combóio em andamento, uma tal organização regional africana se associou. Talvez para "salvar a face" do próprio Senegal. Cujas tropas estavam em Bissau e noutros pontos da Guiné, contra a vontade da população. Que não conseguiu - nem consegue - digerir a sua presença.

Pois... mas um acordo de cessar-fogo exige fiscalização. Exige, afinal, outras forças armadas para no meio da luta ver quem agride quem... Só que, neste caso, e como dizia, na altura, o embaixador José Aparecido de Oliveira, tivemos a primeira força de paz desarmada da história das Nações Unidas. E, mesmo assim, sem resultados. É que aos pruridos iniciais da CPLP - com Portugal à mistura - sucederam-se ainda, os "engulhos" da CEDEAO (Comunidade de Desenvolvimento da África Ocidental). A CPLP, que poderia muito bem exercitar-se no desfazer de "equívocos" que às vezes surgem, andava e anda um pouco à deriva. Nessa altura, com o secretariado executivo entregue, desde 1996, ao angolano Marcolino Moco, não parecia haver "vontade política" para avançar muito mais. O que foi pena, naturalmente.

De resto, a CPLP, infelizmente, não ganhou ainda as "esporas de cavaleiro", até porque Angola, para falar apenas num país, está cheia de problemas. Com a guerra civil ainda latente. Com os angolanos a degladiarem-se. Com o Governo a desfazer-se, governo que já nem está legal, uma vez que as eleições se rea.lizaram em 1992. Como é que Angola - com um seu alto funcionário a exercer as funções de secretário-geral da CPLP - poderia aceitar "limpar" a casa do vizinho, mantendo a sua bem suja?!

QUEM PEGA NAS RÉDEAS?

Na reunião da CPLP, na Cidade da Praia, houve notas que deveriam fazer pensar. E isto até por estarem presentes delegações da ONU, da Organização de Unidade Africana (OUA), da Comunidade de Desenvolvimento da África Ocidental (CEDEAO) e da União Europeia. Aí surgiu um manifesto de mais de um milhar de portugueses, brasileiros, africanos e timorenses. Tinha assinaturas de figuras de grande relevo, como Oscar Niemeyer, José Carlos de Vasconcelos, Millor Fernandes, José Saramago, Fernanda Montenegro, Mário Soares, José Sarney, Itamar Franco e Ramos-Horta.

O embaixador José Aparecido de Oliveira faz a leitura do documento, sintetizando, afinal que precisamos de um órgão actuante, capaz de dar vitalidade aos princípios da CPLP. Para que ela possa ter presença decisiva. Exemplos? Muitos. Na causa do bravo povo de Timor-Leste e na guerra civil de Angola. Em Angola, é bem capaz de se travar a mais cruel guerra do nosso século.

Morrem, ali, milhares e milhares de pessoas, todos os anos. Levantam-se minas onde ontem se gastaram rios de dinheiro para as desarmar. Tudo a desafiar, não apenas, os acordos de Lusaka, mas também as sucessivas resoluções das Nações Unidas.

Na Indonésia, mesmo depois da demissão do ditador Suharto, ninguém se decidiu, atempadamente, a levar por diante e a fazer cumprir o que foi decidido pela ONU, há algumas décadas atrás - a autodeterminação de Timor-Leste. Teve que correr mais sangue, com a CPLP a ver passar o combóio. Mais uma vez.

Na verdade, para a CPLP este quadro... não é "brilhante". Bem ao contrário. E, no entanto, é um quadro real a que alguém tem de dar novos contornos. É que a CPLP - como dizia, há dias, em "O Globo" José Aparecido de Oliveira, que foi governador de Brasília, ministro da Cultura e embaixador do Brasil em Lisboa - só será respeitada no mundo quando superar os seus problemas na África lusófona. E não só, claro. Muito menos com o actual elenco directivo.

Fernando Cruz Gomes

Na próxima semana: 3ª Guerra Mundial?


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Comentários

Caro Senhor,

Sou Português, Residente em São Luís do Maranhão, terra,o qual descobri hoje, nasceu a CPLP. Mas escrevo, pois não concordo com muita coisa que o senhor disse.
Sabe... Eu vivi em Lisboa 29 anos, e ultimamente Lisboa está cheia de Brasileiros a trabalhar e a estudar e a residir. Nunca vi um Brasileiro ser mal tratado, a ser descriminado, pelo contrario.pois eu aqui já fui chamado de ladrão, estrupador de indios, entre outras coisas piores. Para arranjar Emprego foi um inferno por ser "Portuga". Ser um "Burro". Alem de todos os dias ter de ficar a ouvir piadas contra os Portugas. Seja na rua, seja na TV, seja no Radio, seja onde for.
Vamos ser sinceros.... Na TV Brasileira já vi casos de pessoas relatarem que foram mal tratadas no Aeroporto da portela... Pois é... Mas como o jornalismo Brasileiro é tão bom, nunca vi alguem ir a Lisboa confirmar os casos, e saber o que realmente se passou. É muito facil eu chegar a Lisboa e dizer à comunicação social que não me deixaram entrar no Brasil e que fui mal tratado. As Tv´s darem a noticias, sem saber o que realmente aconteceu aqui.
Nada tenho contra o Brasil e os Brasileiros, mas pode ter a certeza que existe mais amor dos Portugas pelos Brasucas, do que dos Brasucas para os Portugas. Isso eu posso Garantir.

