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3ª Guerra Mundial? Entramos na 3ª Guerra Mundial? Toda a gente parece querer insistir de que não se trata de uma guerra mundial os ataques que os Estados Unidos e aliados decidiram efectuar em resposta aos ataques de 11 de Setembro. Independentemente da aceitação do inimigo eleito e das alternativas de resposta, o facto é que meio mundo se uniu para desancar no outro meio. Assim sendo haverá quem esteja a salvo? De possíveis ataques ou de outras consequências. Portugal parece estar. Segundo o nosso Primeiro Ministro, Portugal é um país seguro e não temos nada que nos preocupar porque não é previsível que algo de mal nos aconteça. Que bom!!! |
Maria Arlete Antunes (*)
A Terceira Guerra Mundial estaria à porta. Por mim, sou ainda optimista e acredito que haja uma forma de evitar toda a tragédia que
uma terceira guerra mundial provocaria. Não sei é se os outros - os que mandam - estão tão optimistas assim. Ou dito de outra maneira, não sei é se eles querem fazer abortar as nuvens em castelo que se vêem já no horizonte.
Não me lembro de quem disse não saber como é que seria a terceira guerra mundial, mas saber, sem sobra de dúvida, que a quarta seria com paus e pedras, tão devastadora iria ser a terceira. Não gostava, assim, que os meus filhos e os filhos dos meus filhos me atirassem à memória... que eu também tinha contribuido para essa hecatombe. De qualquer modo, há já quem diga que estamos na Terceira Guerra Mundial. Que tudo quanto se está a passar no teatro das operações e, mui especialmente, no tabuleiro onde alguns jogam o xadrês da luta... cheira a enxofre. Que há, de facto, o tal diabo da guerra à solta. E enumeram-me as razões para que outra coisa não possa ser considerada esta instabilidade a que assistimos. Falam-me, de facto, no "11 de Setembro" e na tragédia que se abateu por sobre um país que estava habituado a dominar o mundo e que, de um momento para o outro, ficou igualmente vulnerável, designadamente sem grandes gastos de dinheiro em material bélico caro e sofisticado. A humilhação está ainda a ser digerida, a despeito de já haver o troar do canhão e o ribombar dos mísseis um pouco por toda a parte no Afeganistão da angústia, onde, pelos vistos, mora o Bin Laden do terror. Não deixam de me lembrar que o presidente do Paquistão - que se alcandorou ao mando governativo por um golpe de estado - está a dar sinais de enfraquecimento, ante a turba multa muçulmana que se interroga, pelo menos, sobre se bin Laden não é uma espécie de mártir ou de profeta. O que, a confirmar-se, poderá fazer com que o presidente caia e as fronteiras da guerra sobre o Afeganistão venham mais para baixo... para a zona da Índia. Depois... será só imaginar que a China não é longe... Dizem-me, de facto, tudo isso. E não deixam de me afiançar que o presidente George W. Bush tem no bolso mais recôndito uma lista de "inimigos de estimação" cujo nome baila, agora, na mente dos chamados falcões dos corredores do poder nos E.U.A. Falam-me no Iraque e na Síria, no Irão e na Líbia. E que estes países, por esta ordem ou por outra, estão na mira das botas cardadas (ou não) dos soldados do Tio Sam. Falam-me em tudo isso. São bem capazes de ser indícios seguros de que estamos em vésperas de qualquer coisa parecida com um conflito mundial, a tal terceira guerra. Falam-me em tudo, sim... mas eu ainda não acredito. De facto, se tudo o que me dizem... fosse verdade, não seria difícil imaginar estarmos no dealbar da terceira guerra mundial. Com laivos de desumanidade para além do vulgar. Onde se falasse no humilhante atentado contra Nova Iorque e Washington, onde morreram milhares de inocentes. E na tal guerra biológica, que já começa, ainda que veladamente, a ser atribuida aos "aprendizes de feiticeiros" da ala radical do sr. Saddan Hussein. Seria, de facto, uma guerra sem sentido. Uma guerra sem sentido de que ninguém estaria a salvo. Nem mesmo o nosso Portugal, onde o senhor António Guterres, que é primeiro-ministro, diz que estão todos seguros, não havendo nada que preocupe as populações, não sendo previsível que algo de mal aconteça à Terra de Santa Maria. Pois é... fia-te na Virgem e não corras e verás o trambulhão que levas! Se houvesse a Terceira Guerra Mundial, se estivessemos, de facto, já no dealbar da conflagração mundial... Portugal sofria como os demais países e não havia Santa Bárbara que nos valesse. Mas eu, de facto, não acredito. A guerra mundial só entra na cabeça louca dos que não viveram as agruras da segunda. Só entra na cabeça dos que acreditam que a guerra resolve algum problema. Por mim, sou capaz de pedir a qualquer leitor - dos poucos que a minha crónica primeira há-de ter... - que me diga qual foi o problema resolvido por qualquer uma das guerras em que o mundo mergulhou. Por mim, se necessário for, direi as muitas catástrofes que as guerras provocaram. E depois, como mulher e como mãe, não gostaria de pensar que os que, daqui a 100 anos, estiverem no orbe terráqueo onde habitamos se lembrem que um dia, há muitos anos, houve um senhor todo poderoso que carregou no tal botão nuclear. E que o outro senhor (não muito menos) poderoso fez o mesmo, tendo pràticamente destruido o mundo. Não quero que os meus descendentes se interroguem sobre qual foi o meu papel no meio de tudo isto. Que instrumento toquei eu quando bati palmas aos