![]() ![]() |
![]() ![]() ![]() ![]() |
opinião em![]() |
![]() |
Emigrantes: portugueses ou estrangeiros? Os portugueses que emigram, quase sempre porque o seu país natal não tem condições para a satisfação das suas ambições, acabam por se encontrar numa posição de dualidade e incerteza. São portugueses nos países que os acolhem mas acabam por ser estrangeiros no país que os viu nascer. Muitas vezes só lembrados pelas suas remessas em divisas ou quando vão de férias a Portugal, vivem durante todo o ano votados a uma espécie de ostracismo tendo frequentemente que lutar para que, por exemplo, os seus filhos tenham acesso ao ensino da língua pátria. Por outro lado, nos países em que vivem, e onde a sua participação na sociedade não é completa, acabam por não ser cidadãos de corpo inteiro. Os governos parece nem sempre terem a capacidade ou vontade para alterar este estado de coisas. Será que é tão difícil tratar com justiça gente que afinal exige quase nada? |
Carlos Mário A. da Silva
Na verdade, eu não estou nas condições da maior parte dos emigrantes Portugueses e não nasci na... ex-Metrópole, pois foi na cidade de ex-São Paulo de Luanda que vim ao mundo há pouco mais de 3/4 de século. Também não emigrei em busca de fortuna ou realização profissional porque, devido à forma... "exemplar" como foi processada a chamada "descolonização" -irônico novo sinônimo, a partir do histórico evento "abrilista", do vocábulo... "abandono" - fui forçado a deixar para trás essa terra e a minha família. Forçado, é o termo adequado, pela sombria perspectiva de um vencimento reduzido a 50% se tivesse optado pelo famigerado (no sentido de esfomeado, de famélico...) "quadro de adidos" e finalmente, pela decepcionante realidade de uma pensão de reforma, por uma alegada incapacidade facilitada à maioria dos servidores públicos ligados ao Ultramar. Facilitada ou atribuída conforme instruções infravermelhas por decisão vinda do alto. Pensão de reforma essa que, no meu caso, apenas com 28 anos e 3 meses de
contribuições, e mal calculada por uma sujeita formada em Direito-Torto e militante de um partido de extrema-esquerda que,
medíocre terceira oficial do GNP virou, pela mão da SANTA REVOLUÇÃO DOS CRAVOS alta funcionária gabaritada num abrir e fechar de olhos, foi manifestamente insuficiente para assegurar a sobrevivência aí do agregado familiar, apesar do meu aparentemente alto e compensador (?!) cargo público de nomeação vitalícia na letra D, ao tempo. Tal fato me conduziu a tentar uma solução que seria a de reforçar o meu parco redito de reformado, vendendo para isso um apartamento de que infelizmente continuo a ser proprietário na Amadora e a recolher um extorsivo imposto predial recebendo somente, por 3 quartos e 2 salas, um "aluguel" (?!) imposto por umTribunal daí, de 1.300 ou (nem me recordo mais) 1.500 escudos mensais que nem levantava da CGD senão de anos a anos, quando podia deslocar-me a esse País, o que agora, devido à maxidesvalorização do Real face ao Dólar US me está vedado. Esse maldito apartamento continua, volvido 1/4 de século, a ser de minha propriedade embora eu não o deseje - mas a isso estou coagido por circunstâncias trágico-cómicas geradas pela implantação, nesse País, das mais "amplas liberdades adernístico-democráticas" em 25ABR74 - porque um casal "revolucionário", segundo parece udepista se aproveitou das libertinagens revolucionárias, como acontecera no Alentejo a uma propriedade rural do meu idoso amigo e colega piloto-aviador civil Dr. Pequito Rebelo, apossando-se do imóvel sem o ter arrendado, não havendo nenhum compromisso bilateral nem contrato e tampouco me conhecendo ou me contactando. Em vão recorri à Justiça (saí perdendo em todas as instâncias devido à incongruente, paradoxal -pois até suscita hilariedade aos maiores juristas brasileiros- e anacrónica lei social-fascista do Inquilinato aí vigente ainda hoje, nesse "democrático" parceiro da EUROPA dita LIBERALISTA, para aquilo que consideram como "aluguéis antigos" mesmo nada tendo eu alugado a ninguém, e pagando custas e selos, além dos pesados honorários advocatícios de causa perdida, embora tivesse provado que os usurpadores até um salão de cabeleireiro haviam instalado, sem autorização minha ou de quem de direito, nesse apartamento residencial, e tinham feito um acordo sem meu conhecimento com ,e pago quantias a, um falso advogado que me ludibriara; na verdade, um marginal notòriamente conhecido como tal na praça lisboeta, que ficou impune, um falso "dr."que, cuidado gente que me está lendo, continua vivendo de expedientes, chamado Álvaro Vasconcelos dos Santos).
