Os dias de hoje

Antes de mais, parabéns aos responsáveis por este site em que se dá voz ao povo da comunidade da língua portuguesa não só de Portugal mas de todo o mundo.

Quero deixar aqui, e com esperança de receber comentários, a minha opinião sobre o actual triangulo fome -> energia -> capitalismo.

É engraçado fazer-se uma pequena analise do inicio deste século até os nossos dia. Para começar, quer se queira, e goste, quer não, o presidente dos USA é “quase” presidente do Mundo Ocidental e dita as regras do jogo, e nos saudosos tempos do Bill Clinton o Mundo vivia preocupado com as consequências da Globalização, e o que se adivinhava era um mundo mais “pequeno”, lembro-me de ouvir na rádio os últimos acordos entre Portugal e os USA em que a “entrada” nos USA para visitas de negócios estava francamente facilitada, basicamente só precisávamos de fazer check-in por telefone enquanto íamos no táxi para o aeroporto.

Ora tudo isso mudou quando uma fulana decide ganhar uns cobres e depois de muito ter “tocado ao saxofone” decide por a “boca no trombone” deitando por terra um homem que sendo imoral ou não, até mantinha uma certa Paz Mundial e respirava-se prosperidade. Lembrem-se que mais ou menos nessa altura o Euro estava um pouquinho abaixo do valor do Dolar Americano.

Ora, seguindo o ditado “Rei morto, Rei Posto” entra em cena o George Bush Jr. e é quando tudo começa a correr mal.

Lembro-me que antes do 11 de Setembro de 2001 a popularidade do actual presidente dos USA andava na rua da amargura, não se conseguia destacar em nada, vivia na sombra do pai e pior, na sombra de uma antigo presidente que embora imoral, ou não, tinha sido bom governador.

Então no dia 11 de Setembro de 2001 tudo muda de figura, de forma estranha mas muda, uns aviões são enfaixados nuns edifícios, outros caem e George Bush de uma figura pasma que lê histórias em escolas passa a super herói sem capa nem cuecas por fora dos collans!

Os USA desenferrujam a sua grande maquina de guerra, invadem países e criam um caos nunca antes visto no planeta, passe a analogia com o Hitler e a antiga entidade que existia antes da ONU, sim eu lembro-me de ter falado por alto numa das aulas de historia sobre uma organização responsável por manter a paz e ordem, algo tipo ONU, e que existiu entre a 1º e 2º Grande Guerra, obviamente aquilo acabou porque Hitler resolver unificar a Europa e a dita organização, assim como a ONU não tiveram capacidade interventiva.

Prosseguindo com a minha breve retrospectiva, Bush faz um discurso empolgante, e declara guerra ao terrorismo.

Osama Bin Laden, de quem eu nunca tinha ouvido falar até a altura, e ao que se consta oriundo de uma família que tem negócios, ou tinha, com a família Bush, é apontado como causador de tamanha tragédia, a caça ao homem começa, e começa exactamente na Asia, atacando uma seita que eu também nunca tinha ouvido falar chamada de Talibans, que ao que parece tinham sido ajudados pelos USA a assumir o poder no Afeganistão e se não fosse o 11/9 ainda hoje apedrejariam alegremente mulheres nos campos de futebol.

Com bombardeios e muita tensão na zona o preço do Petroleo, Crude ou como lhe queiram chamar, começa a subir.

Os USA criam a lista dos Paises a invadir, nos quais constam Iraque e Coreia entre outros.

Depois de muito “esgravatanço” no Afeganistão, os estrategas militares Americanos chegam a conclusão que Osama não estava armado em coelhinho enfiado numa toca a espera deles… mas concluem que aquela barafunda toda valeu a pena pois libertaram um povo de uma opressão que eles ajudaram a implementar.

E então eis que algumas coisas mudam de figura no cenário mundial, a China afirma-se como potência económica e começa a invadir o mundo com produtos e negócios da China, as economias ocidentais acostumadas a terem as economias orientais debaixo do pé, não sabem como fazer frente a tamanho ataque económico, o slogam “O que é nacional é bom” parece ser a única arma, mas com o aumento do custo de vida o povo adere em massa aos produtos chineses.

Algures pelo meio surge um relatório, não sei bem se dos obedientes Ingleses ou se dos sedentos americanos de que o Iraque tinha umas armas químicas e tal e coisa.

Já ninguém falava do Osama, e agora o novo alvo a abater era o Sadam, dito e feito, enquanto não deitaram a estátua do Sadam por terra não descansaram, e ao que parece depois disso tem tido cada vez menos descanso, pois todos os dias morre alguém por essas bandas vítima de uma bomba.

E o dito armamento químico? Bom parece que alguém se enganou ou fez confusão… nunca apareceram, mas prontos livramos o mundo de mais um tirano que os USA tinham ajudado a prosperar.

