O cheiro livre da rubra flor

Ponho um pé fora da janela,
Para lá das paredes
Que se desfazem em migalhas.
Já se voava antes de haver Red Bull.

São marchas simples
Que me elevam no espaço,
Por cima do Porto, do cinzento
Dos edifícios, até onde o azul é infinito.

Ponho um pé fora da janela,
Não sei se levo a cadeira também.
Posso-te dar boleia, se quiseres,
Pôr-te entre as estrelas e a Lua,
E os outros, deixa-os ficar por aqui,
(Eles não sabem o que é um cravo).

Dou um salto e furo as nuvens,
Dou outro e vou ao fundo do mar,
Sou um rei sem manto, sem roupa alguma,
Que a liberdade é não sentir peso.

Ponho um pé fora da janela
Para respirar, só para dar valor
Ao momento em que nasci (mesmo antes de nascer)
E ao cheiro livre da rubra flor.