Diogo Manuel Rosa Garoupa


Faço minhas as suas perguntas.
Sinto uma impotência grande perante este fazer que faz em que se perdem as boas iniciativas. Mas saúdo este espaço de reflexão e apelo a uma atitude activa.
Qual o porquê do efectivo apagamento da CPLP? A quem prestam contas os executores duma vontade que tem agora expressão política, levada que foi ao ponto da sua efectiva institucionalização? Será suficiente a informação disponibilizada em http://www.cplp.org/start.html ? Parece um pouco desactualizada e reflecte alguma burocratização no seu formalismo, talvez. Ou, se quisermos dar benefício da dúvida, parece ter um papel discreto, sem alarde, no somatório de acções que enumera na página na net. Tem um motor, o conselho de ministros da CPLP. Mas que não tem reunido ultimamente. Será que os paises representados têm o papel principal na sua dinamização, através deste conselho ? Quem o convoca ? Poderá a secretária assumir posições e ter iniciativas que ultrapassem as vontades políticas dos seus membros ? Talvez que o perfil da actuação da CPLP corresponda ao estado das vontades políticas dos membros e pouco mais possa fazer pois não se poderá substituir a essas vontades políticas. Talvez que fosse necessário os países membros conferirem-lhe maior peso e confiança para poder ser, junto dos foruns políticos internacionais, portadora dum conjunto de vozes uníssonas - que ainda não tem.
Encontrei um endereço disponibilizado na internet para onde fazer essas perguntas. Porque não fazê-lo directamente : comunicacao@cplp.org ?

Saudações
José M.Freire da Silva


Prezado sr. Carlos:
Estou morando no Brasil desde 1981,tenho 42 anos e muito do que o senhor disse,admito que também sinto. Ás vezes ficamos chocados com noticias de brasileiros maltratados em Portugal.Acho,no entanto,extremamente exageradas suas considerações, quanto á comunidade dos paises de lingua portuguesa, como em relação á lingua portuguesa. Acredito que quando desconhecemos determinada lingua, ela nos parece dificil e muitas vezes com uma sonoridade horrível. Por exemplo, quem não fala chinês, ou russo, ou japonês etc., acha estas linguas não só dificeis, mas também com uma sonoridade nada atraente. Não significa isso que estas linguas não nos tenham dado obras literárias de excepcional beleza... Ou será que o senhor Carlos leu Camões em inglês?...
Quanto ás tendências politicas dos altos quadros da comunidade, está na hora de alguém lembrar ao pessoal deste lado do Atlântico, que o "comunismo ", e outras doutrinas similares, acabaram no século passado. É necessário levantar econômica e socialmente a África, mas não me parece que esta seja a hora de o Brasil se voltar para esse continente. Antes precisa se integrar de forma mais efetiva á Europa, e para isso a comunidade de paises de lingua portuguesa, mais precisamente Portugal, pode e deve ser a porta natural para o acesso do Brasil á Europa.
Ainda quanto ao deputado José Lourenço, gostaria de lhe dizer que o ilustre parlamentar não é português, apesar do sotaque. É brasileiro nato, embora tenha estudado por muito tempo em Portugal, o que não invalida em nada suas considerações. Apenas o nobre deputado, quando de sua estadia em Portugal, para defender os modernos "tiradentes", se excedeu verbalmente em hora e local impróprios, o que obrigou a televisão local a tomar tão impopulares providências. Acontece que o deputado embora tenha o sotaque, nada entende da democrática alma lusitana, e quando o debate é civilizado, o time dele é desclassificado....
Agradeço o espaço. Saudações Lusitanas. E não esqueçam que o poeta disse, "A MINHA PÁTRIA É A LINGUA PORTUGUESA."

Rui Machado


Dizem que a CPLP está a andar, eu diria que está a engatinhar. Se não tomarem cuidado engatinhará até um precipício e... coitada da CPLP, morrerá em acidente causado por falta de cuidados. Caberia ao Brasil, por sua importância no contexto dos grandes países, dar uma "mãozinha" protetora a esta "criança" mas... qual o quê, o nosso presidente FHC está mais preocupado em agradar o Bush II do que outra coisa. No inicio de seu governo mandou para Lisboa, como embaixador, o seu ex-chefe Itamar Franco, que andou falando umas coisas que não agradaram a Sua Excelência. Agora, quase ao termino do seu segundo mandato, manda para Lisboa, também como embaixador, o seu ministro da Justiça, também por que andou a deitar falação que não o agradou. É assim, de coveiro em coveiro, que a CPLP será enterrada. É uma pena, o presidente FHC está enterrando uma organização que tinha tudo para ser um exemplo. Embora não pareça mas, desde o tempo que era ministro das relações publicas, que percebo que, mais ou menos disfarçado, o senhor Fernando Henrique Cardoso não "gosta" de Portugal nem das coisas portuguesas, apesar das paparicações do Sr. Guterres. Honra seja feita ao grande brasileiro José Aparecido de Melo, também ex-embaixador do Brasil em Portugal, este sim um grande brasileiro amigo inquestionável da CPLP.

Henrique A. S. Luiz


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