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Portugal em Linha - O Ponto de Encontro da Lusofonia

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06.11.2001
Independência de Angola
No dia 11 de Novembro Angola comemora o 26º aniversário da sua independência. Os angolanos comemoram?
Num país grande e rico os números são também impressionantes: A guerra pós-independência gerou mais de 1 milhão de mortos e 400 mil deslocados e existem 7 mil meninos soldados com menos de 18 anos a participar no conflito. Cerca de 14.000 crianças sofrem de deficiências devido à guerra. Num país onde só as receitas do petróleo se situam à volta dos 3 mil milhões de dólares anuais, 62,5% da população vive em pobreza absoluta ou relativa, 59% não tem acesso a água potável e 76% não tem acesso a cuidados médicos. A segunda pior taxa de mortalidade infantil do mundo verifica-se em Angola: 29,5% das crianças morrem antes de atingir os 5 anos de idade. Neste país que aplica 31% do PIB em gastos militares a esperança de vida é de 42 anos!
Isto são apenas alguns dos números frios e impressionantes que permitem uma pequena avaliação do estado do país e perguntar: Era esta a desejada "descolonização exemplar" que Portugal tão rapidamente fez questão de fazer? Era esta a independência que os portugueses desejavam? Era esta a independência que os angolanos almejavam? Alguém deveria ser responsabilizado por este verdadeiro genocídio? E a Comunidade Internacional não faz nada?
Orlando CastroOrlando Castro

A (In)dependência de Angola

Os números que introduzem o Café Luso desta semana são, só por si, aterradores. Como é possível? perguntam, com certeza, todos aqueles que têm memória e que não vivem (apenas) com o mal dos outros.
Tenho, contudo, dúvidas se os detentores do Poder em Angola alguma vez pensaram no significado desses números. Se o tivessem feito teriam, há muito, muito tempo, acabado com uma maldita guerra que obriga irmãos a matar irmãos.
      Maria Arlete AntunesMaria Arlete Antunes

11 DE NOVEMBRO DE 1975
Aiué! Roubaram-me uma Pátria...

A mim... roubaram-me uma Pátria. Nasci lá para as bandas de São Filipe de Benguela, no meio das acácias rubras que afluíam sempre à mente dos Poetas. Vi crescer as buganvílias e tratei por tu as calemas da Praia Morena. Fui muitas vezes, lá para cima, para o Benfica que era nome de bairro onde não havia cor, porque na cidade-mãe-de-outras-cidades não havia brancos nem negros... por haveror só homens e mulheres, mulheres e homens a preocuparem-se apenas com o seu dia-a-dia. E a amarem a terra...
Carlos Mário A. da SilvaCarlos Mário A. da Silva

Antes de responder objectivamente, permitam que decalque a seguinte definição de História, da autoria do Dr. John Henrik Clarke:

" A História é um relógio que as pessoas usam para saber o seu registo de tempo - político e cultural. Quem são e o que são. Acima de tudo, a história indica às pessoas para onde elas têm de ir e o que devem ser. Existe entre as pessoas e a história uma relação idêntica à que se verifica entre mãe e filho."
      Fernando Cruz GomesFernando Cruz Gomes

Independência... total... já!

Independência de Angola. O "11 de Novembro". Tudo datas que, para os que as viveram, não significam mais do que isso. Por todos os motivos e até por que a independência - a verdadeira independência de Angola - ainda está por fazer. Por muito que nos digam que o "11 de Novembro" foi isso mesmo, a independência... a ferocidade dos combates que se operaram logo a seguir à data, os assaltos à identidade do país, designadamente com tropas estrangeiras, e com "conselhos" estrangeiros não nos dão, de forma alguma, a ideia de que Angola é... independente.
Maria Miguel FerreiraMaria Miguel Ferreira

O desprezo
Falar de Angola é complicado. Não sei se hei-de começar pela actual condição de país massacrado pela guerra, se remonte às origens na descolonização, se levante a questão da independência de Cabinda, do papel dos portugueses e da comunidade internacional no processo, se ataque a imprensa de todo o mundo pela falta da mediatização necessária nesta guerra ou se critique José Eduardo dos Santos pelo despesismo e atitudes passadas. Há uma série de mixed feelings sobre Angola, que vão dos fascínio à tristeza pelo povo que sofre com a guerra, a doença, e seus sucedâneos.
      Adelino SáAdelino Sá

