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Monarquia ou República? No passado dia 5 comemorou-se mais um aniversário da implantação da República. Poderá ter passado um pouco despercebido porque, infelizmente para os hábitos portugueses, o feriado calhou a um Sábado. Para além dos discursos de circunstância pelas entidades oficiais e de uma tímida celebração pública, houve também uma manifestação feita pelos Monárquicos. Das transmissões televisivas ficou-me uma frase que valeu mais do que todos os discursos, quando o jornalista perguntou, na rua, a uma senhora, se achava que quem devia mandar deviam ser os Monárquicos ou os Republicanos. Ela respondeu de imediato: "Quem olhe para o povo". Oxalá os nossos governantes também tenham ouvido esta frase... |
Fernando Cruz Gomes
- Os luso-canadianos serão monárquicos no Canadá e republicanos em Portugal!
Pois... aí estamos nós a esperar pelo cafédesta semana. Um café luso que é ou deveria ser tónico para a nossa maneira de encarar a vida. Sim, porque quando dois amigos se encontram, mesmo através das ondas quase místicas da Internet, vão decerto mitigar a sede de falar, de conhecer, de se tutearem, no afã de conhecer mais coisas um do outro. E se em vez de dois... forem centenas ou milhares?! É isso este café gostoso que vamos fazendo por amor da sociedade global que formámos e estamos a formar... Que ninguém se engane. Esta sociedade é também formada e... enformada por nós. Resta saber se temos capacidade para a informar também. Portugal, o nosso Portugal, viveu, nos últimos dias, mais um aniversário da implantação da República. O 5 de Outubro de 1910 já vai longe. E nem sequer podemos dizer que trouxe muita coisa nova para o País que somos. Sim, porque se as instituições de então não funcionavam, se havia desmandos sociais a mais, se as estruturas da governação iam rebentando pelas costuras... hoje, que a República nos beija a face todas as manhãs, o panorama nem é melhor. Há, também, estruturas que não funcionam. Há homens-ministros que se olham ao espelho pela manhã, ao meio-dia e à noite... e só vêem o seu ego e o seu umbigo. Há, afinal, o mesmo caminho de egoismo feroz que era capaz de haver antes do tal 5 de Outubro. Só que já não temos Rei. Temos um Presidente. O Governo sai hoje de eleições ditas democráticas, como na altura saía. O regime, então caduco, era tão permissivo como o de hoje? - É pergunta bonita que é capaz de entreter os estudiosos, ainda hoje, nos solilóquios que vão continuar. E que não têm resposta imediata e muito menos cabal. Os luso-canadianos - e nós somos essa coisa (quase) híbrida... - "são" monárquicos na sua componente canadiana e "são" republicanos na sua vertente portuguesa. Fala-se em dois "amores" e fala-se em dois conceitos. A verdade é que num e noutro dos casos... o sistema acaba por ser o mesmo. Ou quase o mesmo, se quisermos. Então não é que, no Canadá, e enquanto cidadão canadiano, vamos às eleições democráticas para escolher o Governo, seja ele central, provincial ou municipal?! Então não é que, enquanto Português, nós vamos também às eleições? Claro. Em Portugal, vamos mais vezes. Isto é, escolhemos também - ou pensamos que escolhemos, que para o caso é o mesmo - o Presidente da República. E no Canadá não escolhemos o Chefe de Estado que é... Sua Graciosa Majestade a Rainha! Mas, de facto, no dia-a-dia dos dias... as diferenças não serão muitas. E se falarmos em dinheiros, ou seja, em manutenção do sistema... há quem diga que a Monarquia é mais barata do que a República, embora não falte também quem advogue o conceito contrário. Vamos lá nós saber! O "5 de Outubro" trouxe esta meditação? Decerto que sim... mas o Jubileu da Rainha Isabel - da nossa Rainha, agora a visitar o Canadá - também permitiu a discussão quase meditada. É que já fizeream sondagens, já se interrogaram as pessoas e as respostas são assim-assim, ou seja, há quem queira um sistema e há quem advogue o outro. O que, tudo visto, parece dar a entender que não é aí que "está o gato..." O "gato", efectivamente, é capaz de estar mais no Governo, na forma de resolver os problemas, na maneira de equacionar as obrigações internacionais, no modus faciendi do dia-a-dia do binómio Povo-Governo. Aí, sim, é que é capaz de estar a grande questão. Que faz movimentar as mentes dos que pensam nestas coisas e arrostar com as dificuldades inerentes ao mesmo raciocínio. Se o Povo até entende que todos os Partidos são bons... desde que resolvam os problemas do País! Se o Povo até entende que não há hoje por hoje, fórmula mágica para acabar com a pobreza, com os desmandos sociais, com a corrupção, com o laxismo que às vezes é vírus que corrói as instituições, quer elas emanem de uma Monarquia ou de uma República. O problema - ou o "gato" se quiserem - é mesmo capaz de estar no Governo. Porque na Monarquia, hoje em dia e em países ditos ocidentais, o Rei já manda muito pouco. Manda... quase tanto como o Presidente da República. Assim, é bem capaz de ser uma falsa questão e quem estas linhas subscreve - e decerto também o confrade Orlando - é capaz de lembrar aquela frase que escorreu das transmissões televisivas das cerimónias "tímidas" acerca do 5 de Outubro. Um jornalista perguntou, na rua, a uma senhora, se achava que quem devia mandar deviam ser os Monárquicos ou os Republicanos. Ela respondeu de imediato: "Quem olhe para o povo". Pensamos - cada vez pensamos mais - que os nossos governantes também tenham ouvido esta frase... Define tudo e até é capaz de fazer com que esta nossa meditação termine aqui. O importante é governar, olhando pelo Povo. E isso não parece exclusivo nem da República... nem da Monarquia. Sobretudo, hoje, em que já passou a fase da Monarquia mais ou menos absolutista para haver, nos países onde há, uma Monarquia... constitucional, quase popular. Em que o filho do Rei só será Rei... se for, no mínimo, normal. Sem manias de poder absoluto. Sem querer... ser Rei de tudo e de todos. Monarquia? República? - Por nós, votamos pelo... Governo eleito pelo Povo que saiba, de facto, governar. O Rei ou o Presidente é apenas um certo "garante" de que as instituições funcionam. E isso até é capaz de dar uma certa inclinação para a Monarquia que, em termos de símbolo nacional, não tem atrás de si o Partido A ou B. Assim... viva o Governo! Mas o Governo... que governe! Fernando Cruz Gomes |
Orlando Castro
Haverá quem olhe pelo Povo?