Houvera um decreto que preservava de tais situações os imóveis de propriedade de emigrantes portugueses e mais tarde, no Brasil, eu tentei beneficiar dessa faculdade mas logo o governo socialista o revogou e isso levou muito português que estava no exterior a desistir de adquirir propriedades rurais ou urbanas nesse País. Como se pode confiar num Governo (?!) e numa Assembléia da República que protegem os direitos "humanos" dos criminosos e ignora os das vítimas e dos lesados, que deixa impunes os estelionatários, os invasores da propriedade imobiliária alheia e que não asseguram, conforme impõem as normas da EU, o direito de propriedade? E também em vão recorri na mesma oportunidade para o Governo socialista e depois para o social-democrata do sr. Cavaco e Silva e ainda para o Provedor da In...justiça da República Portuguesa tentando que dinheiros (200 mil escudos) descontados legal e oficialmente do meu vencimento no IAA, quase dois anos antes do 25ABR74, e recolhidos à Tesouraria de Fazenda (onde agentes do MPLA os retiveram...) da República Portuguesa no Estado de Angola com destino a instituições públicas - Ministério do Ultramar - Obra Social- e Cooperativa CASAMAR dos Funcionários Ultramarinos- e Ministério das Finanças - Cofre de Previdência -, chegassem ao seu destino, muito antes da data da independência daquela colônia, o que jamais aconteceu. Um Secretariozito de Estado da Administração "qualquer coisa" aí do pedaço lusitano num despacho absolutamente idiota, por irracional, transcrito em ofício que recebi aqui no Brasil e que mostrei a professores da Faculdade de Direito da universidade onde fui docente e que fizeram piléria da leitura desse "douto" despacho onde o sujeito era tratado por "Sua Excelência" de acordo com a mais ridícula protocolice burguesa, "esclarecia" que as transferências, mesmo oficiais, anteriores ao 25ABR74 eram somente da
responsbilidade de quem as solicitara e não do Estado Português (que recebera esses valores e emitira recibos dos mesmos)!!!! A
"Justiça... injusta" que, sob um regime dito "democrático", continua prevalecendo nesse estranho País, e não só na tristemente célebre -por vergonhosa e desonrosa- época gonçalvista, em que a intranqüilidade pública era crescente devido à abusiva hegemonia de matiz estalinista do PCP/Cunhalista e às torpes arbitrariedades da polícia político-militar otelista de infamante memória- esteve na origem da minha partida para o Brasil-Venezuela, de bolsos vazios e, ao contrário dos protegidos - até pelos novos "donos do Poder" em Portugal! (vide ex-major engº Sanches Osório in " O Equívoco do 25 de Abril"- do ancien regime, cheguei sem emprego, sem casa e sem família nem "padrinhos" no destino, munido apenas de uma bilhete de passagem
dos TAP- Air Portugal, adquirido em Luanda com "escudos portugueses "ersatz" do Banco de Angola -segunda versão, mas pior, do Angola & Metrópole do famoso Alves dos Reis... da década de 20-já quinquagenário e doente. Sozinho, sem dinheiro, com uma graduação e pós-graduação em Ciências Sociais e Políticas e em Administração Ultramarina que eu criticara duramente, em público, quando presidente em Angola da delegação da Associação dos Antigos Alunos do ISCSPU, prevendo que o curriculo do nosso curso nos acarretaria graves problemas de capacitação para emprego no setor privado, em particular no exterior, pois que estava sobretudo voltado para a especialização colonial e não nos garantia colocação fácil em outras áreas, valendo-me essa franquez
o ter sido demitido do cargo para que em assembléia geral de sócios fora eleito, por um simples telegrama do Ministro das Colônias Joaquim Moreira da Silva Cunha que ordenara autocraticamente e sem ter poderes para isso a minha imediata substituição pelo Doutor Afonso Mendes... Eu era... um "português de segunda classe", um "imigrante" dentro da terra onde nascera, Angola, sem direitos iguais na função pública aos dos meus colegas reinóis, na ótica vesga daquele governante que mal governava as colônias de que pouco percebia afinal, pois jamais vivera em qualquer delas por mais do que um mês, nem tanto... Sim, eu também
