Eleições 2009

Aproxima-se o ano de 2009 em que os portugueses vão ser chamados três vezes às urnas em eleições europeias, autárquicas e legislativas. Pelos sinais que se apreendem no convívio social há algumas nuances em relação às intenções de votos.

 

Nas europeias cada um vai votar livremente ou seja sem calculismos de nenhuma espécie. Como ninguém vê grande utilidade no Parlamento Europeu o cidadão vai utilizar o voto para castigar quem merece ser castigado e em última análise vai seguir a sua ideologia sem olhar às consequências. Os pequenos partidos vão subir e os grandes vão descer de forma equitativa.

Já nas autárquicas o voto deixa de ser ideológico ou partidário e vai ser o melhor ou pior desempenho de cada presidente de Câmara a reflectir o seu sentido maioritário. Em Gaia, por exemplo, onde vivo, ninguém duvida, e com razão, de quem vai ganhar, mesmo sabendo-se que é um concelho maioritariamente socialista.

Quanto às legislativas o problema torna-se muito mais complexo. Se por um lado há um descontentamento com o actual governo por outro não se vê alternativa credível da parte do maior partido da oposição, seja com esta líder seja mesmo com outro líder que escolham, em desespero, para a ocasião. Os pequenos partidos à esquerda vão assim crescer, sem dúvida, mas ainda pode haver uma surpresa. Essa surpresa seria o aparecimento de um partido na área do eleitorado do Manuel Alegre que viesse corporizar o descontentamento de muitos socialistas que embora descontentes com Sócrates nunca votarão no Bloco de Esquerda ou no Partido Comunista. Conheço muita gente que vive, desde já, este dilema e gostaria que alguém nessa área, com responsabilidades, tomasse uma posição esclarecedora. Será que preferem que o Partido Socialista se reduza a uns 30% do eleitorado deixando cerca de 20% do mesmo para os partidos à sua esquerda, com o risco de poder ser ultrapassado pelo P.S.D.? Será que isso reflectia, de facto, o querer sincero dos cidadãos? Todos sabemos que as ideias do Manuel Alegre arrastam atrás de si um milhão de votantes; mas mesmo que fossem apenas quinhentos mil já equilibrariam, com mais verdade, o jogo de forças em questão. Eu como simpatizante da candidatura de Alegre à presidência da república sinto-me no direito de saber se tenho que me abster nas próximas legislativas ou se posso esperar que o campo democrático de escolha eleitoral se alargue para essa vasta zona de socialistas. O futuro dirá se tenho ou não razão para fazer este alerta e estas previsões.

 José Dias Egipto

01 Out 2008

 


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