O Dia da Língua Portuguesa

Passou no passado dia 5 de Maio mais um Dia da Língua Portuguesa.
Passou, e para não variar com o estrondo habitual: mudos e quedos para não fazerem ondas…

 

Preocupam-se, uns quantos em fazer circular uma petição anti-Acordo Ortográfico, com a legitimidade que se lhes reconhece mas com a oportunidade pouco aceitável, - não esquecer que este Acordo é um complemento (leia-se reforço) ao de 199x assinado e aceite por alguns dos principais signatários da actual Petição anti-Acordo - e pouco ou nada se preocuparam - pelo menos nada lhes ouvi e nada lhes li (talvez que o meu computador e os jornais lidos tivesse bloqueado o meu acesso… - com o estudo que a Língua portuguesa merece ou deveria merecer mais.

Dirão os leitores. Se estás tão preocupado com a Língua e o seu Dia porque nada escreveste na altura.

Pelas razões acima meio descritas. Esperar para ver reacções e eventuais comentários, deixando espaço temporal para uma meditação e análise do escrito.

Só que limito-me a meditar porque nada pude - consegui - ler.

E facto que me mereceu mais impacto, e no "ciberespaço", foi o que aconteceu na UNESCO onde o Dia da Língua Portuguesa foi comemorado com um debate, uma exposição fotográfica e música… em 2007!

Ou será que o "esquecimento", pelo menos da parte lusa, se deve à "brasilização política" da Língua - na Lusitânia ainda devem estar a deglutir a futura instalação do Instituto de Estudos Brasileiros, na cidade de Bissau e da Universidade da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) -, segundo o seus detractores, que decidiu instituir o 5 de Novembro como o "Dia Nacional da Língua Portuguesa" em homenagem a Rui Barbosa, um grande defensor da Língua e grande académico brasileiro.

Se nos relembrarmos que é no Brasil que está sedeado o único - ÚNICO - Museu da Língua Portuguesa e recentemente distinguido pela UNESCO, então poderá ser que tudo esteja dito.

E, já agora, porque não recordar um excelente artigo no portal noticioso cabo-verdiano Liberal-Online, de Julho de 2006, onde questionava a necessidade que cada Pais ter um Dia Nacional e não harmonizar, de vez, essa data?

O portal cabo-verdiano recordava que até há pouco o 10 de Junho além de ser o Dia de Portugal, era-o, também, o de Camões e da Língua Portuguesa, comummente aceite não só em Portugal como nos Palopianos (e aqui um parênteses para celebrar uma ideia recentemente lida, e de cujo autor, honesta e sinceramente, não me recordo, que propôs a extensão de PALOP para todos os Países lusófonos, chamando-se de ora avante aos PALOP - Países Afro-Americano-Asiáticos de Língua Oficial Portuguesa; uma ideia interessante a ponderar).

Realmente, verificamos que a Língua portuguesa é cada vez mais dignificada fora do seu circuito natural; exemplos claros vamos encontrar na Galiza, Macau, Guiné-Equatorial e, pasme-se, na Venezuela e na China.

Eugénio Costa Almeida 

7/Maio/2008
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