Acordo Ortográfico no "Café Luso"

Uma das rubricas do "Portugal em Linha" é a do "Café Luso" onde as pessoas - leitores e participantes - são convidadas a se sentarem e tomarem xícara de um bom e maravilhoso café (se for o de Angola ou o de Timor, não tenho a mínima dúvida) e lerem o que os convidados de cada um dos temas propostos pelo "administrador" escrevem.

Por norma são sempre duas sensibilidades diferentes que apresentam as suas teses antagónicas; embora por vezes mais complementares que antagónicas.
A última proposta prende-se com a Acordo Ortográfico e o facto (ou fato) de uma comissão do Ministério da Educação do Brasil avançar que o Acordo começará a ser implementado neste país a partir de 1 de Janeiro de 2009, quando, juridicamente, o mesmo já deveria estar em vigor porque foi já assinado por três países membros da CPLP: Brasil, Cabo Verde e S. Tomé e Príncipe como prevê o Protocolo Modificativo do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, assinado em Julho de 2004 (Ah! não esquecer que o protocolo original, de 1990, já tinha sido ratificado também por países, entre eles, Portugal, além do Brasil e Cabo Verde).
Ao "confronto" foram convidados dois distintos jornalistas angolanos com a particularidade de um, Orlando Castro (OC), viver e trabalhar em Portugal e, por esse facto, sentir mais o impacto do "português euro-imperial" e o segundo, Jorge Eurico (JE), exercer a sua profissão em Moçambique, embora vagueie por Angola e Cabo Verde, sempre que necessário, e, por essas razão sentir o impacto do "português africano".
Um pelo Não, outro pelo Sim, mas próximo do nim!
Deixo-vos aqui um cheirinho do que escreveram, podendo ler as suas crónicas, na íntegra, acedendo aqui .

JE: O Protocolo Modificativo (…) é indubitavelmente uma retumbante vitória cultural, sociológica, académica e, por que não, política do Brasil sobre Portugal e os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP), facto que, quanto a mim, significa uma oportunidade de "ressurreição" da quinta língua mais falada à face da terra e a O Protocolo Modificativo (…) é indubitavelmente uma retumbante vitória cultural, sociológica, académica e, por que não, política do Brasil sobre Portugal e os Países Africanos de Língua Oficial Portugueterceira mais falada no mundo Ocidental numa altura em que é (era) considerada pelos cientistas sociais como sendo uma língua morta e (bem) enterrada.
Brasília pode (…) embandeirar em arco e lançar foguetes por ter convencido Lisboa, Luanda, Praia, Maputo, Príncipe, Bissau e Dili - e por arrasto a antiga Índia portuguesa (Goa, Damão, Diu, Dadrá e Naga-Aveli), Macau, Guine-Equatorial - a adoptarem uma só grafia com o nobre e oportuno propósito de unir a língua (portuguesa) escrita.
(…)O linguista Malaca Casteleiro, defensor do Protocolo (…), defende ser necessário "um período de adaptação que não deve ser inferior a quatro anos para permitir as alterações em dicionários, manuais escolares e para a aprendizagem das alterações ortográficas".
Subscrevo literalmente a opinião de Malaca Casteleiro. É preciso que se dê tempo ao tempo e aos Estados que têm o português como Língua Veicular para que se adaptem às modificações (…).
Aliás, deverá ser por esta razão que o presidente moçambicano Armando Guebuza afirmou que o seu Executivo está a analisar o Novo Acordo Ortográfico e depois de o analisar irá ratificar. E como eles há muitos que assim pensam e assim procederão.


OC: "Não" ao Acordo Ortográfico. Considero, sobretudo dada a disparidade das forças em confronto, que a minha luta pelo português de Portugal está condenada à derrota. Apesar disso, continuo a entender que só é derrotado quem desiste de lutar. Ora desistir é algo que me recuso a fazer, mesmo sabendo que do outro lado está uma força monumentalmente maior em todos os aspectos, sobretudo no número de falantes.
Sou (…) contra o Acordo Ortográfico. Admito, quando muito, que se deixe que sejam o tempo e os protagonistas a transformar a língua, a dar-lhe eventualmente diferente grafia, tal como acontece com a introdução de novos termos.
(…) Não cabe aos que defendem o português, contudo, abdicar a atirar a toalha ao tapete quando podemos ser poucos, mas podemos ser bons (sem querer dizer que os outros são maus) (…) é para mim, uma questão de identidade e de honra que deve continuar a ter as suas próprias características, respeitando a dos outros e convivendo em sã harmonia com as diferenças.
Aliás, quando me falam de harmonização (seja do que for) cheira-me logo a algo hitleriano. Por isso, custe o que custar, não serei eu a render-me a um acordo ortográfico contra-natura e violador das diferenças que são, aliás, a grande força da Lusofonia.


Deixo-vos estes dois pequenos pitéus para ler, meditar e deixarem os vossos naturais e, por certo, perspicazes comentários no sítio certo.
Ou seja, no Café Luso enquanto bebericam uma xícara e recebem um quente e delicioso aroma cafeeiro, de preferência das cálidas e húmidas zonas da Gabela (desculpem fugir-me para o nacionalismo…).
Ou, em último caso, se o desejarem, aqui também.

Eugénio Costa Almeida

http://elcalmeida.net


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