ao tempo da "outra senhora" fui imigrante no meu próprio berço natal. Esse tal apartamento que sou obrigado a possuir na Amadora, sito à Rua D. Filipa de Lencastre, foi a causa maior da minha desdita como imigrante. Se tivesse podido vendê-lo teria arranjado um pequeno capital para tentar montar um qualquer negócio em Portugal ou mesmo aqui no Brasil, enquanto não conseguia a equiparação dos diplomas universitários, o que demandou cerca de dois anos e meio e só foi possível graças a uma Acordo Cultural Brasil-Portugal também do tempo do "ancien regime" (bem como o da Previdência Social...). Quis vendê-lo por qualquer preço, mas se interssava em adquirir... o meu problema, o mesmo continuando a acontecer agora, porque persiste o problema que o "emoldura" e que garante aos usurpadores, idosos como eu porém de há muito - e ao invés de mim- endinheirados -e, como é óbvio, muit bem!- o direito a nele permanecerem como inquilinos, muito baratinho, como já atrás referi, até que a MORTE nos separe!!!!!!!!!!!... É revoltante, é uma violação ao conceito universalmente aceite de direito de propriedade, algo que qualquer emigrante quer ver garantido. Mas aí, essa garantia inexiste! Segundo advogado que aí consultei e fez diligências junto ao posseiro Simão
para me adquirir o apartamento por 1/3 do seu valor no mercado de imóveis, aquele individuo zombeteiramente recusou, fazendo saber que sua posição é muito confortável e compensadora já que paga pouco de aluguel, o valor talvez de dois frangos, ou menos até, e o imposto predial tem de ser pago por mim (40 e muitos contos, por atraso de dois anos, no primeiro semestre do ano em curso). Saí desse país porque, conquanto não me querendo reformar tive mesmo de requerer exame para Junta Médica no então Hospital do Ultramar onde, à porta, se acumulavam milhares de "servidores públicos retornados" - não faltando entre esses os que jamais tinham estado em Portugal e até negros que ainda eram cidadãos PORTUGUESES!- naturais das que iriam ser... ex-colônias: todos eles para a mesma finalidade: desligamento, por alegada "incapacidade física" com a "benção" do "alto poder político-administrativo", e reforma... precoce. Eu cometera a bobagem, no primeiro semestre de 75, estando em Portugal no gozo da primeira licença graciosa da minha longa atividade ultramarina, de responder afirmativamente a um telefonema do ministro angolano (negro) da Agricultura, do governo de transição, um elemento da FNLA, que insistia para que reassumisse no Instituto do Algodão as funções inerentes ao meu cargo de |inspetor provincial. Para meu azar, ele fora informado por agricultores tradicionais do Icolo e Bengo e por funcionários do IAA de que a mim se ficara devendo não só a nova legislação algodoeira que pusera fim ao oligopólio das
ex-concessionárias Lagos & Irmão, Cotonang e AAA, que durante muitos anos tinham explorado os agricultores africanos- como também o êxito da criação e desenvolvimento, bem sucedido, das cooperativas de pequenos agricultores angolanos em Icolo e Bengo, Malanje e Cuanza Sul. Logo que terminasse a minha licença, respondi-lhe eu, retornaria se... a situação em Luanda se mantivesse calma e estabilizada. Em fins de Maio ou princípios de Junho de 1975 o Ministério da Coordenação Interterritorial convocou-me, por telegrama, a fim de embarcar em 24 horas para Luanda, mas nessa altura aquela capital e toda Angola já
