Veio do estrangeiro um rapaz esbelto, de cabelos compridos e com um sorriso inocente como o de uma criança. Este, que chegou para ser oficializado príncipe, era filho do rei Kelima, que sete anos antes, havia sido enviado pelo pai à terra do branco para aprender a ser gente... Pelo menos era assim como a população analfabeta interpretava. Porém, o garoto voltou mais africano do que já era:
Apareceu com as suas definições acerca do africano, acreditava na igualdade entre os seres humanos e na integração da sua loira na cultura dele.
Com a sua coragem prematura queria mudar as leis naturais. Conta-se que certo dia, numa manhã escura, ele aproximou-se do rei pedindo para se mudar a mentalidade da sociedade do reinado. Este ficou preocupado pelo jeito folgante de se expressar do garoto (o futuro rei argumentava dizendo - olha para as estrelas, estão separadas mas não deixam de cintilar) mas mesmo assim não deu muita importância até que o filho todo animado com a sua filosofia inovadora levou as trouxas e se mandou. Foi quando o velho
não suportou as lágrimas contidas no coração, e no mesmo instante parecia que Deus estava chorando, pois, começou a chuviscar. Do outro lado o futuro rei seguia a sua utopia feito esquizofrénico.
Vinte e uma semanas depois, o Sol nasceu, a chuva cessou, mas o vento ainda soprava. Alguns dizem que foi este último que trouxe o garoto de volta... infelizmente demente. Todos olhavam-no como se fosse
homem-cobra. A loira, envergonhada, abandonou o terceiro mundo e a rainha, sua sogra, de desgostos enforcou-se na árvore plantada na data do nascimento do filho. Assim, o rei, desesperado por ter ficado com o filho a quem chamavam Kilera, por tanto pronunciar essa palavra, matou-o com uma zagaia sagrada e fugiu para o cemitério vizinho.