Contos Portugal  - O Ponto de Encontro da Lusofonia

Domingos Carlos Pedro


Tribo Atribulada - aos ruadeses


Numa escuridão brilhante, sem escravidão, a atmosfera esfregante dos tempos fez uma criação roseada pela ansiedade segmentada na tribo atribulada com o tributo necessário oferecido ao limite espacial que descrevia o vácuo de pertença, sem formar nenhuma partícula geometrica, embora a crença incandescente dos ancestrais prevalecesse em cada sorriso esbranquiçado e aguçado difundido do fundo encardido que os pigmeus denominavam bocarra.
Durante este conformado estado, subitamente, um relampejar lisonjeador quebrou os gritos estrelados brotando a dor efemera e suicidando a paisagem como uma câmara sem mensagem por emergir neste pequeno girar do mundo onde o agir e argumentação das batidas cardíacas que já atingiram a mestria aritmética conforme a exaltação tremenda de toda gimnopodia deliceada pelas colcheias cheias de angústias gustativas, vivas e eternas. O acender momentâneo e natural trouxe consigo uma vertente quente , talvez mais lúcida, e incompatível a terrível vivência existente. Os seres viventes perderam a noção do tempo (que controlavam descontroladamente), o contacto com a superfície terrestre já nao se verificava... Parecendo malucos verdadeiros, e não aqueles que imitando macacos comem massucos ao som das timbilas, discutiam o cordeiro dos céus, cada qual puxando para o seu lado como se fosse único herdeiro do trono. A bomba relógio no limiar deste elogio do coágulo rebentou com enorme gulomia estractificando a consciência que outrora a tribo tivera na sua plenitude científica.

Domigos Carlos Pedro - Maputo, Moçambique
E-mail: nevao@nambu.uem.mz




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