estavam a "ferro e fogo", o governo de transição estava desmantelado e havia ali uma situação de pânico, um "salve-se quem puder!" a que se seguiu a maior ponte aérea da História da Aeronáutica Mundial, para resgate de colonos e não colonos, com aeronaves "humanitárias" enviadas por quase todos os países da comunidade internacional, até pela... União Soviética! Fui ao Ministério da Coordenação Interterritorial e solicitei no gabinete do ministro uma audiência para expor a minha situação pois, na véspera, um amigo meu, ferrenho socialista bracarense radicado em Luanda há longos anos e proprietário da "CASA LAIKA", com comércio de roupas, enviara-me uma carta em mãos de um copiloto da TAP, avisando-me para que não fosse porque, através
de um velho amigo dele, que fazia parte da cúpula do MPLA, fora avisado de que eu e mais doze outros indivíduos fôramos condenados à morte e assim, à minha chegada a Luanda eu seria pego pelos esbirros da DISA a mando de Lúcio Lara, seqüestrado e sumariamente executado como "inimigo do povo"... O ministro Antônio Almeida Santos, judeu português amigo da FRELIMO e certamente, por afinidade ideológica, também do MPLA/NETO, segundo me disse o seu secretário, não podia receber-me... caíndo assim em "saco roto" a pretensão de expor-lhe as minhas razões e o meu pedido de revogação da ordem de embarque que
nem sequer se fundamentava, pela minha parte, numa aceitação formal e incondicional de retorno!. Se não embarcasse ser-me-ia instaurado processo administrativo por abandono de lugar e demitido sem direito a reforma ou a quaquer remuneração - disseram-me os barbudos "comunas" que, ao tempo, "geriam" a Repartição de Pessoal do ministério então já fiscalizado e policiado por uma incompetente "comissão de trabalhadores" do aparatchik pêcepista. Assim terminou a minha carreira de servidor público em Portugal.... E também, teve início o fim da minha família nuclear, pois vim sozinho e como foram duros, instáveis e espinhosos os meus primeiros anos de luta neste País, não houve lugar a reunir aqui essa família; as filhas que eram adolescentes, adultas se tornaram, constituindo família por essas paragens. E como não era abonado, nem a Portugal pude deslocar-me até meados de 1987 (chegara ao Rio em 4 de Julho de 1976...) quando aí fui pela primeira vez com passagem ofertada, de surpresa, pelos meus
alunos do Instituto Santa Teresa que se cotizaram para me adquirir uma passagem na Canadian Air Lines, com escala de dois dias em Toronto. Durante vários anos para se sair do Brasil, quando da ditadura militar e Delfim Neto como Ministro da Fazenda, tinha que se fazer um depósito de 20 e muitos mil Cruzeiros apenas reembolsáveis sem juros nem correção monetária decorridos dois anos... Portugal para mim era assim uma "miragem".... Meu pensamento estava e esteve sempre voltado para Angola aonde não regressei em meados de 75 porque o saudoso e digno amigo socialista Armando de Oliveira, um bracarense, a tempo me preveniu de que sete palmos de terra e um caixão ali me aguardavam à chegada. Já nessa altura a elite do MPLA tinha uma preferência muito grande pela solução "tiro na nuca" para os que sua "cúpula" considerava como "inimigos perigosos" ou "detractores" das suas... "falsas intenções libertadoras dos povos angolanos". Nisso , reconheço, são muito constantes... na mentira, na perfídia, no
assassinato e na arte de enmganar o povo através de "washbrain" que aprenderam em Moscou e com a PROPEG brasileira mais recentemente, em 1992... Algumas remessas de divisas fiz nos três primeiros anos para a família que ficou em Portugal, mas intervaladas e de pequena monta: 300 dólares de cada vez, não dava para mais... Brasil não é terra para imigrante velhote e muito menos para sociólogo. Aqui como aí, sociólogo é visto como uma espécie de "clone" de comunista ou de anarquista... E de fato eu hoje sou adepto do anarquismo mas não da anarquia ou da cleptocracia (caso de Angola). Sempre fui , também no Passado Colonial, como natural de Angola (s), um "português de segunda classe"- desde os tempos em que Marcelo Caetano, mal aconselhado
ministro das Colônias nos anos 40, secretariado por Joaquim Moreira da Silva Cunha, um desconfiado e azedo portugocentrista, tentou
