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Portugal em Linha - O Ponto de Encontro da Lusofonia

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29.01.2002
As relações Portugal - Angola ainda são ensombradas pela colonização?
Apesar de independentes há décadas, alguns dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa continuam a ter relações tensas com a antiga potência colonial. De quem será a culpa? Angola e Guiné-Bissau protagonizam os casos mais expressivos. Primeiro foi Angola a acusar Portugal de apoiar a UNITA e, mais recentemente, Kumba Ialá a ameaçar cortar relações com Portugal por dar guarida aos oposicionistas guineenses. Será complexo do colonizador? Será do colonizado? Será de ambos? Ou será uma forma de encontrar um bode expiatório para os problemas internos? Há dias, o ministro dos Negócios Estrangeiros da Bélgica, Louis Michel, considerou que o seu país, enquanto antiga potência colonial, tem o "dever moral" de ajudar a conseguir a paz na República Democrática do Congo. Em relação às ex-colónias Portugal deveria dar passos mais concretos no sentido se ajudar à paz? E como se compatibiliza isso com um eventual complexo do colonizado?
Cidália CardosoCidália Cardoso

Angola e Portugal - uma espécie de "amor odio".

Pessoalmente não acredito que as relações entre Portugal e Angola sejam ensombradas pela colonização. A colonização faz parte do passado já lá vão vinte e seis anos desde que os angolanos alcançaram a independência total e completa.
Se foi a independência que os Angolanos queriam, se foi a que os Portugueses pretendiam as respostas a estas questões talvez a história nos consiga dar. O certo é que os anos de convivência entre Angolanos e Portugueses tornaram-nos povos tão próximos e com características muito semelhantes.
Os portugueses aqui em Angola e nos outros países da comunidade fizaram o que os ingleses e os franceses não fizeram nas suas colónias, ter aqui os filhos.
A grande quantidade de mestiços, os fortes laços culturais levam-me a crer que é difícil separar angolanos e portugueses por muito que os políticos o queiram.
Qual é o angolano que não se sente bem em Portugal e qual e o português que depois de uma semana aqui não esquece Lisboa?
Estes exemplos práticos da vida quotidiana levam-nos a pensar numa série de coisas.
É comum a imprensa Portuguesa abrir os seus noticiários com factos ocorridos em Angola e muito dificilmente se vê com relação aos outros países da comunidade.
Mesmo com relação aos emigrantes em Portugal, os Angolanos aparecem logo nos lugares cimeiros da lista. Será isso por acaso ?
Os angolanos gostam muito de viajar e aqui na região austral do continente há lugares encantadores e com preços acessíveis, mas os "muangoles" fazem bichas longas em frente a embaixada da "tuga" para lhes concederem visto para Portugal.
Os políticos deveriam entender que os povos "se gostam mesmo assim" e tentarem encontrar uma forma mais amena para se relacionarem.
Muito particularmente penso que Portugal deveria mudar a sua politica com relação a Angola e estar mais por perto dos problemas e da sua resolução. Nesse aspecto acho os franceses mais audazes com relação às suas ex-colónias.

Cidália Cardoso
      Orlando CastroOrlando Castro

Há complexos que dão milhões

Apesar de (in)dependentes há décadas, é um facto que alguns dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa, sobretudo Angola e, mais recentemente, a Guiné-Bissau, continuam a mascarar muita da sua incompetência com o recurso a todo o tipo de acusações à antiga potência colonial.

Terão legitimidade para isso?

Têm com certeza! O «pai» é sempre responsável, pelo menos do ponto de vista moral, pelas acções do «filho», até mesmo quando este renega as origens. É um complexo que acompanhará sempre os progenitores, sobretudo aqueles que se esqueceram de dar uns tabefes aos filhos quando eles precisavam.

Angola (José Eduardo dos Santos) e a Guiné-Bissau (Kumba Ialá) são (in)dignos exemplos dos «filhos» que cospem no prato que lhes deu comida mas, ao mesmo tempo, revelam que o «pai» em vez de os mandar trabalhar para terem o que comer, aceita lavar os pratos cuspidos e voltar a servir nova refeição.

O estratagema (felizmente não adoptado por outros PALOP, pelo menos com a mesma grandeza) revela-se fácil, barato e - é claro! - dá milhões. E é assim porque Portugal (e tanto faz que seja em tons rosa ou alaranjados) continua a achar conveniente lamber as botas aos poucos que têm milhões (José Eduardo dos Santos, Kumba Ialá e companhia), esquecendo os milhões que têm (e continuarão a ter) pouco, muito pouco... ou nada.

