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Sento-me e repenso um passado que não me lembro
Surgem-me os cravos por mensagem
como à liberdade uma homenagem
de um país que não conheci.
Dizem das feras que eram más,
dizem das gentes, que sonhadoras.
Salta-me à vista o medo, a ignorância.
Salta-me ao peito a esperança.
Sento-me, e vejo como o tempo se ri
do tempo que levou até chegar aqui,
dos homens que tombaram por ali
sem saber onde chegou o fim.
Do sonho que não morreu
relata um povo envaidecido,
uma triste história que mal lembramos,
sonhando com um passado nunca vivido.
Raquel Ferraz
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