institucionalizar essa distinção entre "portugueses originários" e "portugueses não originários", o que tramou a vida a muito jovem
leucoderme natural das colônias, mormente aos que sonhavam ingressar nas Escolas do Exército e Naval.Lembram-se disso?! Pois é. Foi assim mesmo... Águas passadas que em seu curso foram desviadas, fizeram 180 graus e estão lentamente afligindo os emigrantes, mesmo os de Portugal, que há muitos anos são votados ao ostracismo pelos poderes públicos da "Pátria Amada" e "Nação Imortal" que tanto cobiça as suas remessas de divisas mas nem sequer se preocupa em levar aos filhos dos que o Destino obrigou a procurarem vida nova em outros países, ao menos a História, a cultura e o ensinamento da Língua dita de Camões.
Eu não posso queixar-me de que, ao menos, no Brasil não seja totalmente aceite por esta maravilhosa gente-irmã (malgrado a
violência que nele se vive e que requer pena de morte para os crimes hediondos), a qual fraternalmente me acolheu, e que nela não seja cidadão de corpo inteiro. Se o dissesse cometeria uma inverdade. Tenho direitos iguais aos dos cidadãos brasileiros e sou tratado como igual. Se aqui sofri com alguns patrões, sobretudo com padres salesianos de origem ancestral italiana e freiras de Maria
Auxiliadora, da Igreja Católica, só tenho que dizer da maioria o melhor que... raras vezes encontrei em igual dose por aí e mesmo em
Angola quando portuguesa. Terei perdido em Portugal uma mini-família. Contudo ganhei idéias novas, avolumei experiência e conquistei bons e sinceros amigos nesta Pátria adotiva onde sempre fui eleitor (em Portugal somente votei uma vez, na primeira eleição pós-abrilista e isso para verificar se acaso fora atendida a minha reclamação, fundamentada em declaração formal, reconhecida em Notário, do ex-presidente nacional da LAG, o mui digno Dr. Luís d´Avillez, de que eu nunca fora dirigente daquela agremiação de antigos graduados da ONMP ao contrário da falsa informação, não documentada. que alguém comuna mal intencionado passara para aquela comissão. Reclamava contra a arbitrária inclusão do meu nome entre as 150 personalidades mais
destacadas do ancien regime que haviam sido privadas de direitos políticos em 08Fev75, por vil decreto gonçalvista, conforme lista
emanada da famigerada Comissão de Extinção da PIDE/DGS, Legião Portuguesa, Mocidade Portuguesa, Liga dos Antigos Graduados da MP, etc.), desde que, ao abrigo do Acordo de Igualdade de Direitos Civis e Políticos estabelecido, e não como anunciaram há pouco para engrinaldar a vinda do sr. Guterres ao Brasil, ao tempo do ancien regime aí impropriamente referido como "salazarista" e "fascista". Gente! Eu não sou nazi-fascista nem fui, ao invés do que alguns inimigos diziam de mim, um fanático "salazarista". O que se implantou, sem Salazar ou, se preferirem, sem o judeu português (tal como o são Jorge Sampaio e Almeida Santos, e talvez o próprio Guterres) Elazar que, por corruptela, deu Salazar, em 28 de Maio de 1926, com o Marechal Gomes da Costa (e não o inverso...sem o "da") foi uma ditadura militar muito parecida (mas sem a falta de brio e decoro militar que envileceu a "abrilista" e levou vários dos seus participantes mais briosos e mais honrados a afastarem-se dela) com a que recebeu a denominação histórica de "25 de Abril". No Brasil eu pude crescer, valorizar-me, realizar-me sem invejas nem peias, embora não do ponto de vista financeiro. Continuo pobre e sinto-me feliz porque visto como me apetece, posso viver num bairro pobre entre pobres e negros, na maior sociabilidade mas rodeado de empatia e solidaridade, andar sem gravata e sem paletó, vestindo camisa de manga
curta, de bermuda na rua e sandálias nos pés, mandar às favas o preconceito que aí doentiamente domina a "cuca" de muita gente que julga que o cifrão é o "ex-libris" que distingue o "superdotado" endinheirado ou bem-enfarpelado com roupa cara adquirida no