que, paulatinamente, hoje e amanhã, foram escrevendo partituras de guerra para serem tocadas por instrumentos de ferro e aço que voam quase tanto como o pensamento e que destroem tudo por onde passam. Não acredito, assim, que o homem - ou a mulher, se preferirem, que nestas coisas somos capazes todos e todas de ter as culpas - destrua o mundo lindo que estamos a construir. E que os nossos pais e avós nos deixaram. Eu não acredito na Terceira Guerra Mundial. E você? Maria Arlete Antunes (*) Maria Arlete Antunes é Jornalista desde há muito. Começou no então Radio Clube de Benguela, em Angola, passou, sucessivamente, pela Radio Ecclesia, Estúdios Norte e foi, logo a seguir, para a Emissora Oficial de Angola. Leitora de noticiários e de programas, dedicava-se também a reportagens e a programas de âmbito cultural. No Canadá, tem colaborado em vários Jornais. Escreve ainda para algumas publicações espalhadas pelo Mundo. Como locutora, no Canadá, exerceu a sua profissão no então Rádio Clube Português. |
Orlando Castro
Guerra mundial ao dobrar da esquina
Alguém disse que «nós somos filhos e agentes de uma civilização milenária que tem vindo a elevar e converter os povos à concepção superior da própria vida, a fazer homens pelo domínio do espírito sobre a matéria, pelos domínios da razão sobre os instintos». Chegados às portas da globalização, às moedas únicas e, quiçá, a um modelo federal de estados, é razoável pensar que são cada vez mais os instintos e cada vez menos as razões. De um lado e do outro residem argumentos válidos, tão válidos quanto se sabe (é da História) que para os senhores do poder (hoje terroristas, amanhã heróis - ou ao contrário) o importante é a sociedade que tem de ser destruída e não aquela que tem de ser criada. É isso que pensam, por exemplo, o presidente dos EUA e Osama bin Laden. Aliás, G. Geffroy dizia pura e simplesmente que o importante é avançar por avançar, agir por agir, pois em qualquer dos casos alguns resultados hão-de aparecer. Os EUA estão a avançar, feridos que foram no seu orgulho de polícias do Mundo. Com eles estão uma série de países, nem todos de forma sincera. Não será o caso dos europeus mas é, com certeza, o caso de muitos estados árabes que, com medo do cão raivoso, aceitaram (mesmo que contrariados) a ajuda do lobo. Quando se aperceberem, o lobo terá derrotado o cão e preparar-se-á para os comer a eles. O lobo, como mais uma vez se confirma, não terá necessariamente de ter nacionalidade norte-americana. Aliás, os homens do tio Sam são especialistas em criar lobos onde mais lhes convém. Em certa medida Osama bin Laden é um dos lobos «made in USA». Ao contrário do que pensam os ilustres operacionais da NATO, do FBI da CIA ou de qualquer coisa desse tipo, ninguém tem neste planeta (pelo menos neste) autoridade e poder ilimitados. O mesmo se aplica em relação aos agora chamados de terroristas. Mas, como os instintos ultrapassam a razão, ambos estão convencidos que são donos e senhores da verdade absoluta. O confronto foi, por isso, inevitável. Significará esta tese que a 3ª Guerra Mundial está aí ao dobrar da próxima esquina? Para mim significa exactamente isso. Só falta saber a que distância está a próxima esquina. Os agora terroristas (segundo a terminologia ocidental, que já usou igual epíteto - entre outros - para Yasser Arafat, recordam-se?) poderão não ter a mesma capacidade bélica do que os EUA e seus aliados. Vão ser humilhados, sobretudo pelo número dos mortos que o único erro que cometeram foi terem nascido. São as leis da razão? Não. São as leis dos instintos. Instintos que vão muito além das leis da sobrevivência. Entram claramente (tal como entrou Bin Laden) na lei da selva em que o mais forte é, durante algum tempo mas nunca durante todo o tempo, o grande vencedor. A 3ª Guerra Mundial começou porque o Mundo Árabe só está do lado dos EUA por questões estratégicas, por opções instintivas. Bem ou mal, em matéria de razão os árabes estão com os seus... e esses não são os nossos heróis. São Osama bin Laden, Yasser Arafat etc.. Bush, Blair ou Sharon serão sempre o eterno inimigo. É claro que, transitoriamente, alguns admitiram aliar-se aos EUA. Foi a opção, neste exacto contexto, pelo mal menor. Mesmo assim, avisaram que não admitirão ataques a outros países árabes. Pelo menos desde a Guerra dos Seis Dias, a aprendizagem dos árabes tem sido notável. Aceitam o que os EUA definem como inimigos, enforcam até os seus pares com a corda fornecida pelos norte-americanos mas, na melhor oportunidade, enforcam americanos com a corda enviada de Nova Iorque. Até agora os atentados são a resposta mais visível desta 3ª Guerra Mundial. Com bombas, aviões ou antraz vão preparando o terreno. Não tardará muito, tal como fizeram com os soviéticos no Afeganistão, vão utilizar o próprio armamento do Ocidente. E, quando entenderem, também poderão fazer uso de armamento nuclear. Então? Então é preciso ir em frente. Sem medo. Olho por olho, dente por dente. No fim, o último a sair - cego e desdentado - que feche a porta e apague a luz... Nota 1: Cada vez mais o que o primeiro-ministro de Portugal diz não se escreve. É que ele diz o que não sabe e não sabe o que diz. Nota 2: O autor da transcrição feita no primeiro parágrafo é António de Oliveira Salazar. Orlando Castro |
| Na próxima semana: Guerra com Nobel se paga |
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