Simplesmente Angola

Angola, é a terra onde muitos portugueses guardam as suas memórias e a consideram como a sua verdadeira pátria.
Angola, é a terra que viu nascer muitos portugueses.
Angola, é a terra que viveu uma descolonização que muitos não entenderam.
Angola é a terra que está dividida pelos interesses do petróleo e dos diamantes.
Angola, é o país que a Comunidade internacional olha serena e impávida.
Angola, é o país onde as crianças nascem quase mutiladas pelos tiros das armas e pelas minas.
Cidália CardosoCidália Cardoso

Cá estou eu atrasada mas presente, e hoje para falar sobre uma questão sensível: a vida de onze milhões de habitantes que vivem num país rico de minerais, belo em encantos naturais, e cheio de pessoas generosas.
É sobre Angola que vos falo, da jóia da coroa do império Português. Sabem, isto é tão belo que os portugues estiveram aqui quinhentos anos e ergueram este país para aqui permanecerem até à morte.
     

Na próxima semana: Emigrantes: portugueses ou estrangeiros?


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Comentários

Independência... quantas vezes sonhada, aquilatada, discutida em reuniões de família, na universidade... e agora? Veio, mas a que preço? Será que valeu a pena, essa independência? Creio que há muito pouco a comemorar. Aqui, a um oceano de distância, fica-me a perplexidade de ver um país "potência" a desmilinguir-se na rapacidade com que seus algozes o fazem. Triste...
Há dias fez 26 anos desde o dia em que, com lágrimas nos olhos, carregava, junto com muitos outros, os porões de um avião soviético, na ponte aérea de Luanda-Lisboa, para escapar dos trágicos dias pré-independência. Daí em diante, o Brasil passou a ser minha pátria na diáspora... Angola ainda reside em mim. Que dizer agora... deixo meus versos, ditados pela melancolia ao longo do tempo em que tentava construir uma nova vida nestas terras.

Mãe África
E depois,
Não mais foi como antes.
Roubaram minha alegria de viver.
Foi só a dor que nos restou
Na despedida.
E tu,
Mãe África,
Ficaste na distância.
O grito secou na garganta,
A liberdade perdeu-se no gesto,
A vida ceifou-se no ato,
A terra semeou-se com sangue!
O mar te sepultou o corpo
E, exangue respiras
Na negra solidão de tuas noites,
Mais terríveis.
Mais escuras.
Mais negras.

Pátria Amada
Cresceu a erva daninha
Por sobre os caídos!
O verde agora
Já não é mais esperança.
Abandono demais e esquecimento!
Teus heróis
Pátria Amada - quanta hipocrisia,
Por ti reclamam
Nos areais do Namibe,
Nas florestas do Maiombe,
Nas chanas do leste,
Nos planaltos e nos vales,
Nas matas e nas cidades,
Nas cadeias e nos hospitais e
Principalmente,
Na consciência,
Tua
E na de todos quantos cavaram
No profundo dos nossos corações
O remorso
Do abandono
Do leito materno.
Teus filhos mais verdadeiros
São teu sangue,
Nossas vidas a espalhar-se já.
Pão que alimenta
Húmus que revigorará
E fortalecerá
A flor que brota no cântico
De alvorecer de nossa terra.
Para ti
Apenas o Adeus,
Breve como o entardecer
De teus dias
Nos dias
que já (se) foram!

António Russo


Aiué... Também eu parei de chorar. A terra amada. Até que a maravilhosa narração da Arlete Antunes, acorda a saudade. O branco gelado das planícies canadianas, sentiram o quente pranto de tamanha sensibilidade. Angola perdeu. Mas o Canadá concerteza que ganhou. Parabéns.

Diana Portugal


Gostaria de comentar, mas é assunto sobre o qual tenho muita dificuldade em expressar opinião, para além da grande pena que me faz acompanhar a constante destruição desse grande país e a inibição permanente da construção do seu tecido social e económico - que fariam dele concerteza um dos países mais interessantes do continente Africano.
Angola parece sofrer a punição permanente por um qualquer pecado capital de que já não se sabe qual foi, quem o cometeu e porquê, mas que continua presente, pendendo sobre aqueles que da escassez, para não dizer miséria, e da desarticulação social, conseguem manter viva uma chama de esperança e refazer no quotidiano o esboço das vidas que gostariam de ter. Nunca estive em Angola, mas consigo ter essa nostalgia de nunca ter ido lá e essa eperança de que num momento tudo acabe e seja possível recomeçar a viver, a reconstruir cidades, a percorrer distâncias, a dar, de novo, valor à vida de qualquer um, de cada um.

José M. Freire da Silva


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