crediário, do imbecil ou do "pelintra" que não tem vez nem voz e fica no fim da fila ("bicha" aí...) porque é pobre ou não é doutor ou
engenheiro, tratamentos estes que aqui ninguém usa. Aí, talvez devido aos maus exemplos que vêm do ALTO, o preconceito é tão gritante, que chegou ao extremo agora, como noticiou o semanário "Expresso" de sábado, 17 de Novembro de 2001, sob o título "Bispo de Leiria -Fátima na berlinda - canal 40 agita católicos", de 57 renomadas (aí) personalidades católicas super-conservadoras, entre as quais um afilhado do falecido Prof. Marcelo Caetano, exigirem, com sucesso (!!!), à CEP, que os bispos portugueses se demarquem da atual programação do Canal 40, transmitida pela TV Cabo e ligada ao movimento católico brasileiro "Canção Nova" que tem sua matriz e estação radiodifusora e de TV aqui bem pertinho de mim, na vizinha cidadezinha, de 30 mil habitantes, também no Vale do Paraíba-SP, denominada Cachoeira Paulista. Espantoso! Incrível! Essa insólita notícia inspirou a um Português mais democrático e não portugocentrista que assina Gonssalo (0153700201@netcabo.pt) um extenso comentário, publicado pelo "Expresso", em que condena objetivamente essa meia centena de personalidades que esquecem a realidade contida no movimento de Renovação Carismática, brasileiro, o qual tem aí muitos milhares de seguidores (8.000 que compareceram ao último encontro da RC em Fátima, tendo a Livraria do Santuário vendido, em pouquíssimo tempo, 15.000 livros, o que é inédito! Eu sou - e não o oculto a ninguém- convictamente ATEU apesar de, durante mais de duas dezenas de anos, haver sido professor da Universidade Salesiana de São Paulo, no campus da cidade onde fixei há 22 anos o meu domicílio e em cujas cercanias ficarei sepultado quando terminar o
meu ciclo biológico. Afinal, não passam de 50 e poucos fanáticos anacrônicos querendo, apoiados na sua destacada posição política, religiosa, econômica ou social, obstaculizar a progressão de uma nova forma de tratar a evangelização e de salvar da crescente decadência a Fé Cristã e Católica. Assim fez o Patriarca das Índias, o Padre Francisco Xavier, vestindo-se de brâmane, utilizando-se de falares, cantares e práticas hinduístas e mais tarde na China e no Japão adotando práticas semelhantes para conseguir vencer resistências ao seu esforço evangelizador, num trabalho profícuo de "adaptação missionária"... Nesta modesta casa onde resido, de vez em quando o meu telefone toca: são senhoras daí, do Porto e de outras cidades do mini-retângulo lusitano, pedindo oração, não a mim que sou ATEU irredutível, mas à minha mulher e companheira dedicada dos últimos 25 anos, mulata brasileira, morena jambo, caleidoscópio genético com miscigenação afro, índia, portuguesa e alemã, licenciada e pós-graduada em História Social, ex-operária muito católica e lutadora. que obteve seus diplomas aos cinqüenta e poucos anos de idade terminando sua carreira como professora universitária: uma fundadora, da dezena pioneira lorenense, do Movimento de Renovação Carismática brasileiro que teve início nesta região valeparaíbana, há três dezenas ou mais de anos. Aí em Portugal e na Ilha da Madeira, no
Funchal, não falta quem ouça as emissões diárias da potente emissora da Canção Nova em Cachoeira Paulista... E através dela contactam não só brasileiros, seus irmãos em Cristo e nalguns casos em proveniência etnogrupal, outrossim em língua e cultura, mas também imigrantes portugueses que existem em grande número nesta e em outras regiões brasileiras (só no Estado de São Paulo são 500 mil). Essa meia centena de contestatárias criaturas olvidou que 31% dos brasileiros têm ascendência Portuguesa; ou seja, cerca de... 50 milhões de brasileiros provêm de ancestrais que emigraram para o Brasil embarcando daí, da Ocidental Praia Lusitana. Quase tantos quantos os italianos que chegam a atingir 30% do total demográfico.
