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Guerra com Nobel se paga A ONU deveria ser uma organização ao serviço da dissuasão da guerra e de promoção da Paz. Infelizmente o que se tem visto é a ONU ir a reboque do Tio Sam e mais uma vez isto se verificou na mais recente guerra declarada pelos Estados Unidos ao terrorismo. Daí ter soado um pouco esquisito o prémio Nobel da Paz este ano antribuído à ONU e ao seu Secretário Geral. Alguns dias mais tarde, Jonas Savimbi escreve a Koffi Annan tentando encontrar soluções para a paz em Angola. Koffi Annan resolveu não responder alegando que Savimbi "é um dos dirigentes da guerrilha angolana abrangido pelas sanções decretadas pela ONU desde 1993". Será esta uma atitude correcta para tentar encontrar os caminhos da paz? Será esta a atitude adequada de um laureado com o Prémio Nobel da Paz? Ou será que este é o verdadeiro sentido da frase "fazer a guerra para ganhar a paz"? (O Nobel, entenda-se). |
Cidália Cardoso
A organização das nações unidas foi criada em 1945 depois da segunda guerra mundial, com o objectivo de se tornar numa organização que se dedicasse à pacificação do mundo.
Desde a sua criação que a onu é financiada pelos estados membros, sendo os Estados Unidos o país com a maior quota de participação. Para uma organização que se quer imparcial e com capacidade para intervir em todos os estados de igual modo penso que as quotizações não deveriam ser efectuadas directamente pelos estados pois estes têem tendência de impôr as suas regras e fazer valer a sua vontade. Um dos ideólogos da idade média Norbeto Bobbio definiu o poder económico como sendo: "A capacidade que os detentores de um bem económico têem em situação de escaez conseguem impor a sua vontade aos outros em troca do uso destes bens". É o que se passa na organização das nações unidas. Os cinco membros permanentes do conselho de segurança, regra geral, são os maiores financiadores da organização e por isso fazem o que bem lhes apetece deixando a organização sem solução. Enquanto for assim, a Onu vai continuar a não exercer com zelo as tarefas que lhe são acometidas. Só assim se pode justificar o facto das nações unidas deixarem os estados unidos intervir directamente no Afeganistão ao invés de mandarem os capacetes azuis. Quando à carta enviada por Jonas Savimbi ao secretário geral das nações unidas o facto de não merecer resposta é um sinal de desrespeito. A organização das nações unidas foram os mediadores do processo de negociação para a paz em angola e por isso nunca deveria deixar de ouvir as partes e encontrar com elas a solução viável para pôr termo à guerra em Angola. Quanto à atribuição do prémio nobel da paz à organização das nações unidas e ao seu secretário geral Koffi Annan numa altura destas, conhecendo como eu conheço o objectivo da fundação nobel, só pode ser uma chamada de atenção para que ele e a organização que dirige cumpram de facto com as funções que lhe foram atribuídas durante a criação da organização. Beba o café de Angola, é o robusto e dos mais saborosos do mundo. Cidália Cardoso |
Adelino Sá
Uma coisa é certa: a política internacional, como a política da própria ONU, vão ter que mudar de atitude depois dos factos ocorridos no passado dia 11 de Setembro em Nova Iorque.
A estabilidade da política mundial passa, forçosamente, pela credibilização de uma instituição para que possa ser um esteio de moderação nos vários conflitos que existem no mundo. É certo, que a própria ONU depende em parte dos subsídios dos Estados Unidos, e que muitos dos conflitos, que deflagram constantemente, são um apêndice directo da política para o mundo da própria América. E isto, para não falar da política ambiental do governo do Senhor Bush. A atribuição do prémio Nobel da Paz ao seu secretário Koffi Annan, não me surpreende, dado o interesse e a necessidade de haver uma instituição moderadora e merecedora de crédito: a ONU tem esses atributos graças, sobretudo, à acção do seu secretário desde que tomou posse. Se, por um lado, este prémio funciona como um reconhecimento, é certo, também, que esta atribuição desvirtua os propósitos e a filosofia do próprio prémio. Como tal, a atribuição do prémio Nobel a Koffi Annan, talvez vá na direcção de que os países membros, como o mundo, devem aceitar as decisões do próprio conselho da ONU, mesmo se estas possam merecer a discórdia e a incompreensão, sob a tutela do seu secretário geral. É óbvio, que podemos sempre questionar algumas medidas e atitudes, inclusivamente aquelas que a própria ONU aplica em relação a Angola, como tantas outras que são aplicadas em muitos pontos do globo. Tem que haver uma maior coordenação no mundo contra o fenómeno terrorismo. Em vez de proibirem a venda de armas, devem, sim, terem um maior controlo nas praças da finança, para que estes grupos não desfrutem da possibilidade de poderem ganhar grandes fortunas nos mercados internacionais da Bolsa. Se não tiverem meios de investir não terão , por certo, forma de comprarem armas. Mas, se o Nobel da Paz não fosse atribuído a Koffi Annan, quem mais mereceria tão eloquente e prestigiado prémio? Não vejo ninguém que tenha feito algo de importante para a paz no mundo, antes pelo contrário. O mundo está cada vez mais dependente do poder económico e cada vez menos dependente do poder político. A atribuição do prémio Nobel, está cada vez mais ao lado deste dois factores: poder económico e político. Adelino Sá |
| Na próxima semana: Independência de Angola |
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