Creio que os políticos republicanos(pelo menos os da nossa praça) têm alguma dificuldade em descer (ou subir) até ao Povo. Salvo nos períodos eleitorais, onde até os vemos a beijar crianças sujas de miséria, os nossos republicanos passam ao lado do (dito e maltratado) país real. Mais uma vez (desculpem lá a insistência) se verifica que os milhões que têm pouco só interessam quando vão depositar o voto. Fora disso, é claro, o que conta são os poucos que têm milhões. Não creio que esta realidade, cada vez mais presente na mente dos portugueses, vá pôr em perigo a República. Um dia destes eles (eles, os milhões de portugueses que estão fartos de ser usados e abusados) vão dizer basta. Nessa altura o que estará em perigo, e estará mesmo - podem ter a certeza, será a democracia. Sim porque, com ditadura, também se pode estar em República. Por muito que custe aos políticos (mais ou menos) made in Portugal, Salazar ajudou a solidificar a República. Creio, por isso, que quando os portugueses tiverem de escolher entre uma ditadura de barriga cheia e uma democracia com ela vazia, não terão grandes dúvidas. Do mesmo modo, se calhar não teriam dúvidas se a questão fosse a de uma Monarquia de barriga cheia e uma República com ela a dar horas. Os portuguese vivem em República há uma «porrada» de anos. O saldo é positivo? É, dizemos quase todos. Quase todos que, por este andar, não tardaremos a ser cada vez menos. Mesmo assim, importa recordá-lo, a primeira República estendeu-se ao comprido por ser incapaz de resolver os mais elementares problemas do Povo. Do nosso Povo. Foi aí que, sob o mesmo manto, apareceu a ditadura. Era uma República mas o que consideramos direitos elementares foram à vida. Porque é fácil, barato e dá milhões, os democratas da nossa praça não estão interessados em falar dessas longas décadas de republicanismo. Mas não pode ser assim. Mas não deve ser assim. Bem ou mal, embora sendo passado não deixa de ser República. Se calhar, quem lembrar o passado deve perder um olho, mas quem o esquecer deve perder os dois. É que de facto, como dizem os monárquicos, os políticos da nossa praça teimam em passar a ideia de que democracia e república são a mesma coisa. Mas, convenhamos, não é nada disso. Mas a confusão ajuda a reinar (em república). E de tal maneira ajuda que não interessa esclarecer. Dizer, apontar ou recordar que a Monarquia era um antro de medicocridade, de fraudes, de injustiças, de corrupção, de nepotismo e de todos os males, já não pega. É que, embora sendo (também) verdade, correspondem ao que hoje se passa no nosso país... em democracia, em República. Monarquia já tivémos. Ditadura em República, também. Democracia (?) em República é o que vamos tendo. Falta conhecer a Democracia em Monarquia. Será esse o próximo passo? Não. Não creio. E não creio porque a nossa memória já não é curta... não existe. E, por isso, lá vamos cantando e rindo, levados, lavados sim, pelas promessas deste democratas republicanos que não sabem que que ao Povo não se desce... sobe-se. Acresce, por outro lado, que a meia dúzia de monárquicos que por cá dizem existitr bem poderiam ir pregar para outro lado, tal é a dose de republicanismo (leia-se, entenda-se, tachos) que lhes corre no sangue. Talvez por isso, no passado dia 5, foram apenas algumas dezenas os monárquicos que deram sinal de vida. É claro que existem mais, mas esses tinham obrigações partidárias a desempenhar. A desempenhar na democracia... republicana. Ao que parece, ao que me parece, os nossos políticos não olham para o Povo. Não olham, não ouvem, não lêem o que o Povo diz. Por isso, creio, estão a fornecer ao Povo a corda com que Ele vai, mais dia menos dia, enforcar esses mesmos políticos. Orlando Castro |
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