Esse desamor dos governos de Portugal - e não só do "socialista"...- pelos seus emigrantes faz pensar que chegou a altura de vocês pensarem seriamente em fundar aí um... Partido PORTUGUÊS, que não tenha preferências ideológicas nem venere políticas importadas da estranja, voltado para a preservação dos valores da sua grei, históricos, culturais e morais mas não místicos (pois a Igreja, qualquer que seja a confissão, deve estar separada do Estado). Parece, salvo melhor opinião, que foi esta a intenção do ex-padre ditador judeu sefaradim Oliveira Salazar ao pegar, nos idos dos anos 30, num País de economia destroçada e política bagunçada e afectada por atentados bombistas, extinguindo os partidos políticos e a Maçonaria, de que o meu pai era dedicado Mestre desde 1921, e criando a UNIÃO NACIONAL que, ab-initio, se pretendia que não fosse um partido único mas sim, uma organização apartidária que reuniria todas as correntes de pensamento ideológico, irmanando-as na defesa dos valores da grei e do interesse nacional. Li nessa notícia que esses conservadores acintosamente classificam de "seitas" certas outras confissões não católicas, numa atitude muito afim à do extinto Santo Ofício... Depreende-se isso até numa alusão feita à poderosa proprietária de antigos cinemas aí transformados em templos de oração e aqui possui mais de 800 templos, inúmeras estações de Radidifusão e a Rede RECORD DE TELEVISÃO: a Igreja Universal do Reino de Deus, do Bispo Edir Macedo, a qual conta com cerca de 27 ou 28 deputados federais e alguns senadores, pastores e bispos evangélicos que a apóiam no Congresso Nacional. A obra realizada no Brasil pela IURD transcende já, e muito, a da Igreja Católica, sobretudo na assistência técnica e promoção rural levadas a efeito pelo Engenheiro Marcelo Crivela, Bispo da mesma instituição religiosa pentecostal, junto das populações mais carentes do Nordeste. Mas do lado católico, outro grande evangelizador se afirma, cujas missas, realizadas em áreas descobertas, chegam a congregar centenas de milhar de fiéis: o Padre Marcelo Rossi, que foi nosso aluno de Sociologia I e II no curso superior de Filosofia da UNISAL, há anos, quando resolveu deixar de ser professor de Educação Física para, por vocação sincera e desinteressada, seguir a via do sacerdócio. Em Portugal, quando aí se deslocou recentemente, ele também foi alvo de acusações injustas e verrinosas, até por parte de um clérigo que agora também assinou o tal documento que foi entregue ao cardeal Patriarca de Lisboa, presidente da CEP. Cá de longe, mesmo ATEU que me prezo de ser, observo com preocupação a difícil situação do Bispo de Leiria, isolado dos seus Pares... Portanto, caro António e estimado WebMaster do Portugal-Linha, à sua pergunta sobre se "é tão difícil tratar com justiça gente que afinal exige quase nada?" eu respondo-lhe: como está demonstrado, com esses governos que vocês têm tido e continuam tendo aí, é mesmo muito difícil. Aliás, dificílimo!... Por isso, muitos filhos de imigrantes Portugueses preferem (constatei isso na Alemanha em Outubro de 1969 quando ali fui a convite oficial do governo federal de Bona) freqüentar as escolas dos países que acolheram seus pais e acabam por assumir também a nacionalidade, mais promissora e segura, que os mesmos lhe oferecem, para serem (exceção feita ao Brasil em que isso não é preciso mas cujos nacionais aí residentes em Portugal não logravam, até data recente, obter o diploma de igualdade de direitos civis e políticos que nós, imigrantes portugueses, facilmente sempre alcançamos, sem dificuldade, do Ministério da Justiça do Brasil, título formal esse que em 1982, após 5 anos de residência aqui, me foi conferido de pleno direito) Carlos Mário Alexandrino da Silva |