É que, e não faltam exemplos, Portugal não pode (nem deve) continuar a dar peixe aos parasitas que, a troco de tudo e de nada, nos insultam e nos tratam a baixo de cão. Portugal ensinou-os a pescar e, por isso, não tem que lhes dar o peixe. Poderá, e deverá, dá-lo aos angolanos e guineenses que não sejam pobres e mal agradecidos. Apenas a esses.

Por outras palavras, e apesar de a psicologia explicar o complexo do colonizador, importa cortar de uma vez por todas o cordão umbilical com ex-colónias. Eles já são bem crescidinhos. Desde logo porque o cordão umbilical só tem um sentido, só serve para alimentar uma das partes. Se eles quiserem substituir o cordão de sentido único por um sistema de vasos comunicantes, de dois sentidos, então estarei de acordo. De outra forma, o melhor é esquecer até que o este tipo de «filho» acorde... ou desapareça de uma vez por todas.

Recordo que o presidente da República da Guiné-Bissau, Kumba Ialá, fez-se homem em Portugal. Não tão homem como seria de esperar mas, mesmo assim, aqui aprendeu a pescar. Apesar disso, disse à Rádio Bombolom FM que o seu país poderia cortar relações com Portugal, caso o Governo português venha a "desencadear" uma resposta a uma eventual "acção" da Guiné-Bissau contra alguns políticos guineenses "que andam a ladrar em Portugal".

Parafraseando o próprio Kumba Ialá, quem diz isso não fala... ladra.

"Há políticos que andam a ladrar em Portugal, pensando que estão nos céus, mas nós podemos agarrá-los mesmo aí e, se Portugal "mermerí" (palavra crioula que significa em português piar ou tugir), cortamos as relações", disse Kumba Ialá.

Pena foi que não cortasse as relações. Creio que não cortou relações porque, para o fazer, teria de utilizar as duas mãos. E se utilizasse as duas... caía da árvore.

Noutro passo da sua criminosa e complexada intervenção, Kumba Ialá, disse que "há políticos teleguiados a partir de Portugal", acrescentando que "Portugal pode ficar ciente que nunca mais um português voltará a mandar num guineense".

É mesmo um complexo. Complexo não de colonizado mas de inferiorizado. Complexo de quem para contar até 12 tem de se descalçar.

Nota: Morreu o nosso companheiro Carlos Mário Alexandrino da Silva. «Deixou de escrever para nós mas continua connosco», escreveu o António Ribeiro. Faço minhas estas palavras, erguendo esta (e todas as outras que se seguem) chávena de café angolano à memória do Carlos Mário.

Orlando Castro

Na próxima semana: Euro: um sucesso garantido?


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Comentários

Creio que nestes casos a primeira providencia que se deve tomar é separar o joio do trigo, ou seja: governantes do povo !
Ainda lembro perfeitamente da luta que meu pai travou querendo ir para Angola, terra que ele cognominava de "PARAÍSO DO FUTURO", enquanto o velho Salazar bradava "Angola é nossa" ele dizia enfurecido "... mas não é tua...". Estava dizendo que Angola era (seria) de quem A amasse e por Ela se dispusesse a trabalhar. Meu pai nos falava de Angola como se lá tivesse nascido, Amava Angola mesmo sem nunca ter pisado aquele solo. Tinha enorme coleção de fotografias de paisagens angolanas, idolatrava suas belezas naturais. Mas proibido de ir para Angola, era mais fácil ir para qualquer outro lugar do mundo.
Acredito que diversos são os fatores que levam a esta "beligerância" entre Portugal e suas ex-colônias. Outros países têm altíssimo interesse nessa situação para que ali possam se instalar, e desenvolver suas atividades, Xe: Inglaterra; a velha prostituta dos mares, E. U. A.; na ânsia de aumentar as áreas de sua influencia neocolonialista, França; na sua pretensão de alargar sua área de influencia comercial.
Poderia relembrar passado vergonhoso falando da disputa inescrupulosa entre a U. R. S. S. e os E. U. A., mas não vale a pena, muito já foi dito.
Quanto às atitudes boçais dos senhores Kumba Ialá e José Eduardo dos Santos ... que pena que suas mentes pré-históricas atrapalhem tanto a vida do sofrido povo que eles dizem representar.
Nós, portugueses e o povo d'África lusófona, temos laços que nos unem tão fortemente que tais senhores não servem nem para lavar nossas latrinas.
Idem alguns políticos portugueses !

Henrique Alberto Silveira Luiz


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