Mas apesar disso tudo, o Euro teimava em estar mais baixo que o dólar, os preços do petróleo atingiam valores históricos e lembro-me da Ministra das Finanças pedir para os portugueses apertarem ainda mais o cinto, nessa altura pensei que era impossível, como estava enganado.

Mas eis que outra reviravolta no xadrez mundial acontece, não se sabe bem por que uma crise instala-se nos USA, uns vão a falência e outros morrem, famílias perdem as suas casas e uma grande confusão e reboliço assusta o mundo… a maior economia, mãe e pai do capitalismo estava em crise.

Resultado o dólar baixa, e baixa atingindo valores nunca antes vistos em relação ao Euro, mas o petróleo continua a aumentar, o custo de vida acompanha os sucessivos aumentos do petróleo e o cinto aperta ainda mais!

Voltando só um bocadinho atrás, sem Sadam, os USA começaram a apontar as baterias para a Coreia, uma tensão enorme é gerada pelo globo, até se tinha medo de espirrar não fosse isso desencadear a 3º Guerra, mas estranhamente, e apesar de a Coreia ignorar as sucessivas ameaças dos USA, as coisas acalmam. Bom na verdade não foi assim tão estranho, a China apoiou a Coreia e os USA tiveram que meter o rabinho entre as pernas.

E pronto estava montado o esquema para um dos mais macabros cenários da história da humanidade.

Com o aumento desmesurado do petróleo o Ocidente começa a ficar nas mãos do Oriente, as estruturas políticas e económicas tem que se ver livres dessa rédea o quanto antes, aparecem os primeiros automóveis híbridos no mercado e no “escuro da noite” há malta que manda óleo de fritar batatas para os depósitos de gasóleo… afinal aquilo anda na mesma!

Num acto desesperado é aceite a produção de bio-combustivel, e os cereais, para alem do irem para o pão e os Korn-flakes vão passar a ir para o depósito do carro, é irónico ver como cada vez mais o nosso carro se parece com os cavalos da idade média, já lhes vamos dar feno e tudo.

Estoura o pânico mundial, “não há comida pra esta gente toda!”, procura-se logo uma explicação, surgem varias, mas a que eu achei mais piada foi a de que como consequência do poder de compra da China e Índia, consideradas actualmente como potencias emergentes, os habitantes das referidas regiões já podem comprar, e querer comer, carne. Então é preciso mais cereais para podermos alimentar o gado para produzir carne.

Muito comovente, e eu, na minha mente distorcida e pecaminosa, a pensar que eram os produtores de cereais se estavam a aproveitar por causa do bio-combustivel…

Mesmo assim fico intrigado com uma coisa, porque razão escolheram o ceral e não a cana-de-açúcar como fazem a muitos anos os brasileiros? Será que a minha mente não é assim tão distorcida e eles previam o aumento de cereais como consequência? Mas então, qual o interesse do aumento dos cereais e não da cachaça?

Simples e macabro. Numa análise fria e calculista, se isto acontecer como realmente se afirma, a fome vai existir mesmo, a maior parte da população mundial, incluindo Europa, sim não estou a falar dos pobrezinhos da Etiópia estou a falar de nós europeus e outros que vivemos no dito “primeiro mundo”, vamos passar fome, levando a Europa a mergulhar de cabeça numa recessão cujo efeito será desvalorizar o Euro, devolvendo assim a competitividade que perdemos devido a desvalorização do Dólar.

É macabro eu sei, mas mais tarde ou mais cedo isto tinha que acontecer, o petróleo nunca foi uma fonte de energia eterna, só que a população mundial sempre o tomos por garantido.

O erro está nas decisões políticas que são feitas tendo em conta os lóbis, sejam as petrolíferas, os TGV’s ou os aeroportos e não tendo em conta o bem comum da sociedade e da prosperidade mundial. Afinal de contas e como diz uma musica dos Dire Straits “vivemos todos no mesmo mundo, mas cada um no seu mundo”

Gostaria assim de deixar a minha chamada de atenção, e pedir ao povo que abra os olhos, e que se convença que nada está garantido! Essa atitude de estarmos a espera uns dos outros para agir só nos prejudica, enquanto sociedade mundial. A desgraça que se abateu em África e na Ásia e na América Latina a qual nós permanecemos impávidos e serenos refastelados nos nossos sofás de pele a assistir nas nossas televisões a cores de grande formato caminha na nossa direcção, e se continuarmos a olhar o mundo pela televisão não seremos capazes de agir.

Já agora para quem gosta de leitura, recomendo o livro “o Triunfo dos Porcos”, quanto a mim uma bela e crua metáfora da sociedade e do pensamento humano.


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