Adelino SáOs portugueses que trabalham fora do nosso país, são tão portugueses como aqueles que vivem em Portugal. Não pode haver a mínima dúvida quanto a isto. Os filhos dos portugueses nos países de acolhimento, são tratados como luso descendentes, o que é um erro, já que pode implicar uma perda de direito à cidadania portuguesa por parte destes jovens. Luso está relacionado com Lusíadas. Ora, nem só os portugueses falam o português. Os filhos dos angolanos ou brasileiros, que vivam fora do seu país, também são luso descendentes? Os filhos dos portugueses que vivam numa comunidade de acolhimento são jovens portugueses de segunda, terceira ou quarta geração. Por este pequeno exemplo, pode-se ver que a emigração portuguesa não é tratada como deveria de ser pela maior parte das entidades que nos representam. Quase que dá a sensação que existe uma tentativa de catalogar a juventude portuguesa emigrante. Acredito que não o façam de uma forma consciente e premeditada. As remessas dos emigrantes já foram um bastião da nossa economia. Felizmente essa era já passou, apesar de continuarem a serem importantes. Mas, não tenham a menor dúvida quanto a isto, quando se trabalha fora de Portugal renasce um patriotismo pelas nossas cores, por vezes exacerbada, que nos faz sofrer de uma forma doentia a palavra saudade. Um Fado de emoções e sensações que só quem parte é que as poderá explicar de um modo convincente. Com os resultados das últimas eleições a emigração começou a ter um peso político diferente. Para as próximas eleições de 17 de Março, não me admira de que possamos receber a visita de muitos candidatos a deputados pelo círculo da emigração. Vamos ouvir falar de novo de Ensino, integração, Serviços Consulares, classe especiais, formação profissional, Movimento Associativo, projectos culturais, apoio à comunicação social e muitas mais vontades de resolverem o que, se calhar, nunca foi tratado. Todos vão gritar bem alto de que a diáspora portuguesa é uma mais valia para Portugal e para nossa economia. Vão voltar a falar de transmissões dos jogos na RTPi em directo, há que alimentar o povo com aquilo que mais gosta: os jogos da bola. Mas, alguém já pensou em apoiar os emigrantes no seu regresso a Portugal? Será que existe alguma instituição de apoio àqueles que querem regressar? E quando sucede uma tragédia? Que estruturas existem para ajudar de uma forma eficiente os portugueses atingidos pelas calamidades? Será que todos os emigrantes são de sucesso? A diáspora portuguesa tem que enfrentar a complexidade do país onde reside. A realidade na Europa é totalmente diferente da África do Sul ou nos Estados Unidos. Emigrante é todo aquele que procura melhores soluções de vida para si como o seu agregado familiar, com o pensamento sempre fixo na sua terra natal e nos seus. Não deixa de ser curioso que Portugal vive agora a outra face do processo que levou muitos dos seus filhos a partirem: a imigração. São milhares de Ucranianos e de outras nacionalidades que procuram o nosso país. Dizem que o mês de Agosto é aquele que se ouve falar mais dos emigrantes portugueses em Portugal. Ainda falta tanto tempo... Adelino Sá |
| Na próxima semana: As relações Portugal - Angola ainda são ensombradas pela colonização? |
Voltar à página principal