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Crónicas
Ana Pintão |
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A 10 de Dezembro realizou-se na Aula Magna da Reitoria da Universidade de Lisboa a Festa da Língua Portuguesa em homenagem ao escritor José Saramago.
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Foi efectuada a transmissão directa de Estocolmo da cerimónia de entrega do Nobel da Literatura ao escritor, num ecran gigante instalado para o efeito. Paula Moura Pinheiro apresentou em directo na Aula Magna da Universidade de Lisboa com muita elegância. José Rodrigues dos Santos traduziu, em voz off, com demasiada hesitação. ![]() ![]()
Perante uma ilustre assembleia em que brilhava Pilar del Rio, a bonita mulher do escritor, Saramago recebeu o seu Nobel das mãos do Rei Carlos Gustavo XVI da Suécia. ![]() ![]()
Na sua introdução o Presidente do Comité Do Prémio Nobel afirma em Sueco: “Saramago parece querer inventar um mundo e um estilo.” E depois inesperadamente, invulgarmente e com muita correcção em Português: “Você tem-nos dado engenhosas versões de uma história que não se deixa aprisionar” No discurso de 3 minutos que José Saramago proferiu em Estocolmo disse: "Cumpriram-se hoje exactamente 50 anos sobre a assinatura da Declaração Universal dos Direitos Humanos. Não têm faltado comemorações à efeméride. Sabendo-se, porém, como a atenção se cansa quando as circunstâncias lhe pedem que se ocupe de assuntos sérios, não é arriscado prever que o interesse público por esta questão comece a diminuir já a partir de amanhã. Nada tenho contra esses actos comemorativos, eu próprio contribuí para eles, modestamente, com algumas palavras. E uma vez que a data o pede e a ocasião não o desaconselha, permita-se-me que diga aqui umas quantas mais. Neste meio século não parece que os governos tenham feito pelos direitos humanos tudo aquilo a que moralmente estavam obrigados. As injustiças multiplicam-se, as desigualdades agravam-se, a ignorância cresce, a miséria alastra. A mesma esquizofrénica humanidade capaz de enviar instrumentos a um planeta para estudar a composição das suas rochas, assiste indiferente à morte de milhões de pessoas pela fome. Chega-se mais facilmente a Marte do que ao nosso próprio semelhante. Discurso completo
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Alguns dos outros laureados, Prémios Nobel 1998 da Medicina e da Química: ![]() ![]()
O espectáculo na Aula Magna incluíu a participação de diversas personalidades da Literatura Lusófona, escritores dos sete países de expressão portuguesa, como Manuel Rui Monteiro, José Craveirinha, Mia Couto, Pepetela e Germano de Almeida, Inocência Mata e Luís Cardoso entre outros, que leram excertos das obras de José Saramago.Luís Cardoso de Timor disse: “A língua Portuguesa é um poderoso instrumento com que se denuncia todas as atrocidades….” E dirigindo-se a Saramago: “Contigo certamente Levantados do Chão”!
Do programa fizeram ainda parte as exibições do Coro da Universidade de Lisboa e o inesquecível espectáculo “Sons da Fala” com Tito Paris (Cabo Verde), Janita Salomé (Portugal), Juka (S. Tomé e Príncipe), Vitorino (Portugal), André Cabaço (Moçambique), Guto Pires (Guiné), Nill Luz (Brasil), Sérgio Godinho (Portugal) e Filipe Mukenga (Angola), entre outros.
Foi uma explosão de fados, mornas e coladeiras numa mistura de ritmos tropicais com arrastados alentejanos e exuberantes sons africanos que falavam de Lisboa! A força da África profunda e a garra e graciosidade do povo africano, misturada com a beleza e suavidade do povo brasileiro e com a melancolia e poesia portuguesas. Mistura maravilhosa. Quando Filipe Muquenga cantou um fado, só com a sua voz, sem instrumentos, a casa veio abaixo de palmas. Foi bonito de ouvir e ver, de verdade!No fim cantámos todos juntos “Venham mais cinco” de Zeca Afonso. Foi o máximo! Miscigenação perfeita e bonita!
Programação musical:. O Coro da Universidade Clássica de Lisboa Canções regionais portuguesas e brasileiras . Músicas de Fernando Lopes Graça A Real Orquestra de Estocolmo “Sinfonia nº 3” de Franz Shubert “Canção de Isabel” de Richard Wagner “O encontro” de Jean Sibelius “Farandol” de George Bizet Os “Sons da Fala” “Júlia Florista” Fado em ritmo de morna por Janita Salomé e Tito Paris Canções de S. Tomé por Juka Canções do Alentejo por Vitorino “Funaná” texto de António Lobo Antunes por Vitorino em crioulo “Esta terra ainda vai cumprir seu ideal…” Mill Luz e Vitorino “Planeta raça” por Milius e André Cabaça Ritmos Africanos por Guto Pires e Juka “Terra do Bravo” Tema dos Açores por Sérgio Godinho e Guto Pires “Aninha verde” Morna por Janita Salomé Fado sem instrumentos. Voz de Filipe Muquenga Canção em dialecto Angolano. Filipe Muquenga , Sérgio Godinho e André Cabaça Zeca Afonso cantado por Sérgio, Guto e André “Venham mais cinco” de Zeca Afonso por todos os cantores, escritores e público Crónica e fotos de Ana Pintão |
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